Ariadna Thalia e o monstro da Verdade

Você não gosta do Big Brother. Já entendemos isso, pois você repete esta frase sem parar, de janeiro a março, todos os anos nos últimos onze anos. Já entendemos que você diz que lê Dostoievski* e acha o BBB um lixo cultural.

Eu te entendo, pois em geral eu também não gosto do BBB, me dá uma angústia, um constrangimento em tantas cenas, que prefiro não assistir, muito embora eu tenha assistido – com gosto – o BBB em que Jean Wyllys concorreu.

O BBB11 me interessa especificamente porque traz em sua dinâmica uma série de questões éticas relevantes para quem estuda Direitos Humanos. E a grande protagonista destas questões é Ariadna Thalia, nascida “Tiago”. Ariadna é transexual e realizou uma muito bem sucedida cirurgia de readequação genital na Tailândia. Cortou fora seu pinto de jegue pênis de proporções avantajadas e, ao que parece, tem atualmente a aparência física de uma mulher muito bonita, do tipo que muitos homens desejam.

É sabido que dispomos, atualmente, de uma muito eficiente tecnologia para readequações genitais, sobretudo no caso de transexuais que nasceram homens. E se você tem dinheiro para operar na Tailândia, sai de lá não apenas “mulher”, mas uma mulher muito bonita. Sem pênis, sem “gogó”, com cordas vocais alteradas, em suma, mulher.

O lance é: ao que parece, Ariadna Thalia (adoro esse nome, essa mescla de heroina grega com cantora brega) NÃO irá contar que é transexual para seus parceiros no BBB11. E eu aprovo. Bem faz ela. Custo a entender por que diabos uma pessoa transexual, depois de resolver seu problema, tem que sair se apresentando o tempo todo da seguinte maneira:

- Oi gato, você tá me paquerando? Eu gostei de você. Meu nome é Ariadna, e eu sou TRANS.

Ora, quem é transexual ou tem amigos transexuais, sabe como é intenso o sofrimento de uma pessoa que se vê num corpo absolutamente dissonante em relação à sua identidade de gênero. Não se trata de frescura ou melindre, como dizem alguns. É algo tão estrutural na pessoa, que beira o desespero. Se a pessoa não tem o apoio e tratamento adequados, desenvolve problemas sérios de autoestima. Alguns chegam a tentar amputar o próprio pênis, e é muito comum a tentativa de aplicação de silicone industrial, entre transexuais provenientes de classes pobres. Um transexual típico olha para seu órgão genital e sente repulsa. Agora imagine se você é transexual, como no caso da Ariadna, que nasceu não com um mero pênis, mas com uma piroca PRIÁPICA no meio das pernas? Ela deve ter sentido grande alivio ao se livrar daquilo. E virou uma mulher aparentemente bem fornida.

BBB11: o primeiro Big Brother que já começa com um membro eliminado.

Por conta deste sofrimento, tudo o que a pessoa quer é esquecer, deixar seu pinto passado para trás. A Medicina avançou, o Direito ficou pra trás, e é mais fácil fazer a cirurgia de readequação do que modificar algumas complicações burocráticas, como o lance do nome. Alguns juizes dão ganho de causa e liberam a alteração dos documentos do cidadão. Outros, intransigentes, não aceitam o pedido, e fica lá a figura, um mulherão, com um documento onde se lê JOÃO PEDRO ou outro nome supermacho.

Não é, entretanto, consensual que Ariadna tem o direito de não sair por aí se apresentando como transexual o tempo todo. Há quem diga que ela tem a obrigação moral de dizer, sempre. Não concordo. Acho que isso é querer torturar a pessoa sem necessidade. Pra que ela tem que carregar este estigma pro resto da vida? Fez a cirurgia, se readequou? Pra mim, é mulher.

O primeiro argumento contra a omissão de Ariadna é o mais comum: num relacionamento, é preciso dizer a verdade. Também acho, muito embora algumas coisas sejam totalmente desnecessárias e até possam ser ditas num contexto de maior intimidade. Além disso, é questionável o que significa “dizer a verdade” o tempo todo. Significa relatar pormenores de problemas médicos que eu já tive? Devo me apresentar às pessoas dizendo que já sofri de REFLUXO GASTROESOFÁGICO?

Se você discorda, me explica o seguinte: você arranja uma namorada magrinha, uma gata. Só que ela já foi obesa mórbida, fez uma cirurgia para redução do estômago, ou seja, cortou um pedaço de si e ficou do jeitinho que você gosta.

Com o transexual não é diferente. Ele corta um pedaço de si – o pênis – e readequa seu corpo, virando uma mulher gostosa. E aí? Por que a ex-obesa não tem a OBRIGAÇÃO MORAL de sair por ai o tempo inteiro se apresentando como ex-gorda, mas Ariadna tem obrigação de se apresentar como transex? Por que esta “colagem” na identidade não é cobrada da ex-gorda, mas é cobrada do ex-homem?

Aí você pode vir com o segundo argumento: porque Ariadna não pode ter filhos, e tem que ser sincera com seu namorado.

Concordo. E se ela disser que não pode ter filhos porque tem um problema genético, vai estar mentindo?

Note bem: não estou defendendo que Ariadna (ou qualquer outra pessoa) NÃO deve dizer que passou por cirurgia de readequação genital. Estou dizendo que ela diz SE ELA QUISER, isso é algo que faz parte do desejo DELA, e ela não deveria se submeter ao desejo ALHEIO. E eu acho até bom que ela diga que já foi homem, pelo motivo simples de que não devemos ter vergonha de nossas biografias, e nossas origens fazem parte de nós, ainda que não estejamos escravizados por elas. Mas existe hora pra tudo, principalmente para dizer as coisas, sejam elas quais forem. O Brasil inteiro já sabe que Ariadna nasceu Tiago. Em teoria, seus colegas de confinamento não sabem. No mundo real, não é muito diferente: tem muita mulher por aí que não nasceu mulher, é paquerada pelos homens, por eles desejada, e isso não é nenhum embuste. O desejo é real, lide com isso. Se seu desejo vai mudar depois que você descobrir que aquela gostosona já foi macho um dia, isso é problema seu, e não dela.

Ariadne é o nome de uma heroina mítica que ajuda seu amor, Teseu, a desvendar o labirinto do Minotauro. A nossa Ariadna tem um labirinto muito mais complexo para enfrentar e um monstro pior do que o Minotauro pela frente: o monstro do preconceito, também ele um hibrido: corpo de gente, cabeça de jumento. Desde já, torço por ela aprioristicamente, porque por ela, e só por ela, TALVEZ o Big Brother Brasil traga questões interessantes à baila.

*Eu tinha escrito “Dostoievski” com y, e minha amiga Ana Sivieri me chamou a atenção. Esta é a prova inconteste de que, apesar de me chamar ALEXEY, não, eu NÃO leio Dostoievski – desculpa, papai, você bem que tentou.

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118 Comentários em “Ariadna Thalia e o monstro da Verdade”

  1. Letícia Diz:

    Excelente texto!

  2. Cristiane Diz:

    Sabe que eu também estou querendo assistir pelo menos até a primeira festa do BBB11 só para saber qual será o comportamento dela com eles.
    Interessanet seu texto.


  3. [...] This post was mentioned on Twitter by Lele Siedschlag, Lele Siedschlag, Leonardo Oliveira, Angel, Alexey Dodsworth and others. Alexey Dodsworth said: Texto no meu blog: ARIADNA THALIA E O MONSTRO DA VERDADE http://tinyurl.com/473yoru Sobre questões éticas evocadas por Ariadna. [...]

  4. Cleyton Feitosa Diz:

    Texto inteligente. Parabéns!

  5. Gabi Diz:

    SENSACIONAL!!
    To de boca aberta, pq pago um pau fudido quando a pessoa pega um assunto complexo, e coloca assim…da maneira mais simples e clara possivel!


  6. clap clap clap !!!!! Adoro!!!!!!!

  7. Ben Hur Diz:

    Gostei Alexey, gostei, gostei e gostei.

  8. Ana Calazans Diz:

    Lúcido, justo e humano: um refrigério para o meu desencanto


  9. [...] Você não gosta do Big Brother. Já entendemos isso, pois você repete esta frase sem parar, de janeiro a março, todos os anos nos últimos onze anos. Já entendemos que você diz que lê Dostoievski* e acha o BBB um lixo cultural. Eu te entendo, pois em geral eu também não gosto do BBB, me dá uma angústia, um constrangimento em tantas cenas, que prefiro não assistir, muito embora eu tenha assistido – com gosto – o BBB em que Jean Wyllys concorreu. O BB … Read More [...]

  10. Fabio Diz:

    Parabéns!

    Poucas vezes vi alguém fundamentar sua opinião de formam tão brilhante, demonstrnado preocupação com o próximo.

  11. Felippe Mendonça Diz:

    Em relação a suposta futilidade do BBB, lembro que o programa nasceu de uma pesquisa científica chamada zoológico humano; reúne 17 (nesta edição) pessoas de diversidades culturais extremas, como playboys, sarados, pagodeiros, cowboys, intelectuais, pseudo-intelectuais (aquela da última edição era a típica), modelos, domésticas, drogados, alcoólatras, fumantes, saudáveis, heteros, homos, bis e transexuais… além de uma infinidade de preconceitos múltiplos entre todos, uns para com os outros, no verdadeiro zoológico humano que possibilita a análise das reações humanas diante de momentos em que suas “verdades” são confrontadas.
    Assim, quem não enxerga cultura em tamanha diversidade é que deve repensar sua capacidade de adquirir cultura.
    Isso para não falar que, a pretexto do entretenimento, estamos acompanhando o desenvolvimento de meios virtuais de captação de votação popular e coleta de opinião pública,instrumentos de extrema importância para nós que sonhamos com uma democracia sem o comando ditatorial de líderes populistas nefastos e hipócritas.
    beijos e abraços
    Felippe Mendonça

  12. Rachel Diz:

    Parabéns pela bela colocação.
    Um assunto que não tem nada de complicado e o puritanismo, a cultura deixou o povo desse jeito. Parabéns tb Ariadina, por ter coragem de colocar a cara a tapa e provar que você sim é uma verdadeira mulher.
    Finalmente um BBB com algo para ensinar, pena que o “povo” vai ficar querendo ver se ela tem gogo ou se realmente é operada, é desse povinho que tenho aversão, nojo, tá na hora de mudar pessoas!!!!!

  13. Leandro Diz:

    Comparar uma gorda que ficou magra com um homem que virou mulher foi uma comparação totalmente descabida, hein…

    • devir Diz:

      É mesmo? Por que?

      Note bem, vou repetir: por que?

      A minha pergunta tem relevância, pelo seguinte, caro Leandro: você faz uma afirmação, mas não traz seu argumento. Se você, conforme fortemente suspeito, é OLAVETE, aprenda com seu mestre e argumente. Sabia que ele se posicionou favoravelmente à cirurgia de readequação genital? Sim, não estou mentindo. Ele disse ser a favor, num dos TRUE OUTSPEAK dele.

      Deste modo, se a coisa lhe parece “descabida”, fique à vontade para argumentar. Porque, até então, assumo como “descabido”, isso sim, qualquer afirmação que não contenha argumentos.

      • wsbarreto Diz:

        Belo texto amigo. Não quero iniciar aquele loop de comentários, mas acho que vale lembrar que ter argumentos não necessariamente valida a afirmação.

      • devir Diz:

        Concordo, mas apresentar argumentos é o mínimo. Se a pessoa escreve “não concordo” e pronto, simplesmente não há diálogo possível.

      • neto Diz:

        quer dizer que é só tirar o pinto fora que o homem vira mulher? Que coisa mais sem sentido… para mim é um homem ainda, com silicone em tudo que é canto, aplique nos cabelos, e um buraco onde antes havia outra coisa. Internamente, ele continua igual, um homem. A única coisa que mudou foi a parte de fora. Vejam como quiser… mas eu continuo vendo um homem. Realmente, nada a ver comparar uma ex-gorda com um ex-homem.

      • devir Diz:

        Parabéns por conseguir ver um homem aqui:

        http://www.blogers.com.br/transexual-roberta-close-fotos-videos/

        POST SCRIPTUM – silicone em tudo que é canto e aplique não é exclusividade de transexuais. Muita mulher usa, e isso não as faz menos mulheres. Sobre o “buraco onde antes havia outra coisa”, garanto que você não perceberia diferença se tivesse contato com uma vagina construida cirurgicamente.

    • Marcos Diz:

      Amigo vai estudar psicologia aí vc entende e deixa de dizer o que vc não sabe ser verdadeiro.

      • devir Diz:

        Por acaso eu estudei psicologia. Evidentemente, não a psicologia de Silas Malafaia :D
        Acho que você confundiu com “teologia”…

  14. Pontara Diz:

    Que travecão gostoso do caete

  15. Marcos Diz:

    Adorei o texto nota 10000…
    Ariadna é mulher sim e deve se orgulhar por atingir o equilíbrio corpo e mente.

  16. Nair Diz:

    Eu leio Dostoievski e assisto BBB – vi a edição do ano passado e estou vendo um pouco a desse ano. Não vejo problema nenhum em achar esse tipo de programa atrativo e não acho que preciso de uma boa desculpa para falar dele entre amigos cultos. Não é só a redenção de Raskólnikov e os demônios de Ivan que devem interessar a uma pessoa inteligente. Pois como se vê nesse texto, pessoas inteligentes percebem aspectos importantes e que devem ser discutidos dentro de um programa televisivo – e de grande audiência – como o BBB.
    O programa é sobre ver e ser visto. Para quem não sabe o nome faz alusão ao livro de George Orwell, 1984, no qual o Grande Irmão mantêm toda a população sob tutela, sendo vigiada 24hs por dia. Assim sendo, uma transexual que se deixará ver por milhares de pessoas, com certeza vai quebrar muitos pré-conceitos e, ao mesmo tempo, poderemos notar a diferença de tratamento que ha(verá) a partir do momento em que os confinados descobrirem a história passada de Ariadna. Porque embora eu concorde com o Alexey em relação a não-obrigação de contar, muitos entendem que tal obrigação existe e certamente isso ainda será muito discutido no decorrer dos meses. Espero que de maneira racional e comedida, sem faltar ao respeito que os transexuais merecem. Aliás, devemos ficar de olho nos programas de humor que todo ano usam o BBB como pauta – infelizmente, eu não me surpreenderia se surgissem piadas de mau gosto sobre Adriadna. E se elas aparecerem, como a qualquer outro preconceito, devemos combater.
    Enfim, parabéns pelo texto.

  17. Dono da verdade Diz:

    Muito bem colocado! Ate agora foi a coisa mais sensata,bacana,honesta,sem hipocrisia machista e desprovida de preconceito que li a respeito da Ariadna. Raro ver gente tão esclarecida e bem informada assim no Brasil


  18. Um texto sensato E bem escrito na internet.

    Caramba, fazia tempo que eu não via um desses…

    Parabéns Alexey, ótimo post!

    Bia


  19. [...] Ariadna Thalia e o monstro da Verdade Você não gosta do Big Brother. Já entendemos isso, pois você repete esta frase sem parar, de janeiro a março, [...] [...]

  20. Regina Viegas Diz:

    Perfeito ! Parabéns pelo texto !

  21. Poly Diz:

    eu gostei mt do texto e concordo


  22. OOOOOOOOOOOOOK ATÉ CONCORDO COM CERTA PARTE DO QUE VOCE DISSE. Mas….

    Acho que a Aridna tem q falar sim se ela é trans ou não, porque a pessoa da qual ela está interessada pode ligar pra isso. Se o cara nao soubesse, ele não estaria sendo enganado (?)

    Penso eu, ele deve saber com quem está ficando, afinal… ele concordando ou não, esse é um direito dele.

    Discrimar é crime, claro. Mas ninguém é obrigado a aceitar. Se ele não quiser ficar com um transsexual, é um direito dele. certo?

    • devir Diz:

      Não existe nada na lei que afirme que um transexual TEM que falar que se submeteu a uma cirurgia de readequação sexual. Ela não lesa ninguém ao não dizer. Também acho que ela PODE dizer, e até estimularia que ela dissesse, mas este “TEM que dizer” está errado. Eu não tenho a obrigação de relatar as doenças que já tive quando começo um namoro, por que ela tem que relatar as doenças que já teve? Repito: ela diz SE ela quiser.

      E se um cara gostou dela, sentiu tesão, ficou a fim, se apaixonou e não quer ficar com ela só porque ela FOI homem, ele é um babaca.

  23. Antônio Anônimo Diz:

    Muito bom o teu texto. Desde o começo, sobre pessoas que “odeiam” o BBB, passando pela legenda da foto, e também o final cotejando com a mitologia. Digno de ser publicado em um jornal sério e, bem por isso, eu tiraria os sobretachados, se é que me permites uma leve crítica. Teu texto é bom pelo conteúdo lúcido, perspicaz, dinâmico, sintético. Não precisa parecer engraçado, embora eu tenha rido. O que eu achei mais impressionante é como tu captaste tão rapidamente as implicações éticas do assunto. É um ótimo “start” para pensarmos em outras complexidades, trabalharmos nossa tolerância e compaixão. Meus parabéns, tu comunicaste!

  24. Catarina Diz:

    Realmente é um assunto mt complexo… Ariadna não é uma mulher… biologicamente sempre será um homem, pois para sempre irá carregar seus pares de cromossomos XY, apesar de ter amputado seu membro e tomado hormonios femininos. Agora, a pessoa com quem ela se relaciona tem o direito de saber o que ela foi, pois tb tem direito de escolher com quem quer se relacionar e é claro que sempre existirão os que aceitarão e os que não aceitarão. E se antes de ela operar havia quem se relacionasse com ela sabendo que ela era um travesti, que mal há em ela deixar claro o que é na atual condição?

    • devir Diz:

      No que concerne ao ser humano, o que determina o gênero não é a biologia, e sim a mente. Ela ter cromossomos XY só tem relevância no contexto da Biologia. Em termos de aparência, ela é mulher – e mais bonita do que muitas que eu conheço.

      Você diz que a pessoa com quem ela se relaciona tem o direito de saber quem ela foi. Eu digo que Ariadna tem o direito de contar SE quiser. O direito à privacidade é superior ao direito à curiosidade. Se Ariadna passar a ter a obrigação de dizer a todo mundo que ela já foi homem, por que não a tatuamos logo na cara? Fica mais fácil :)

  25. Gozo in rio Diz:

    Empurro nela com certeza.

  26. Emerson Diz:

    Alexey;

    só acho que se alguém vier a “dar uns pegas nela” sem saber em rede nacioal vai ficar muito contrariedade.

    A escolha do nome também acho que não foi tão culta. Ariadna Thalia é cantora e atriz mexicana, a Maria do bairro.

  27. catarina Diz:

    hahahahahha… só colocas os comentários das pessoas que gostaram do teu texto..srsrsrs… e depois diz q é contra o preconceito

    • devir Diz:

      Engano seu. Até agora, nenhum comentário foi rejeitado. Ocorre que eu só aprovo tarde da noite, ou você acha que eu vou ficar o dia inteiro lendo e aprovando os comentários que chegam?

      * bocejo longo *

      Eu só rejeitaria se houvesse xingamento. Este blog não serve à Sindrome de Tourette.

  28. Jonhatas Diz:

    Que bonito o seu texto, amigo. Muito bem elaborado, com um ponto de vista bem forte destacado! Eu só acho que você deveria estar mais apto a receber críticas, meu caro. Tá certo e concordo com você, que nao há nada em qualquer lugar que obrigue Ariadna a falar que é transexual. Você efatizou isso relatanto sobre a nao-obrigação de uma ex obesa relatar sua biografia. Ok. Agora eu te pergunto, tá escrito em algum lugar que alguém que tem AIDS deve contar isso ao seu parceiro? Creio que não… Isso realmente iria da ética de cada um. Eu acho, particularmente, que seria o mesmo caso… vai dá ética (sim, e por que nao?) ela contar isso a qualquer pessoa que por ventura, fosse se envolver com ela… Compreende o que eu digo? Claro… ela fala SE QUISER, assim como vc disse, e assim como alguém que tem AIDS tbm poderia falar SE QUISER, e se nao falasse, de alguma forma, prejudicaria o seu parceiro. E como Ariadna poderia prejudicar alguém?
    De uma maneira bem simples, meu bem, não sou preconceituosa, de maneira alguma, longe disso… acontece que o Brasil inteiro tá comentando que ela é transexual, o pessoal que tá na casa, nao sabe disso (…) Se ela ficar com alguém lá, um cara, você nao acha que depois, ele nao se sentiria, de alguma forma ‘ridicularizado’? Nao por ela ser trasexual e sim porque o brasil TODO sabia e ele não sabia de nada. Eu acho válido voce tentar enchergar por esse lado também, não refutando seu ponto de vista, mas apenas te abrindo um espaço pra novas opiniões. Eu creio que não aqui, mas sejamos sinceros, o preconceito realmente existe, meu caro.

    • devir Diz:

      Ué, todas as criticas estão recebidas e aprovadas para publicação aqui. Não sou obrigado a concordar com elas, não é mesmo?

      As pessoas confundem ética com moral. Moral é uma norma imposta, externa. É o “tem que”. A ética é pessoal.

      Tem gente que quer converter o DIZER da Ariadna numa moral: “tem que dizer”. Mas isso nunca seria ética, porque seria uma obrigação imposta de fora, para atender às exigências externas. Ariadna diz se quiser, e pronto.
      E acho bacana que ela diga, não por causa do outro, e sim por causa de si mesma e por causa de outras pessoas em situações semelhantes à dela, que se sentirão com força para assumirem suas diferenciações.

      Só quem é transexual ou convive com alguém assim sabe como é o sofrimento desta pessoa. A pessoa tem que ficar O TEMPO TODO se apresentando como transex, avisando as pessoas que é transex. É por isso que muitas se mandam do Brasil e vão viver em outros países, onde ninguém sabe – e nunca saberá – que elas nasceram como homens. Elas até contam, com o tempo, para namorados que se tornam relações sérias. Mas contar logo de cara, numa balada, antes de um beijo? Fica até ridiculo. “Olha, antes de eu te beijar, eu tenho que te contar uma coisa…”. Pra que? Repito: é o mesmo que eu contar, antes de beijar alguém, que tive sarampo na infância. Achar que com a transexualidade é diferente, é mera questão de cunho MORAL, e não ético.

      • devir Diz:

        Em suma: sou a favor de contar, pois coisas íntimas a gente contra pros nossos AMORES, mas não pros nossos FICANTES. E se Ariadna um dia tiver um relacionamento com alguém que ela ame, estou certo que ela contará. Mas pra ficante em balada? Pra um cara que quer dar um beijo nela? Por que ela teria que contar antes? Ela não tem nenhuma doença contagiosa.

  29. Mister X da EPER Diz:

    Adorei o texto! Eu gostei da Ariadna, torço para que ela fique com alguém.

  30. Valeria Ramos Diz:

    Conheço a Ariadna, ela é uma pessoa incrivel, lutou pra conseguir o que queria,eu tb sou trans , e tb lutei operei tb na Tailandia depois da Ari, cheguei ao Brasil casada e ela chegou dps d mim, foi a minha casa conversamos e tudo, ela se sente como eu uma mulher, nao temos a obrigação de falar q somos trans , pois na verdade nossos documentos sãO FEMININOS,temos tudo d mulher.
    A mente é feminina,nos sentimos e somos mulheres , o meu marido mora no Brasil comigo sou casada há 1 ano, e ele nao sabe q sou operada e nem vai saber nao e necessario.Quando me perguntou sobre filhos disse naum posso ter tenho doenças geneticas,entao vamos adotar uma menina linda.
    Entao resumindo nao temos obrigaçao d contar ,contamos se quisermos,essa demagogia d que ela deve contar nao existe,ELA È UMA MULHER , basta vc ler os documentos da Ari ,ela é demais estou torcendo por ela, e acho q ela naum vai ter problemas….

  31. sog2k Diz:

    Você não acha que ela AINDA É homem? Claro que sim, em alguns ângulos, inclusive, ela parece mais homem que mulher. E tem a voz grossa. E sua vagina não deve ser como uma normal. Enfim, ela ainda é homem. É impossível mudar o sexo totalmente. Essas pessoas não mudam de homem para mulher. Elas mudam de homem para [alguma coisa no meio do caminho]. Por isso penso que ela deve ser honesta e revelar sua condição. Senão, estará traindo ou dando um golpe baixo no homem que se relacionar com ela. Imagine que você é um big brother que tem uma relação com ela e o BRASIL TODO vê aquilo na TV. Você não sabe que ela é homem. E agora? Sua moral estará destruída.

    • devir Diz:

      Não, eu não acho que ela ainda é homem. E não acho que a voz dela seja grossa. Conheço mulheres com a voz mais grossa que a dela.

      Sobre a vagina dela não ser normal, isso é suposição sua. Vou assumir que você está dizendo “normal” como quem quer dizer “idêntica a uma vagina natural”. A depender de onde ela fez a cirurgia de readequação genital, ninguém perceberia diferença NENHUMA.

      Você diz que é impossivel mudar o sexo totalmente. E está correto. Uma cirurgia para transexuais não muda o sexo, tanto que dizer que se trata de uma cirurgia de mudança de sexo é um equivoco. O termo correto é “cirurgia de readequação genital”.

      A confusão que você comete, que não é diferente da de muitas pessoas, é confundir sexo biologico com GENERO. Você pode ser do sexo biologico masculino, mas seu gênero ser feminino. Ninguém nega que Ariadna pertença ao sexo biologico masculino. Mas ela é do GENERO FEMININO, pois o gênero deriva da mente, e não do corpo. E seu corpo foi readequado, de modo que fenotipicamente ela é, sim, uma mulher.

      E por que a moral de um homem seria destruida por se relacionar com uma mulher como Ariadna? Isso não faz sentido algum. Ele poderia ser alvo de piadinhas e chacota, admito – mas quem faria isso seriam pessoas extremamente burras, ignorantes e hipocritas, considerando-se inclusive que VARIOS homens ja ficaram com mulheres transexuais, e nunca souberam disso.

  32. Felipe Diz:

    Cada um é feliz do jeito que quer, desde que não machuque o próximo. Não devemos rotulá-la pois justamente a “unica” coisa de mais que ela fez foi, por ela própria, mudar a sua condição para convergir sua mente e corpo. Acho que ela é sim um participante como qualquer outro e não uma alienígena, de repente capaz der ser mais humana e ter mais sentimentos complexos do que “você” (massa), que se diz “normal”. Quem não puder se apaixonar por ela do jeito que ela é, que não a mereça. Ela, infelizmente, é a unica a sofrer, condicionada de repente ao sentimento de traição caso não revele o seu segredo instantaneamente a um primeiro encontro ocasional e com sentimento temporário? É melhor então fazer uma camisa: “CUIDADO: EU SOU TRANS”. A princípio básico é viver e deixa-la viver.

  33. Felipe Diz:

    Falamos aqui de um programa voltado para a massa e que assim, será julgado pela grande maioria. Talvez o único defeito da Ariadna seja o de fazer brincadeiras de cunho sexual, as quais, repito novamente, a grande massa não possui grande tolerância. Esta é a única falta de estratégia dela neste momento. Embora acredite que ela seja espontânea e para ela estas brincadeiras façam parte de sua autenticidade e personalidade, regrar de repente este lado lhe faria chegar mais perto do prêmio final. A verdade é que o brasileiro possui problemas maiores e relacionados a todos que e não são tão discutidos. Não vamos pensar que a Ariadna foi escolhida para compor uma cota extra dos antigos “coloridos”. Prefiro acreditar que a Globo prefere o cunho social e o de levantar questões importantes e as múltiplas facetas da natureza humana, reformulando e dando oportunidade para toda a população também questionar e discutir assuntos não muito discutíveis, portanto, polêmicos, do que pensem objetivamente no lado comercial e do Ibope, que na verdade é a principal causa para que o programa em si seja realizado.

  34. Felipe Diz:

    Eu torcerei para o que se mostrar mais justo, equilibrado e merecedor a longo prazo.

  35. Felippe Mendonça Diz:

    O debate está muito proveitoso… estou lendo calmamente… ainda não terminei, pois odeio leitura dinâmica. rsss
    Bom, antes de terminar a leitura quero levantar outro ponto bastante pertinente: a edição preconceituosa da Rede Globo.
    Eu concordo em termos com o Alexey, pois realmente não existe a obrigatoriedade. Entretanto, o dever ético existe, sim. (no caso de envolvimento com algum outro participante em rede nacional ou em caso de relacionamento sério com qualquer pessoa, dentro ou fora da mídia).
    A verdade caminha com a ética, a mentira, mesmo que por vezes seja mais sensata, não.
    Enfim…. na análise das questões pertinentes, muito pior do que ela não contar é a edição de ontem do programa em que a globo enfatizou em câmera lenta um simples “selinho” afetuoso de um amigo.
    A edição cria a reação preconceituosa referente ao fato. Poderia tão somente mostrar a cena como natural que foi, mas cria com a câmera lenta e com trilha sonora um ambiente como se fosse o ataque do temido tubarão branco do clássico de Spielberg.
    Existe o dever ético da participante em se preocupar com eventual dor que possa causar a outras pessoas (ignorantes, muitas vezes, mas ignorância gerada por uma sociedade de desvalorização da educação, ou seja, onde o ignorante é o “menos culpado” por não ter tido acesso nem estímulo ao conhecimento), mas é extremamente maior (e sua lesão é significativamente mais relevante) o dever ético da maior emissora de televisão da américa latina de educar e inibir as possibilidades de reações preconceituosas, seja do público, seja dos participantes.
    O rapaz que deu o selinho pode não ser, por si, preconceituoso, mas, ao sair, pode sofrer pelo preconceito do público (gozações e até mesmo rejeições) e acabar reagindo da mesma forma, hostilizando a transexual como meio de “garantir sua masculinidade” diante do público de preconceito direcionado pela emissora.
    E exigir da emissora que não repita este procedimento acredito que seja uma luta mais pertinente do que a de exigir eventual dever ético (deveres éticos nem sempre são exigíveis) da participante.
    beijos e abraços
    Felippe Mendonça

    • devir Diz:

      Oi Felipe,

      As edições do BBB de fato nunca me pareceram nada comprometidas com nenhuma etica minima. O que eles querem é ver o circo pegar fogo, pois é isso que traz audiência.

      Entrando no que importa, eu entendo quando você diz que Ariadna tem que se preocupar com a eventual dor que pode causar nos outros. Só que, no presente caso, no que concerne a uma pessoa transexual, não sei por que o sujeito tem que se preocupar com a “dor eventual” que pode causar nos outros, causando dor continua a si mesma. Até porque, qualquer “dor moral” que alguem que beijar Ariadna venha a ter, só é dor moral porque assim permitimos. É diferente de ter sua condição pregressa – que vc so quer esquecer – repetida à exaustão o tempo inteiro.

      Num sentido geral, creio que concordamos. Noto, inclusive, que muita gente entende errado algumas coisas [o que, evidentemente, não foi seu caso]. Quando eu falo da “não obrigação de contar”, tem gente que lê e entende que eu estou dizendo que ela tem a obrigação de NÃO contar. Ora, não é nada disso! A larga maioria das pessoas transexuais conta pros seus amores sobre o que se passou, fala da questão transexual, mas isso tem tempo e lugar. Seria ridiculo que essas mulheres se apresentassem e, de imediato, falassem que nasceram com o corpo de um homem. No caso da Ariadna, o problema é de outra ordem. Ela contou à produção porque não tinha jeito. Dentro da casa, ela conta na hora que se sentir à vontade, quando achar conveniente e tal.

      Mas há algo que não concordo: essa coisa de ter que criar um interdito pessoal para não ferir a “moral alheia”.

      Vai que um rapaz quer ficar com ela, e ela demonstra reciprocidade. Se o rapaz sair da casa e for vitima de preconceito, o problema ético não é dela, é dos preconceituosos. E tem um lado bom: Vai ser mais um a sentir na pele aquilo que muitas vezes só ouviu falar. Sei que meu pensamento soa até cruel, mas eu não vejo por que tenho que ter dedinhos e tomar cuidado com a frescura alheia.

      Sim, porque é frescura. Eu tenho uma protese no lugar do queixo, porque nasci com o queixo muito retraido, e não gostava da aparência. Fiz uma alteração estética, e tenho um queixo que meu dinheiro e a ciência me deram. Eu não saio por ai dizendo que meu queixo é decorrente de uma intervenção cirurgica sempre que engato uma relação. Também não tenho problema em falar sobre isso, mas o fato é que eu chego a esquecer desta questão. Uma pessoa que nasceu homem e mudou seu corpo para a aparência adequada ao seu gênero fez uma intervenção estética mais radical do que a que fiz no meu queixo, mas e ai? A obrigação de dizer a verdade deveria, então, contemplar todas as nossas peculiaridades orgânicas: uns arrancam o pinto fora, outros implantam queixos, outros arrancam um pedaço do estômago… O preconceito existe? Existe. E eu não vejo por que tenho que ter paciência com isso. O cara sentiu tesão por uma mulher, beijou, trepou, depois vai se sentir humilhado porque descobriu que aquela mulher nasceu num corpo masculino? Azar dele! O mal estar dele com certeza não será maior do que o mal estar ao qual ela se submeteria todos os dias, tendo que explicar toda hora a condição dela. Por essas e outras, entendo transexuais que se mandam do pais e vão viver vidas novas em outros lugares.

      Existem mentiras perfeitamente eticas. Claro que se você for kantiano, não tem como concordar com isso, já que, para Kant, “dizer a verdade” é um imperativo categórico. Bem, minha avó de 93 anos não sabe que meu pai morreu e ninguém na minha familia quer contar, já que ela já não está com a cabeça muito boa, perdeu a noção do tempo e ainda por cima tem problemas de pressão. Assim, quando ela pergunta sobre o filho, muito eventualmente, a resposta é a mesma: está viajando. A verdade, neste contexto, não me parece nada ética. Algumas obrigações da verdade me parecem até mesmo monstruosas.

      • Felippe Mendonça Diz:

        Sim, como eu disse, a mentira por vezes é mais sensata. No caso da sua avó, que apóio totalmente, é exatamente esta situação. Não há conflito ético.
        Discordo da colocação referente ao problema daquele que pode sofrer pela omissão de Ariadna, conforme minha última publicação neste blog.
        Tem um último ponto que acho relevante: eventual relacionamento que ela tenha dentro da casa sofrerá ainda pelo fato de que a verdade virá à tona de qualquer maneira.Ou seja, mesmo sabendo que dali há poucas semanas a pessoa saberá e que todos do Brasil sabem, ela preferiu lhe omitir. Isso é diferente de uma situação onde, fora da mídia, o transexual omite sua situação, concorda?
        Bom, o debate está ótimo! Parabéns pela boa disposição em responder a maioria dos posts.
        Toda questão bem deliberada pode manter suas divergências, mas estas serão bem mais razoáveis.
        beijos e abraços
        Felippe

  36. Yasmin Brooks Diz:

    Meus parabéns pela lucidez, pela humanidade de seu espírito, e pelo belo e impressionante texto que você publicou, realmente uma das poucas vezes em que vi a questão sendo analisada de forma VERÍDICA, sem as confusões e desinformações embasadas em pobres preconceitos de pobres almas desprovidas de qualquer valor humano.

    Falando um pouco mais sobre a questão, que se chama na verdade DISFORIA DE GÊNERO, esta não tem nada a ver com questões de orientação sexual portanto não tem nada a ver com homossexualismo ou travestismo, é de fato uma DESORDEM CONGÊNITA e como você bem disse, não tem obrigação nenhuma de contar não! Ninguém se apresenta ao outro listando todo o seu histórico médico e se alguém faz isto é porque precisa de tratamento psicológico urgente.

    E para corroborar ainda mais o seu texto posso citar minha história como exemplo, sou casada há 6 anos, temos eu e meu marido um casal de filhinhos pequenos, em torno de 5 anos. Eu sou uma mãe de família, esposa, mulher, como qualquer outra do mundo, não sou obrigada a contar para ninguém que nasci com Disforia de Gênero e tive de fazer um tratamento, quantas pessoas nascem com problemas e têm de fazer tratamentos? E quantos motivos existem? Só porque mexe com o tabu de ignorantes de mentes em estado de pré-história seria eu obrigada a dizer algo que não é a minha verdade?

    Mas o meu marido sabe sim. E soube no momento em que deixou de ser namorado para ser noivo, eu também não seria obrigada a contar, tem pessoas que não contam nem mesmo depois de casadas, e ninguém deixa de ser feliz por isto, eu contei para ele quando me propôs casamento, escolha minha, e isto não importou em nada, somos muito felizes e queridos em nosso círculo social e igreja sem problema algum.

    Só faço ressalvas à moça em questão pelo seu comportamento que, é fato, destoa da média de quem enfrentou um problema assim na vida, mas mesmo assim fiquei emocionada com o seu texto.

    Se você tiver orkut, depois dê uma lida na comunidade Disforia de Gênero, onde tentamos lidar com a questão de uma maneira verdadeira: http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=35888656

    Parabéns mais uma vez, e obrigada porque se mais pessoas soubessem o que você sabe, menos pessoas sofreriam muito mais do que já sofrem por vivenciar uma desordem destas, e acredite, o sofrimento é realmente avassalador e cruel…

    • devir Diz:

      Yasmin, obrigado por seu depoimento, creio que são casos como o seu, casos reais, que permitem um melhor dimensionamento para quem aborda estas questões falando a partir de um lugar “confortavel”, que é o lugar da mera teoria. E obrigado pela indicação, vou visitar a comunidade, sim.

  37. Felippe Mendonça Diz:

    agora que terminei de ler, tenho apenas algumas observações:
    O Alexey chama de moral o que chamamos aqui genericamente de ética. Mas conclui-se que, utilizando termos diferentes, ele não discorda desse “dever”, seja nomeado como ético ou seja como moral.
    Discordo dele quanto as nomenclaturas utilizadas e quanto a origem da exigência (interna ou externa) em questões éticas E morais. Ambas são frutos da sociedade, portanto são externas – mesmo as que muitos entendem como naturais são reafirmadas socialmente, ou rejeitadas. Exemplo: a regra natural da propriedade é pela aquisição forçada do mais forte. A sociedade rejeita essa natureza e cria normas que regulamentam a aquisição da propriedade; A natureza humana de matar outros da mesma espécie pode ser aceita pelas normas da sociedade, como é a legítima defesa, ou rejeitada, como é o homicídio. Enfim, na minha concepção as normas acabam sempre, em última análise, sendo externas. E isso não é diferente nem com a ética nem com a moral.
    O segundo ponto que quero levantar é bem mais delicado: defesa dos ignorantes.
    Eu decidi em determinado momento da minha vida lutar pelos Direitos Humanos. Essa luta tem um destinatário em evidência em todos os casos – os humanos.
    É difícil debater direitos humanos com os leigos e escutar os tradicionais argumentos “é direito dos bandidos”, “bandidos bom é bandido morto”, “queria ver se fosse com seu filho”, “é preciso ser violento com o preso para que ele veja quem é que tem força”, dentre muitos outros.
    Pior será quando eu desistir dos ignorantes e tratá-los como pessoas que não mereçam minha preocupação com a mesma intensidade e dedicação que dou na luta pelos direitos de membros da sociedade que podem aparentar maior carência na sua proteção.
    Minha primeira resposta aos “inimigos” dos direitos humanos é que estes são maiores do que os empregados quando em ofensas aos presidiários.
    Graças aos DHs estamos aqui debatendo livremente algo, apesar da constante tentativa das classes dominantes interessadas em desqualificar fontes de informação e meios de debates (chamam de PIG, de corrente do mal, etc.) graças às lutas de DHs eles pouco conseguem nos inibir.
    Luto pelos direitos dos presos não pela condição de presos, mas pela condição de humanos e, se diferenciá-los, aceitarei que essa diferenciação deja estendida aos poucos a todos os demais humanos, inclusive meu filho, que, num futuro fascista de afastamento dos direitos pelos quais eu luto, pode estar andando na rua e ser confundido com um criminoso e julgado pela opinião pública sem ampla defesa, contraditório, nem mesmo um advogado que possa lhe defender sem que seja hostilizado pela população como defensor de algo indefensável.
    E é por isso que eu luto, para que não existam exceções aos DHs.
    Diferentemente do que o público leigo pensa, lutamos pelas punições justas, decorrentes de processos justos, com ampla defesa e contraditório, de tribunais reconhecidos, nunca tribunais de exceção. Não lutamos por impunidades.
    Antes que pareça sem pé nem cabeça tudo que estou escrevendo, repito: defendo também os ignorantes.
    Tratar aqueles que, por sua ignorância, pela criação em uma sociedade ignorante, são preconceituosos, como pessoas que não merecem respeito não ajuda, em momento algum, a proteger os direitos daqueles que sofrem os preconceitos.
    Vou tentar explicar melhor.
    O preconceito decorrente da ignorância (falta de acesso e/ou incentivo ao conhecimento) que não agride também existe. A pessoa ignorante pode simplesmente não gostar de pessoas de determinada etnia, religião, orientação sexual, etc., mas em nenhum momento ofender, discriminar, separar, etc.
    O preconceito é necessariamente uma ignorância. A etimologia já é suficiente para demonstrar isso. Trata-se de uma conceituação anterior ao conhecimento, portanto ignorante.
    Mas podemos cobrar da pessoa que nasce e cresce em uma sociedade preconceituosa e se depara com um novo mundo gerado pela evolução dos meios de comunicação que respeite aqueles aos quais são acostumados a preconceituar.
    Entretanto, não é possível obrigar a gostar.
    Assim, os preconceituosos podem não gostar de outras pessoas por suas diversidades, mas não pode desrespeitá-las.
    Nós lutamos exatamente pelo respeito, certo?
    E respeito é recíproco, SEMPRE.
    Respeitar o ignorante como antes de tudo um humano também é dever daqueles que sofrem preconceitos.
    Problema na dificuldade de oferecer rosas aos inimigos sabemos que existem, mas, como diria Roberto, não importam os motivos da guerra, a paz sempre será mais importante.
    Assim, dentro do nosso debate, lutar pelo respeito à Ariadna é tão importante quanto lutar pelo respeito aos demais participantes e aos demais humanos.
    A Ariadna expor algum outro participante sem sua vontade e sequer conhecimento, não é respeito.
    Assim, discordo do trecho em que respondeu: “E por que a moral de um homem seria destruida por se relacionar com uma mulher como Ariadna? Isso não faz sentido algum. Ele poderia ser alvo de piadinhas e chacota, admito – mas quem faria isso seriam pessoas extremamente burras, ignorantes e hipocritas, considerando-se inclusive que VARIOS homens ja ficaram com mulheres transexuais, e nunca souberam disso.”
    Isso é desrespeito e preconceito, da mesma forma que os que desrespeitam e preconceituam as diversidades.
    Vou dar um exemplo que talvez demonstre bem o que quero dizer. Um participante pode se envolver com Ariadna sem saber que ela é transexual, mas não ser alguém preconceituoso. Ou seja, se soubesse faria exatamente a mesma coisa. Mas, ao sair da casa, foi exposto ao público e ficou vulnerável a sofrer os mesmos preconceitos pelos quais a Ariadna (e nós) lutamos para que não existam.
    O primeiro ponto aqui já é gritante: como posso lutar para que uma forma de desrespeito não exista e ao mesmo tempo não me preocupar em deixar alguém exposto a ela?
    Mas vou mais além. Esse integrante, apesar de não ter preconceitos, luta contra os preconceitos de sua própria família. Algo mais do que comum.
    Ao sair da casa, pode sofrer rejeição de pessoas que lhe importam de forma superior a todo sofrimento do preconceito, como seus pais, avós, tios, etc.
    Infelizmente convivemos com pessoas ignorantes diariamente e algumas são muito próximas e queridas. Não consigo vencer sozinho a luta contra o desrespeito. Ele ainda vai existir. Eu lhe minimizo. Portanto, muitas vezes simplesmente respeito (não é uma tolerância, mas um respeito) os preconceitos dos meus pais, enquanto não gerem situações de desrespeito.
    Não sou fruto direto de nenhuma forma grave de discriminação (classe média, branco, hétero, etc.) mas sei que todos nós somos expostos por qualquer diversidade. Por exemplo, sofro em ver na net milhões de anônimos destruirem os ambientes democráticos de debate para comentarem coisas como “nordestinos deveriam ser exterminados” ou “paulistas que se afoguem” ou “carioca boia” ou “advogados são fdps” “aeromoças são putas” etc, dentre outros absurdos que demonstram claramente não existir uma única diversidade que gere a ignorância do preconceito.
    Assim, a única forma de se lutar contra isso é lutando por RESPEITO e respeito é recíproco.
    Não luto por igualdades, luto por respeito aos desiguais.
    beijos e abraços
    Felippe Mendonça

    • devir Diz:

      Felippe, eu entendo o que você diz, e concordo em partes. Entendo, por exemplo, que o principal trabalho de quem lida com DH é justamente alcançar os ignorantes, os preconceituosos. Caso contrario, é apenas tempo jogado fora, pois estaremos falando apenas para nossos semelhantes, e não mudaremos absolutamente nada no mundo. Neste sentido, concordo muito com você.

      Mas no que concerne a respeitar o ignorante, tudo tem limite. “Nada é mais intolerável do que a intolerância absoluta”, disse uma vez Ricoeur. Vou te contar uma história: via de regra – e pode até não parecer dentro do contexto deste post, mas depois explico melhor – eu sou um poço de paciência e boa vontade. Lido com gente racista, com homofóbicos, e por mais de uma vez eu consegui fazer a pessoa se livrar de sua ignorância a partir de um trabalhinho de tartaruga mesmo, pouco a pouco, até a pessoa entender e se sensibilizar.

      Só que este procedimento não pode ser tomado como um imperativo categórico. Há o momento da porrada. Fato real: dias atrás, no Twitter, divulgando o abaixo assinado em prol do Wesley, um cidadão começou a berrar e a dizer que ele tinha que ser preso sim, que era um pedófilo, que era viado, que dava o cu, essas coisas. Eu tentei várias vezes argumentar com ele num nivel de elegância digno da corte francesa. E ele continuava. Até que, num dado momento, passei a responder na mesma moeda: chamei de imbecil, de mentecapto, e ia argumentando e xingando. Ele virou um doce! De repente, estava conversando comigo como um ser humano razoavel. E no final agradeceu o papo e ficou meu amiguinho.

      Tem gente que precisa de intolerância, Felippe.

      E, no presente caso [transexuais], depois de ver uma criança de 12 anos chorar copiosamente porque mesmo tendo o aspecto totalmente feminino [ela ainda não fez a readequação genital, apenas, porque só pode fazer aos 18], as pessoas não cessam de lembrar a ela que ela nasceu homem, nasceu homem, nasceu homem. Deste modo, no presente caso e neste momento especifico, meu limite de paciência está bem estreitinho, porque estou indignado. Se a pessoa chegar aqui e discordar, tá de boa, não tem problema nenhum, ela pode discordar e eu até converso com ela na paz de Sao Francisco. Mas se chegar achincalhando, darei a ela minha “impiedade compassiva”, como diria Buda. Não sou santo, nem quero ser. Há momento em que até poderia quase virar um, mas neste momento especifico, tô respondendo na mesma moeda.

      De resto, sua frase final é a essência de tudo o que acredito: “não luto por igualdades, luto por respeito aos desiguais”.

      Grande abraço!

      • Felippe Mendonça Diz:

        Em quase todos os pontos nós concordamos. Os que discordamos são “arestas”. Mas o que importa é a possibilidade de debater com educação e respeito.
        O que mais me irrita é exatamente quando tento debater algo e pessoas passam somente a agredir…. vi que vc sofre o mesmo em suas lutas. Aqui mesmo um ou outro comentário são provas disto. Isso sem contar os que vc deve negar por utilizarem termos chulos.
        Realmente é algo que beira o impossível tentar manter respeito aos que nos desrespeitam.
        Em relação a isso, dois pontos:
        1 – aprendi com meu orientador de mestrado, Sérgio Resende de Barros que em algumas situações a vida ensina. Não adianta tentar ensinar algumas pessoas que não querem aprender. Nestas situações é melhor simplesmente parar de debater e deixar que a vida ensine. (muiiiiiiiiito difícil, mas depois que passei a fazer isso, dentro do meu limite, revigorei)
        2 – desrespeitar quem está lhe desrespeitando é diferente de desrespeitar preconceituosos (que podem não estar desrespeitando ninguém) ou, pior, supor que alguém possa ser preconceituoso e lhe retirar o direito ao respeito.
        A questão do preconceito também é bastante ligada aos generalismos, por vezes infundados, por vezes não. Generalizar é errado.
        Achar que um hétero que se envolva com a Ariadna seja um preconceituoso que se incomodaria com isso é um generalismo.
        Não pensar em eventual sofrimento que ele venha a sofrer é tão cruel quanto não pensar nos sofrimentos da Ariadna e de qualquer outra pessoa que sofra preconceitos possa sofrer.
        O maior problema das lutas por inclusões está no fato de que boa parte dos que lutam por inclusões ignoram as possibilidades de gerar outras exclusões. (cada um com seus “pobremas”)
        A homofobia não é pior do que a heterofobia, assim como excluir negros não é pior do que excluir brancos.
        O histórico maior de um não faz com que o outro seja mais tolerável.
        E por isso que não entendo como correto esquecer eventuais problemas que alguém que nem sabemos quem é possa vir a sofrer. Problemas sérios, como ser rejeitado pela família.
        Veja bem que essa preocupação não diminui em nada a preocupação com os sofrimentos da Ariadna e com o dever de todos de respeitá-la.
        é isso… sempre seguindo Aristóteles e sua virtude do meio termo. rsss
        beijos e abraços
        Felippe

      • devir Diz:

        Sabe o que é surpreendente? Até agora, não precisei rejeitar quase nenhum comentário, porque ninguém entrou xingando. Rejeitei um único, que era uma ameaça de morte :D

        Você foi meu colega na turma de DH, não foi?

      • Felippe Mendonça Diz:

        Teria sido seu colega de turma na disciplina ministrada pelo professor Orione, mas fui convidado para dar aulas na EPD em horários coincidentes e tive que desistir.
        É um crédito que pretendo fazer quando (e se) entrar no doutorado. :)
        Quanto à ameaça de morte, não deixe de denunciar. Chega a ser dever cívico.
        Abraços

      • devir Diz:

        Faça mesmo, valeu demais, pelo menos pra mim.

        Quanto à ameaça, eu anotei o IP e denunciei. Ja sei até de onde partiu… rs

        Abração!

  38. Homer Diz:

    Boa tarde.

    Cheguei aqui por acaso. De tudo que li por aí, acompanhado de comentários e narrativas das mais variadas, só me resta ser mais um a dar os parabéns. Simples assim.

    E obrigado. Toda ajuda será sempre bem vinda.

    [[]]


  39. Concordo plenamente com voce, sou uma travesti e tenho amigas transexuais e sei como é dificil a vida delas. Esse burburinho so começou por que surgiu alguns comentario, sobre a transexualidade dela, caso contrario, ninguem falaria nada e ela talvez até chegasse ao final do programa, sem que ninguem soubesse que ela é transexual operada. Essas pessoas que falam que ela é homem, que tem a voz grossa, que tem gogo e que ela tem “por obrigaçao dizer quem é” e outras coisas sem fundamento nao diriam “NADA, ABSOLUTAMENTE NADA” se tal noticia nao viesse a tona e talves até numa noitada ficaria com ela e nao notariam diferença alguma. É direito dela querer levantar a bandeira da causa ou nao.

    bjs

    Ale

  40. Malu Chan Diz:

    não costumo comentar nos posts de blog que leio, mas esse mereceu: foda bagarai!!!
    dei moral e assino embaixo…
    a parte da ex-gordinha então, matou a pau. Parabéns!

  41. Guilherme Rossini Diz:

    Discordo de grande parte do seu post.

    A sociedade brasileira é extremamente homofóbica, oprime a orientação sexual livre e isso não é segredo pra ninguém. Ainda temos que avançar muito nesse aspecto, mas não conseguiremos fazer isso dessa forma.

    Pelo contrário, o que Ariadna faz é apenas ampliar o preconceito. O fato de ela esconder sua orientação sexual e ‘brincar’ com os meninos da casa só ajuda a alimentar o preconceito; e ela tem plena consciência disso.
    Prova disso é o que ela disse na primeira festa, quando dava em cima dos homens, dava linguada neles
    e dizia: “Nesse momento, sou o centro das atenções do Brasil”
    O primeiro homem que beijá-la lá dentro será motivo de piada, pois, repito: a sociedade brasileira é homofóbica. E essa piada só ajudará a aumentar o preconceito já existente.
    A sociedade quer assistir ao BBB justamente para ver quem vai ser o primeiro cara que beijará Ariadna, aquele que será o motivo das ‘chacotas’ que reproduzirão o preconceito. O fato de as pessoas acharem graça nisso pode ser indicado também como mais uma pista de que o preconceito se encontra plenamente em voga hodiernamente.

    A verdadeira evolução poderia começar com a legalização do matrimônio civil gay ou com a aprovação da lei que criminaliza a homofobia.
    A verdadeira luta contra o preconceito começa dessa forma ; e não colocando uma transexual no BBB e usando-a como um boneco de diversão dos telespectadores da Globo.

    • devir Diz:

      Tente ultrapassar o caso especifico da Ariadna. Eu não estou me referindo simplesmente ao caso dela, e sim à questão global da transexualidade e o problema do “dizer”.

      As questões que trago são complexas: 1. o transexual tem a obrigação de dizer que nasceu de um sexo biologico diferente, depois que fez a operação e é dificil detectar algo sem que a propria pessoa diga? 2. se o “Dizer” carrega consigo uma ética, qual o momento adequado para dizer? 3. por que outras coisas não demandam declaração, mas esta em especifico demanda?

      E se um homem que beija-la for motivo de piada, isso é um problema moral dos piadistas, e não do homem, nem da Ariadna. A deficiência moral é de quem fez a piada.

      De resto, apesar de questionar seriamente a ética do BBB, vejo nisso tudo uma oportunidade para trazer a questão transexual à baila. Uma oportunidade para “falar sobre” e esclarecer grande parte da população.


  42. Antes de tudo quero dizer que gostei muito do blog. Apesar de ter cursado a mesma disciplina (utopia e realismo) este semestre, só fui descobrir isto aqui agora pelo blog do Elias Mendes. Já tinha sempre apreciado suas intervenções nas aulas e os posts na página da disciplina; achar este aqui foi uma grata surpresa.

    Venho, pelo mesmo motivo, pensando bastante sobre o assunto, e, como o Felippe, acima, só tenho algumas “arestas” de divergência contigo e, por outros caminhos, convergência com ele. Digo isto pra tentar deixar claro que

    O gênero é uma questão da mente, mas no sentido de ser uma questão social (de mentes vivendo em coletividade). A partir daí quero dizer que suas analogias com a cirurgia do emagrecimento ou com o implante no queixo não podem ser consideradas totalmente pertinentes, porque nenhuma delas tem a ver diretamente com a identidade de gênero em si (ou, no máximo, tem muito pouco a ver). Ser mais ou menos magra não torna, perante à sociedade e seus critérios de gênero e, por tabela, até certo ponto, perante cada um de seus membros, “menos” mulher; ter nascido homem e se tornado mulher o faz, o mesmo valendo para a situação inversa e para diversos outros pequenos exemplos, como por exemplo dificuldades de ereção, um histórico de homossexualidade, etc..

    Há toda uma construção da ideia de “autenticidade” de gênero: homem “de verdade” (ou “bem-feito”, para usar o termo do comercial) e mulher “de verdade”. Espera-se do homem “de verdade”, p ex, que seja viril em diversos sentidos, que vão desde a fertilidade e tendência à poligamia à força física e abertura de latas de azeitona, passando pela barba e pelas cantadas de pedreiro. Estas noções mudam muito de sociedade para sociedade, mas isto não diminui em nada sua força, e não corresponder a estas expectativas, não importa com quanta legitimidade, costuma custar caro, especialmente quando não se corresponde às expectativas do parceiro ou cônjuge.

    Pensar que estamos “imunes” a este tipo de construção social também seria quase tão ingênuo quanto pensar que podemos nos colocar à parte e acima da sociedade para julgá-la. Na verdade foram estas mesmas noções, socialmente construídas, que engendraram nossas próprias noçoes acerca de nosso papel de gênero – o que é válido inclusive, e especialmente para, os transgêneros, que jamais se sentiriam inadequados se tivessem simplesmente construído sua ideia de gênero a partir do nada, e não sob a inescapável influência dos estereótipos sociais. Seria muito ingênuo achar que se pode ser transgênero, em nossa época e país, sem enfrentar duras consequências (ainda que injustas), e depois se surpreender com elas. Não é razoável ou justo esperar, que dirá exigir, que qualquer membro da sociedade simplesmente apague tudo isto da sua cabeça e trate Ariadna Thalia como “uma mulher como qualquer outra”, quando toda a imagem de gênero que construímos vai no sentido de considerá-la “inautêntica”, taxando todos aqueles que não se enquadrem nesta expectativa de “ignorantes” (o tão mal compreendido “preconceito às avessas”), para a seguir pretender ignorá-los. Seria tentar passar por cima da realidade – realidade social, mas precisamente por isso a realidade que mais interessa.

    Além disso, dizer que o gênero é um fenômeno mental/social não significa dizer que ele não encontra barreiras naturais. Sobre isso, Monty Python falou melhor que nós http://www.youtube.com/watch?v=C23mCQvJ8I4.

    Não quero com isso tentar provar que não devemos tentar alterar nossas noções de gênero, nos despir de preconceitos, etc., o que por sua vez seria um incentivo bastante desprezível à apatia, mas somente apontar o que me parece um erro em sua argumentação.

    • devir Diz:

      Heitor, entendo o que você diz, mas eu parto da firme motivação de que saltos de consciência são possíveis. Se eu partir da tolerância em relação às limitações de entendimento dos outros, me sentirei abaixo do que posso fazer. O que eu não acho nem razoável e nem justo é tolerar que se trate Ariadna ou qualquer transexual como mulheres de segunda classe. Esses preconceitos são aprendidos e, considerando que as pessoas são minimamente inteligentes, elas podem aprender outras coisas melhores.

      Acho que lembro de você, da turma de Utopia e Realismo. Bem vindo!

    • Felippe Mendonça Diz:

      Excelente!
      Conseguiu exprimir de forma bem mais clara o que tentei dizer.
      Parabéns!
      Fiquei pensando essa noite a respeito da frase de Ricoeur “Nada é mais intolerável do que a intolerância absoluta”, reproduzida por Alexey. Apesar de ser uma lógica compreensível, discordo. Me pauto em alguém mais “clichê”: Gandhi.
      Estou tentando desenvolver junto com um amigo uma adaptação do filme “a onda” para o teatro.
      A leitura de Hannah Arendt tb me influencia.
      Tudo me leva a tolerar pessoas que são falhas por natureza.
      E a vida realmente ensina, como prega meu orientador.
      No orkut tem uma comunidade sobre o filme a onda. Quem criou a comunidade e boa parte dos membros são fascistas. Eles conseguem enxergar no filme uma justificativa para seu fascismo. (algo com o que estou me preocupando para fazer a adaptação)
      Muitos encontram a justificativa para o ódio e o preconceito em textos religiosos que pregam a paz e o amor….
      enfim…. por mais difícil que seja, somente com paciência é possível iluminar alguns caminhos.
      abraços

      • devir Diz:

        Entendo o que você diz, Felippe, mas não se esqueça de que a própria tolerância, por si mesma, guarda em seu rastro um teorzinho de superioridade sobre o tolerado. Toleramos e temos condescendência em relação a pessoas que encaramos como sendo de entendimento inferior. Digo isso porque acreditar na tolerância como uma virtude a priori é cair numa armadilha.

        Mas eu entendo o caminho dos tolerantes, e acho que é uma via possivel e funcional. Discordo, entretanto, de sua última frase: “somente com a paciência é possivel iluminar alguns caminhos”. A impaciência e a impiedade também iluminam. No sentido das virtudes, concordo mais com Maquiavel do que com o cristianismo. Para o cristianismo, existem virtudes que são sempre virtudes, a priori. Para Maquiavel, não. O que determina se uma coisa é ou não é virtude é a qualidade do momento. Há momentos em que palavrões são mais virtuosos do que palavras doces [que ocultam, para uma olhar mais atento, o sentimento de superioridade].

        Abraços.

      • Felippe Mendonça Diz:

        é…. quando digo “alguns caminhos” é exatamente no sentido de ser uma parte, não o todo. Ou seja, concordo com você em relação a capacidade de iluminação pela impaciência e impiedade, mas não é uma receita pronta que gera o resultado sempre. Por isso digo que, em alguns caso, melhor deixar a vida ensinar e tão somente tolerar o ignorante.
        Veja que a tolerância aqui tratada é exatamente às pessoas que nós já partimos de um pressuposto de serem ignorantes por serem preconceituosas, portanto não é o caso da armadilha da tolerância prepotente.
        Esse seria o caso da tolerância à supostos preconceituosos, ou seja, tratar um indivíduo como preconceituoso sem conhecê-lo, sem saber quais são seus preconceitos, seus motivos etc.
        Um fato importante é que o que estou pregando é um vetor dos meus atos, mas ainda não são totalmente condizentes. (isso beira a hipocrisia, mas não é, pois reconheço minha falha)
        Na prática sou mais intolerante do que desejo ser. Tenho mais impaciência do que pretendo ter.
        É um conflito interno meu.
        Na comunidade do filme a onda só faltou chamar um menino que defendeu o fascismo de burro…
        Mandei estudar, claro. rsss
        abraços

  43. devir Diz:

    Em tempo: a quem se interessar pelo assunto, recomendo muito que vejam este documentário que passou na BBC.

    PARTE 1

    PARTE 2

    PARTE 3

  44. devir Diz:

    Sobre Ariadna e seu “segredo”, me parece que ela está simplesmente criando o campo para contar.

    Já se confidenciou com um dos participantes, já disse que toma hormônios porque tem um problema sério com que tem que lidar para o resto da vida… Me parece que ela está preparando a turma.

  45. Nicky Diz:

    Foi um tanto exagerado a parte da cantora Brega ao se tratar da cantora latina Thalia que conseguiu alcançar recordes de vendas acima das outras demias latinas como J.lo e Shakira!
    Estou aqui para izer sinceremanete que nada tenho contra a tal Ariadna se ela quer ser vista como mulher ja a vejo sim…..

    bj

    e gostei do texto parabens…

  46. renany Diz:

    Não acho que ela tenha obrigação civil de contar mas moral existe sim, como já foi dito a pessoa que eventualmente se envolver com ela tem que saber e aceitar se quiser. Afinal lá dentro poucos sabem, mas fora todo o Brasil é ciente de que ariadna já foi homem e no final de tudo todos vão saber. Na minha opinião é muito mais uma questão moral do que civil. Acho que cada um tem o direito de fazer o que acha melhor pra si e admiro a ariadna por ter tido coragem de passar por uma cirurgia tão delicada, num pais distante, como a propria disse , sozinha. sou bigbrother maníaca e acho que omitir um detalhe desses pode prejudica-la no jogo. E na vida o importante é se assumir, é ter coragem, pois quem tem medo, fica em casa.

  47. Felipe Diz:

    Já disse até ter sido garota de programa. Já é sabido pelo pessoal da casa a verdade sobre ela. Espero apenas que não se esqueçam do relacionamento antes da “revelação” e que isto não o faça mudar.

  48. marina lima Diz:

    olá.Gostei muito do seu post.Excelente, sensato, inteligente, com argumentos.Sou uma mulher heterosexual que passou por um processo de adequação genital e tem os documentos retificados(sexo feminino).Não condeno e compreendo a situação da Ariadna, se ela não quer contar, que não conte.Se algum homem beijá-la sorte dele, ela é linda,mas se discordam de mim, eles assinaram contrato com a globo e existem regras do que pode e do que não pode.Eu se eu fosse num programa desses.disse EU, chegaria a todos e diria:” oi pessoal, momento que quero falar, meu nome é tal, quero contar pra todos voces que eu passei por um processo transexualizador que já findou, ou não.Mas estou contando pra ninguém depois lá fora dizer que se soubesse de mim jamais ficaria comigo, conversaria comigo ,etc etc e tal.Mas não estou pedindo a benção de vcs, não estou pedindo aprovação de vcs.Não estou contando pra ser aceita por vcs,não sou fruta de final de feira pra ser aceita… porque na minha opinião, ninguem é melhor que ninguem.Mas gostaria de dizer pra vcs, que mais que isso, sou Ser Humano,cheia de defeitos, sou cidadã, tenho caráter.Sou formada em história ,sou concursada(dois concursos).Sou diretora de um colegio estadual que atende mais de 1800 alunos, fui eleita diretamente por alunos e pais de alunos, evangelicos, católicos ,ateus… e é dever deles olharem pelo meu trabalho.Pois minha vida privada só diz respeito a mim e a meu esposo. E se vai sair alguma coisa lá fora a mesu respeito não me incomodo pois não há nada que me desabone.O que eles vão descobri é que nasci e cresci em favelas, passei fome, fui discriminada.Mas isso me fortaleceu ,ah outra coisa, eu dei um depoimento pra novela viver a vida falando como a educação mudou a minha vida e não mencionei a transexualidade.Motivo? porque eu não quis e pronto. e se algum de vcs tiver algum tipo de preconceito, o problema é seu e não meu.Me passa o pão, por favor.

  49. Mayra Gonçalves Diz:

    “devir Diz:

    janeiro 14, 2011 às 1:04 am
    Não existe nada na lei que afirme que um transexual TEM que falar que se submeteu a uma cirurgia de readequação sexual. Ela não lesa ninguém ao não dizer. Também acho que ela PODE dizer, e até estimularia que ela dissesse, mas este “TEM que dizer” está errado. Eu não tenho a obrigação de relatar as doenças que já tive quando começo um namoro, por que ela tem que relatar as doenças que já teve? Repito: ela diz SE ela quiser.

    E se um cara gostou dela, sentiu tesão, ficou a fim, se apaixonou e não quer ficar com ela só porque ela FOI homem, ele é um babaca.”

    Só tome cuidado ao chamar a transexualidade de doença. Daí vira transexualismo e seu argumento acaba incutindo um outro preconceito com os transexuais.

    Abraço.

  50. Joao da Silva Diz:

    Discordo da comparação entre a revelação da transsexual e a ex-obesa mórbida, pelo simples fato de estarmos lidando com diferenças de gênero. Imagine eu chupando a minha namorada, sem saber que estou chupando um lábio que já foi saco de homem. Tem que dizer sim, se não quem vai ter problema de cabeça não é a trans, é o cara que chupou saco sem saber onde estava se metendo.

    • devir Diz:

      Perai, vamos lá: gênero não é o mesmo que sexo biológico.

      O gênero deriva da mente, o sexo biológico tem a ver com o corpo. Acho que você quis dizer “diferenças biológicas”, já que um transexual “de masculino pra feminino” tem gênero feminino num corpo masculino.

      A ideia de chupar uma vulva sem saber que ela já foi um saco escrotal é engraçada, mas veja você: existe alguma diferença efetiva nas células que compõem um saco escrotal e uma vulva? A diferença, meu velho, está na FORMA. E a forma de uma vulva nem de longe é a forma de um saco escrotal. Considerando que tem muita transexual pelo mundo que não diz que é, quem garante que tu nunca chupou uma sem saber? Recebo depoimento de INCONTAVEIS garotas que não contam que nasceram homens e, honestamente, nenhum homem percebe quando transa com elas.

      Cá entre nós… se tu estivesse com uma namorada, apaixonado, até amando, fosse um amor de pessoa, uma menina cheia de virtudes, você terminaria com ela ao descobrir que ela nasceu homem? Seja sincero.

      • Felippe Mendonça Diz:

        ahahaha
        Imagina se fosse a Talula, absurdamente linda… queria ver se, sendo namorado dela, descobrisse ser transexual rsss
        tinha uma que transitava pela noite paulista (quando lembrar o nome dela posto) que era do “naipe” da Talula.
        Fazia sucesso por estar sempre rodeada de homens e deixar para última hora a notícia de que era travesti (depois operou). E era na última hora mesmo.


  51. ariadna vc e linda os comentarois te chingando e imveja !!! e so vc nao dar confiança !!! nao gostei q vc saiu por min sairia o falso do lucival !!! por isso nao vejo mais big broder por que o programa pra min acabol depois q vc saiu !!! apesar de vc ser transexual vc e de maissssssssssssssssss !!! torsso por vc !!! bjosssssssssss !!!!

  52. Felippe Mendonça Diz:

    Enquanto isso, na Argentina…
    http://diversao.terra.com.br/tv/noticias/0,,OI4876054-EI12993,00-Gala+do+Big+Brother+Argentina+e+mulher+e+quer+mudar+de+sexo.html

  53. Junio Diz:

    Discordo, quando vc diz que ela não tem dever de dizer que é trans à alguém que simplesmente vá beijar.
    Pelo seguinte, isso não é apenas uma diferença estética para os héteros, como já foi dito acima.
    Mas o problema que vejo, não é esse. Eu diria que o que falta é respeito, tanto por parte dos que tem preconceito aos homossexuais, quanto dos homossexuais que tentam através de uma cirurgia passarem-se por heterossexuais (isso é até contraditório pra mim).
    O que deveria existir é a sinceridade por parte de todos, e uma política de esclarecimento para que as pessoas possam tolerar-se mais.
    Existe gosto pra tudo, o problema é que a tolerância está em falta. E quando uma pessoa se ve obrigada a aceitar alguma coisa que considera uma abominação a resposta é violenta.
    Eu não namoraria nem beijaria um homossexual, mas nem por isso desejo vê-lo morto. Porém, ficaria muito irritado se isso me fosse omitido.
    E também o que essa pessoa perderia dizendo que é trans??
    E quanto ao transtorno sofrido por dizer que é trans, isso me parece falso, não consigo perceber a diferença entre saber que é e, dizer que é?
    E por favor, não desqualifique os homofóficos chamando-os de imbecis ou qualquer outra coisa do gênero que você se torna um deles, pelo ao menos pra mim. E mesmo que eles fossem imbecis não deveriam aceitar os homossexuais porque o seu argumento é melhor, aliás, acho que diriam o mesmo de vc.

    • devir Diz:

      Quanta confusão, meu amigo… Mas vamos lá:

      1. Que história é esse de que um transexual é um homossexual que quer se passar por heterossexual? De onde você tirou isso?

      É muito mais fácil para uma pessoa homossexual manter-se em seu próprio corpo biológico, meu caro. Uma pessoa homossexual não quer ser do sexo oposto. Ela tem preferência pelo mesmo sexo, apenas isso. E uma pessoa homossexual quer se relacionar com outra pessoa do mesmo sexo mantendo seu sexo biológico.

      Uma pessoa transexual sofre de disforia de gênero. Ela não conseguiria se relacionar direito com alguém do mesmo sexo biológico, simplesmente porque ela não tem fantasias homossexuais. Ariadna não é homossexual. Por acaso ela passou por todas aquelas cirurgias para se relacionar com mulheres? Você está confundindo conceitos.

      Transexual é uma pessoa que nasce com a mente de um gênero, aprisionada no corpo do sexo biológico oposto. Trata-se de um defeito fisico.

      Repito a pergunta que fiz antes a outro cidadão: e se você descobrisse que a namorada que você ama de paixão nasceu num corpo masculino, você faria o que? Cobriria ela de porrada? Terminaria o namoro? Conta pra gente.

      2. Tem razão, homofóbicos não são imbecis. O termo “imbecil”, originalmente, é dado para pessoas que sofrem de retardo, e elas não têm culpa disso. Peço desculpas às pessoas que sofrem de retardo. Homofóbicos não são imbecis, são cretinos mesmo.

      • Junio Diz:

        Bom, depois do que vc respondeu, eu só posso concluir que vc pensa que genero é definido geneticamente. Discordo disso, genero vc adquiri depois, nas suas relações sociais, penso que tem mais a ver com gosto do que com gene, mas não vou me alongar nisso, porque dá alguns anos de discussão filosófica.
        Então, desculpe-me se os nossos conceitos não conferem, mas para mim, homossexualismo tem a ver com sexo e sexo é lá da genética XX fêmea XY macho. Mas entendi o que vc disse.
        E o que eu tentei te dizer é que quando um macho procura uma fêmea é por que ele quer uma fêmea, e não um macho travestido de fêmea, e isso pode gerar conflitos, e por isso a necessidade de dizer o que vc é.
        E quanto a sua pergunta, terminaria o namoro e o processaria por se passar pelo que não é.
        E gostei de saber que um transexual não se relacionaria com alguém do mesmo genero (aparência), talvez parte dai a necesidade de esconder-se, pois não acredito que haja tantos héteros dispostos a se realcionar com transexuais.

      • devir Diz:

        Não, eu não disse que “gênero é definido geneticamente”, eu disse que o gênero está NA MENTE, e não no corpo. Pouco importa, na real, se o gênero já vem pronto quando nascemos ou se ele se constrói [a bem da verdade, há indicios muito bons para ambas as teorias, de modo que provavelmente as duas estão corretas - uma coisa não precisa excluir a outra].

        Sobre o lance do processo, você perderia, sinto muito. Não há jurisprudência no Brasil que sustente a alegação de “falsidade ideológica” para uma pessoa transexual [embora haja no exterior, e o cara perdeu]. Após se submeter à cirurgia transgenitalizante, a pessoa passa a ser reconhecida formalmente, oficialmente, como sendo do gênero que está em sua mente.

        De todo modo, eu sou favorável à declaração, ao assumir-se transexual, até porque poupa a pessoa do desgaste de se relacionar com gente que pensa como você. Não sou legal? :)

      • Felippe Mendonça Diz:

        uma resposta técnica, como advogado: provavelmente perderia o processo.
        Se sua namorada revelasse que é uma mulher que um dia já foi homem, você dificilmente teria êxito em um processo, pois se o Estado admite que a pessoa modifique seus documentos pessoais, admite que a pessoa efetivamente mudou de sexo, passando a ser, portanto, uma mulher, DEFINITIVAMENTE, nada obrigaria ela a te contar, senão normas de moral e ética.
        Um juiz de primeira instância poderia até lhe dar ganho de causa, mas em segunda instância acho que seria bastante difícil uma decisão judicial que exigisse de um transexual um dever inexistente em lei e que contraria algo já tutelado (a mudança dos documentos).
        Veja que isso não tem nada a ver com a relação de ética e moral que discutimos aqui.
        Concordo com o dever ético e acho que a Ariadna, por exemplo, saiu da casa exatamente por não contar a verdade.
        São coisas distintas.
        Dentro do debate, você, pelo visto, não admite a possibilidade da ciência modificar o sexo de uma pessoa. Entende que mesmo após a operação o homem continua sendo um homem, só que com vagina, e uma mulher continua sendo uma mulher, só que com pinto. Por isso trata o transexual como homossexual. (eu costumo brincar que a ciência criou algo antes inexistente: ex-gays – exatamente pq entendo o contrário)
        Neste caso, estamos discutindo a toa, pois partimos de premissas completamente diferentes.
        Acredito que se você fosse das áreas científicas envolvidas, sofresse de disforia de gênero, ou tivesse um filho que sofresse, pensaria diferente.
        e em relação a terminar o namoro, acho que são coisas que só são possíveis de se prever quando acontecem de fato. A hipótese é vaga…. se vc tem a pessoa como o grande amor da sua vida, é uma, um namoro qualquer, é outra.
        Recomendo o filme “traídos pelo desejo”
        abraços

  54. Junio Diz:

    Bom, quanto ao processo deixo à quem é formado em direito explicar e enfim dar o veredito.
    Não sou formado em nenhuma área correlata às ciências humanas, mas queria deixar aqui o meu ponto de vista.
    E enfim chegamos a um concenso, o que eu queria deixar claro é justamente o que vc disse por último, ninguém, mas absolutamente ninguém deveria suportar por vontade alheia sofrimento de espécie alguma. E penso que só através da verdade é que poderemos escolher com quem nos relacionar sem surpresas desagradáveis, como por exemplo EU, não sou um cara legal, e peço desculpas por isso. Tenho a mania de pensar que o mundo seria muito melhor sem os ismos e ao invés disso tivessemos mais respeito uns com os outros, independente de sexo, genero, enfim, tudo o que nos faz odiar uns aos outros.
    Gostaria muito de entender porque é que existir e ter direito para ser da forma que quiser não é suficiente, tem que ser legitimado para valer a pena. Se o outro não disser que eu existo, eu deixo de existir?
    Deveríamos ser um poucos mais atentos e perceber que num mundo tão grande haja mais possibilidade de gosto do que a nossa, e nem por isso os outros são obrigados a nos aceitar como iguais, mas que precisamos conviver, e pra ser menos catastrófico que seja em paz. E imaginem só se tivermos que fazer lei pra proteger todo mundo, ou se todo mundo tiver que gostar de todo mundo, bom acho que ai vc vai ter que gostar de mim também, hein, kkkkk

    • devir Diz:

      Você perguntou: “Se o outro não disser que eu existo, eu deixo de existir?”

      Resposta: sim, você deixa.

      Se não há um reconhecimento social do seu direito à diferença, você não apenas “deixa de existir” num sentido simbólico. Transexuais e travestis são assassinados continuamente por pessoas que acham que “gente assim não deveria existir”.

      A lei não impõe que ninguém goste de ninguém. Mas tem que respeitar.

      • Junio Diz:

        Bom, já existe lei pra punir homicidio, se esse for o problema já está resolvido a muito tempo.
        E não se engane, quem odeia homo, trans, continuará odiando, e matando também.
        Disse bem, o que precisa haver é reconhecimento social e não ser afirmado por lei que vc existe. E quem não respeita não tem direito de exigir respeito.
        Encerro aqui a minha participação, no seu bolg.

        Boa noite!

      • devir Diz:

        Este argumento é o mesmo, sem nenhuma diferença, utilizado por aqueles que foram contra a criminalização do racismo no final do século XX. Alegavam que as leis vigentes já prevêem que violência fisica e moral é crime. Agora, diz-se o mesmo sobre a criminalização da discriminação por orientação sexual.

        Ocorre que, em nossa sociedade, se os pingos não são colocados direitinho sobre os is, dá-se margem a interpretações bizarras. Até mesmo por uma questão educacional, afirmar em lei que homofobia e racismo são CRIMES surte um efeito de esclarecimento.

        Eu venho de Salvador, e era adolescente nos anos 80. Eu me lembro perfeitamente do tipo de insulto ao qual pessoas de cor negra eram submetidas: macaco, preto, fedido etc. E isso EM SALVADOR, uma cidade negra! Apesar de assédio moral ser crime, não estava claro na mente das pessoas que xingar uma pessoa negra de “macaco” era crime. Com a lei do racismo, ficou claríssimo.

        Com a homofobia e a transfobia, não é diferente. O discurso predominante – preconizado pelo pa$tor Malafaia e Olavinho de Carvalho – alega que “homofobia” se resume a tentar matar homossexuais. Eles estão errados. O assédio moral, a humilhação, as ofensas, a insinuação ou declaração aberta de que tais seres são “doentes” é tão destrutivo quanto um assassinato. Imagine uma criança homossexual sendo chamada de “bicha, viado” desde cedo. Você acha que as outras crianças nasceram sabendo este tipo de ofensa, ou isso foi absorvido por conta da cultura homofóbica?

        Você diz que quem odeia homos e trans continuará a odiar e a matar. Sim, acredito nisso. Mas a partir do momento em que fica claro, por lei, que discriminação por orientação sexual ou identidade de gênero é crime, a sociedade começa a entender que isso é errado, e este tipo de gente que odeia tanto fica para trás, no limbo da história. A lei termina tendo uma função educacional. Ainda há racismo no Brasil, por exemplo, mas pelo menos agora está claro para as pessoas que isso é errado. No que concerne à homofobia e à transfobia, isso ainda não está claro – principalmente quando temos a Biblia, que diz com tanta clareza que homossexuais e travestis devem ser apedrejados até a morte. Leia o Deuteronômio, este livro faz as obras clássicas de Stephen King, o mestre do horror, parecerem contos infantis…

    • Felippe Mendonça Diz:

      lutamos, como já disse há alguns posts atrás, não por igualdades, mas por respeito aos desiguais e suas diversidades.
      Achei interessante um discurso de tolerância à diversidade (própria, no caso) posterior ao discurso de intolerância com a diversidade alheia.
      Em posts anteriores discutíamos a necessidade de respeito a todos, mesmo a aqueles que não respeitam os outros.
      Nem acho que seja seu caso, pois não gostar não é um desrespeito, ainda mais sendo, como todos, fruto de uma sociedade preconceituosa.
      Mas releia o que escreveu pensando se não se aplica exatamente a você.
      tb lutamos contra os “ismos” e todas as ideologias que dominam a mente humana e fazem com que pessoas entrem em linhas de pensamento acreditando lutar pelo bem, mas aniquilando as minorias.
      O atual “salvador da pátria”, uma pessoa que adora seus privilégios e seu grupo de privilegiados, é adorado por uma multidão que acredita que suas pregações sejam algo “do bem” e que seus opositores sejam inimigos a serem exterminados.
      A mesma história do nazismo, do fascismo e do stalinismo, mas brasileiro não gosta de história e é difícil lutar contra essa natureza humana.
      democracia não é o governo da maioria. A maioria sustenta qualquer forma de governo. Democracia é o governo do povo, pelo povo e para o povo, com OBSERVÂNCIA da vontade CONSCIENTE da maioria e RESPEITO aos direitos fundamentais das minorias.
      Assim, o que diferencia a democracia do totalitarismo (que hipócritas, demagogos e desavisados chamam de “democracia popular”) é a defesa dos direitos fundamentais das minorias. Pois a ditadura da maioria não é menos perigosa do que a das minorias. Vivemos a prova disso em nossa história atual. Viva nossa ditadura de um povo que se sente num estado democrático, mas não percebe o quanto está distante e afastado da política e o quanto está a mercê da classe privilegiada.
      abraços

  55. edmundodantê Diz:

    Apoio sua visão humanista e ética.Mas algo q me incomoda no BBB é a ditadura da maioria, afinal se é um programa dirigido a ter a maior audiencia possivel, é claro q todos os participantes representantes de minorias serão eliminados.O BBB é até cruel neste ponto.Vence quem é mais bonzinho… quem é mais normal.


  56. Aos quase sessenta, ainda sou virgem de BBB e como estava ocupada com voluntariado junto a Cruz Vermelha, nem fiquei sabendo dessa questão. Não saberia argumentar, pois sou mais emoção do que razão, mas achei seu texto impecável, de uma argumentação perfeita e concordo plenamente. Esperar que alguem se apresente sobre seu passado é ridículo, eu não sou mais hoje o que fui aos vinte: seria como esperar que alguem se apresentasse na balada dizendo “sou ( ou fui) galinha” , ” sou( ou fui ) irresponsável nos meus relacionamentos” ? Ou qualquer outra coisa ” Olha, eu já fiz aborto” .Dizer que causa constrangimento beijar/ficar com alguem sem saber do passado, quando este vier à tona, seria realmente a mesma coisa de ter, por exemplo, beijado parceiro casado sem o saber, quando sua moral impede isso; quanto a ser em “rede nacional” convenhamos, quem está lá é para que mesmo ?

  57. edmundodantê Diz:

    A moral cristã,evangélica, universal,olavete prega o amor incodicional de Jesus.Mas sob a condição de q vc não seja pecador…Mas q pecado cometeu Ariadna Thalia ?

    • devir Diz:

      Para os cristãos, o pecado de não aceitar as imposições biológicas de seu nascimento com aspecto masculino. Há várias passagens biblicas que condenam o ato de um homem se vestir de mulher. Evidentemente, este dogma parte do pressuposto de que o que determina o gênero é o corpo, e não a mente. Deste modo, não há diálogo possivel com o cristianismo.

      • Felippe Mendonça Diz:

        Vc está generalizando e discriminando um grupo religioso.
        Cuidado.
        Nada mais anti-democrático do que querer afastar dos debates pessoas que têm argumentos religiosos.
        O estado é laico, não ateu, pois ateísmo também é escolha religiosa. Ser laico significa que não tomará uma escolha religiosa como certa e as demais como erradas. Significa permitir e fomentar a participação religiosa.
        Os dogmas cristãos são variados e suas leituras múltiplas.
        Partir de um pressuposto de que não seja possível dialogar com o cristianismo, por existir a possibilidade do cristão ter o transexualismo como um pecado é infinitamente ior do que ter preconceitos contra os transexuais.
        Observação: sou agnóstico e luto pela democracia. Uma das minhas maiores lutas estão pela manipulação ditatorial atual que tenta afastar os religiosos, dentro do autoritarismo da corja privilegiada que está no poder.
        O debate sobre o aborto é o exemplo clássico. Querem impedir que argumentos religiosos sejam utilizados como se fosse indesejáveis no debate democrático.
        Na democracia não existe argumento indesejável, nem grupo que não possa se manifestar.
        abraços

      • devir Diz:

        Eu já acho que você está sendo por demais condescendente, Felippe.

        Você está certo ao dizer que o Estado é laico, e não ateu. Justamente por isso, é inadmissível que, em qualquer debate, sejam tolerados argumentos que se dêem pela via da suposta revelação. Dizer que a homossexualidade ou a transexualidade é um pecado, que é errada ou abominável a partir do viés do discurso biblico inviabiliza totalmente a discussão, pois o único argumento possivel é que aquela é “a palavra de Deus”. Não existe possibilidade de debate quando o meu interlocutor parte do pressuposto de que ele possui informação privilegiada enviada por Deus.

        O debate sobre o aborto, por exemplo, pode perfeitamente ser realizado com posicionamentos contra e posicionamentos a favor a partir de pressupostos totalmente laicos. Você pode, por exemplo, evocar o imperativo categórico kantiano para se posicionar contra o aborto.

        Já um debate que envolva a homossexualidade, por exemplo, não tem argumento algum que possa sustentar – de forma laica – que tal preferência seja “errada”.

        Se “impedir argumentos” implica em criminalizar o discurso religioso que classifica homossexuais e transexuais como “possuidos pelo demônio”, não tenho problema nenhum com esta criminalização. Qualquer proximidade com casos reais de crianças e adolescentes que se suicidaram em decorrência deste tipo de discurso me faz não ter recalque algum em afirmar: alguns discursos são intoleráveis e criminosos.

        Mas se o discurso se limita a alegar “pecado”, tudo bem. Quase tudo é pecado mesmo… Refiro-me a pontos especificos do discurso religioso, que demonizam minorias. Tolerar isso é ser por demais condescendente. Por que não voltamos a dizer que negros não têm alma e que não são humanos e sim “semoventes”? Este era o discurso preconizado pelos cristãos no século XIX. Deveriamos tolerar isso também?

  58. Felippe Mendonça Diz:

    o teclado do netbook é uma desgraça… várias letras faltando…. pior quando é o “s”, fazendo com que pareça que não sei plural.
    rsss

    Uma observação necessária:
    Quando digo que o estado democrático laico tem que permitir e fomentar todas as religiões a participarem do debate, digo pois não é possível inibir a religião (sob pena de deixar de ser laico) e deve fomentar a participação de TODOS os grupos existentes na sociedade.
    abraços

  59. Felippe Mendonça Diz:

    repito: afastar o argumento religioso é anti-democrático.
    Negá-lo dizendo ser ele quem se vê como suposto superior somente inverte a posição de quem se acha superior.
    Discordar do argumento religioso é diferente de tentar calá-lo, fazer com que não seja escutado, ou desqualificá-lo.
    É típico de ditaduras desqualificar argumentos e fontes de informação. Vide o que a atual faz com os meios de imprensa que se oponham.
    Só quem qualifica suas fontes é o próprio receptor, inclusive as fontes religiosas.
    Me desculpe mas acho que você não chegará a lugar algum tentando impor posicionamento.
    Ao afastar um grupo de um debate, o ato é de imposição.
    Isso não é condenscedência.
    Eu luto pela democracia. E nessa democracia as vozes discordantes também podem ecoar.
    A base anti-democrata é a que luta contra isso.
    E se a verdade deles é pautada em um argumento ao qual você discorde, aprenda a tolerá-lo, pois você não pode julgar errado ter religião. Muito menos afastar um grupo de um debate por discordar de seus argumentos.
    Não acho possível supor que as minhas verdades sejam mais corretas do que as verdades de outros. Passo eu a ser o ignorante se apenas abomino o debatedor a quem discordo.

    • Felippe Mendonça Diz:

      Importante frisar que o discurso de ódio e que prega violência é errado e deve ser criminalizado independentemente de sua fonte, seja religiosa, seja política ideológica, seja qual for.
      Quando vc generaliza o argumento religioso por aquele que prega o apredejamento e assim lhe afasta, de forma geral, dizendo ser impossível aceitar o debate religioso, comente, ao meu ver, o mesmo erro que combate quando feito por outros contra o que você defende.
      Pq acha que é menos insuportável ao religioso se sentir excluído do que é a um homosexual?
      Então não exclua.
      A democracia é exatamente o meio de se deliberar sobre os assuntos necessários.
      Algumas pessoas vão discordar, seja lá por qual motivo for, mas isso não lhes exclui da democracia.
      E democracia não manda calar, manda falar.
      O resultado final é que importa. E esse resultado final após boa deliberação só será positivo se todas as vozes tenham sido livres.
      Esses são os motivos pelo qual eu luto contra o populismo do Lulla e os ideias totalitários da Dilma.
      Acabo sendo taxado de psdebista* pq eles não debatem, apenas desqualificam os oponentes. Pior, pregam o ódio a quem discorde da ditadura petista.
      Veja que são assuntos necessariamente interligados, por isso insisto na relação.
      abraços

      *eu prego a falência do sistema partidário, portanto não sou psdebista.

      • devir Diz:

        Mas quem disse que eu pretendo chegar a algum lugar, Felippe? Nem eu chegarei, nem a humanidade chegará: duvido. Não sou utopista. Estamos indo para lugar nenhum, meu caro. O máximo que podemos fazer é amenizar um pouco do sofrimento que existe neste mundo.

        Eu vou passar, você vai passar, as religiões continuarão a existir e o homem continuará a fazer mal ao homem. O fim da infância talvez chegue tarde demais. E, quer saber? O universo não sentirá a menor falta de nosso barulho.

        Sinceramente, acho fácil vir com este discurso de tolerância a partir do lugar que você mesmo diz que ocupa. Queria ver se você fosse ou tivesse um parente homossexual ou transexual, ou se negro fosse, se você teria esta mesma tolerância com o discurso religioso que está por detrás de tanta agressão moral. Mas você diz que o discurso de ódio e que prega a violência deve ser criminalizado. Ótimo, é o mesmo que digo, então concordamos. Não estou “censurando” a existência de religiões. As pessoas acreditam no que elas quiserem, ou não acreditam em nada, se não quiserem. Estou falando especificamente do discurso religioso que prega o ódio: simples assim. ESTE discurso é intolerável.
        E ainda bem que você concorda, pois acharia muito estranho alguém dizer que se interesse pelos Direitos Humanos, tolerando isso:

        Ou este asqueroso abuso infantil:

        Vai tentar dialogar com ele:

        http://juliosevero.blogspot.com/

        O discurso da tolerância religiosa só é possível em paises em que a religião se tornou mitigada – caso exato do Brasil, onde os crentes de qualquer religião não são tão crentes assim, e selecionam as partes das crenças que lhes interessam. Ou seja, dá pra falar em tolerância religiosa porque estas religiões perderam sua força e seus dogmas não são levados tão a sério. Porque, Felippe, quem leva a própria religião a sério, mas a sério MESMO, com este tipo de pessoa não há diálogo possivel. Quando você fala em gente religiosa, deve estar pensando no crente brasileiro, que tem filho gay e suspira. Eu estou pensando no crente DE VERDADE, no crente intenso, aquele cuja religião não se mitigou.

  60. Felippe Mendonça Diz:

    Chegamos ao ponto do debate que não é mais produtivo seguir.
    A colocação de que minha situação faz com que eu seja tolerante, usada como se fosse argumento, é limítrofe.
    Idêntica aos que dizem que por não ter vivido a ditadura não sei o que seja, tentando defender a atual.
    Ao menos você “desgeneralizou” o que antes estava generalizando em relação aos religiosos.
    Já é algo positivo.
    De resto, espero que o tempo mostre que nossos preconceitos não são menos piores ou mais toleráveis que os preconceitos dos outros…
    Alias, há anos vejo os meus como capas que sigo despindo pelo caminho.
    Uma delas, sou noivo de uma crente. Momento em que passei a observar e repensar um pouco meus pensamentos e minhas atitudes diante de religiosos.
    A vida me ensinando a respeitar, pois nunca fui desrespeitado dentro do ambiente dela, mesmo todos sabendo meus posicionamentos.
    abraços

    • devir Diz:

      Colocação limitrofe? Não acho, acho bem procedente. Você utilizou o mesmo argumento um pouco atrás nessa discussão, quando o rapaz disse que processaria a namorada se descobrisse que ela é transexual, adicionando que algumas coisas só é possível dizer na prática. E ainda acrescentou que se ele tivesse entes queridos transexuais, pensaria diferente.

      A questão é, portanto, relevante, e não é um argumento, é uma suspeita, passível de ser aplicada a qualquer pessoa: você, eu, ninguém está imune.

      Nossos discursos se dão a partir de um lugar real ou de um lugar teórico? Você teria tolerância se tivesse um filho gay e o pastor pentecostal ou a freira católica dissessem em aula que a preferência homossexual é uma doença e seu filho tentasse suicidio? Note que este tipo de discurso não configura incitação ao ódio, é “apenas opinião” [sem nenhum fundamento clinico, mas é opinião!].

      Também tenho amigos crentes, mas eles não são “tão crentes” assim. Crente que faz seleção mental e “apaga” os trechos da Biblia que são pavorosos porque no fundo não concorda com eles, pode até não perceber, mas não é tão crente assim.

      De resto, concordo que não é produtivo prosseguir. Como eu disse antes, nosso barulho não muda nada e o sol continua a nascer e a se pôr no mesmo lugar, a vida prossegue seu caminho e as coisas são como foram feitas. Se você tem o discurso da tolerância a ofertar ao mundo, tá beleza. O meu, não. O meu é o discurso da indignação. Cumpra sua parte que eu cumpro a minha :)

  61. Fernando Diz:

    De arrepiar…

    Parabéns!!!

    O mundo precisa de pessoas assim…


  62. travesti , transexual é nada mais que um homem gay que decide se vestir como mulher por admira-las e os trans como vcs dizem vão mais alem decide se desfazer dos seus penis para ficar mais parecidos com mulher, mais nunca serão mulheres e um mulher que se travesti de homem e muda o sexo jamais será homem, mais a mente humana comanda o corpo se a Ariadna se sente mulher e então ela é mulher porque contrariar um pensamento dela, ela tem direito de se sentir mulher, um homem pode se vestir de coelho, olha o exemplo de Inri cristo aquele que se diz que é Jesus cristo ele tem muita conficção que é jesus, ele se veste com jesus, ele mudou a aparencia e o sotaque para ficar como jesus , mais isso não faz dele jesus, mais na mente dele ele é cristo e se sente cristo e é um direito dele, respeitar o desejo de cada é um dever .

  63. lucas Diz:

    um homem vestido de coelho não é um coelho

    um cachorro fantasiado de yoda não é o yoda

    um homem fantasia de urso não é um urso

    UM HOMEM VESTIDO DE MULHER NÃO É UMA MULHER !!!

  64. Paulo Campos Diz:

    Bravo!


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