A Marcha do Estado Laico
No próximo dia 21 de agosto, domingo, ocorrerá em São Paulo a Marcha do Estado Laico, na Avenida Paulista.
Algumas pessoas podem questionar qual o sentido e importância desta marcha, afinal o Brasil é – segundo consta – um Estado Laico. Por que então pleitear algo que já é real?
Eis o ponto: a laicidade em nosso país é um fato, mas muitos políticos andam esquecendo disso. Valem-se de argumentos religiosos para propor ou vetar leis e projetos. Esta marcha é para lembrar a estes senhores que eles não estão sendo pagos para trabalhar por uma seita religiosa, seja ela qual for. Eles estão sendo pagos para trabalhar por um PAÍS. Um país de católicos, espíritas, umbandistas, evangélicos, budistas, hinduistas, muçulmanos, espiritualistas e também um país de quem escolheu não ter religião alguma.
Estado Laico não é Estado ateu, como alguns confundem. A religião e a religiosidade fazem parte das tradições do Brasil, e isso deve ser respeitado. Não propomos uma marcha para agredir religiões, muito pelo contrário. O Estado Laico é a garantia de que você PODE escolher a sua religião, ao invés de ser obrigado a seguir algo que lhe imponham [incluindo os preceitos].
Infelizmente não poderei participar da Marcha, pois estou fora do país. Mas amo meu país e acredito que seja importante RELEMBRAR os ideais da laicidade, principalmente um: é perfeitamente possível defender idéias se valendo unicamente da razão, sem apelar para argumentos de terror religioso que segregam quem escolhe não fazer parte desta ou daquela seita. Por acreditar nisso, não apenas doei dinheiro para a realização deste evento, como também o estou divulgando.
A Marcha NÃO tem vinculações partidárias e está sendo organizada por um grupo de cidadãos que possuem as mais diferentes preferências políticas e religiosas. Os organizadores são: Rodrigo Cruz, André Baliera, Marcelo Gerald, Marlon Mutton, Sacha Kontic, Thiago Cóstackz. Entidades religiosas confirmaram presença no evento, demonstrando terem compreendido o objetivo da Marcha. Reforçar a separação entre Estado e religião não é desrespeitar a religião. Ao contrário! É garantir que nosso país não seja dominado por discursos totalitários e por uma política feita por fanáticos.
Esta Marcha demanda CUSTOS, que não são poucos, pois não se pretende fazer uma marcha amadora, e sim algo muito bem organizado e com estrutura: carro de som, faixas, cartazes, balão com gás hélio. Por isso, a organização criou uma vaquinha. Assim, as pessoas podem doar, ainda que pouco, a fim de que o evento seja realizado. Todos os gastos serão postados na página do evento no Facebook, e um eventual excedente será guardado para doação para grupo ou instituição que se disponha a defender os mesmos princípios de separação entre Estado e religião. E – por que não? – a realização de outra marcha do gênero em outra cidade.
Caso você possa e queira ajudar, segue o link para a vaquinha da Marcha:
http://www.vakinha.com.br/VaquinhaP.aspx?e=104083
Caso não possa contribuir, mas queira ajudar, pode fazê-lo de duas formas:
1. Aparecendo na Marcha, caso more ou esteja em São Paulo no domingo, 21 de agosto.
2. Divulgando o link para a vaquinha.
Grato pela atenção,
Alexey Dodsworth
[mestrando em Filosofia Política pela Universidade de São Paulo]
Post scriptum – se você leu até aqui, creio que vale a pena dizer que estou perfeitamente ciente de um tipo de argumento muito utilizado contra a realização da Marca pelo Estado Laico. É o argumento que diz: “há coisas mais importantes”. E então a pessoa pergunta por que não realizar uma Marcha Contra a Corrupção, ou uma Marcha em prol de questões ecológicas, ou uma Marcha em prol da melhoria da qualidade de ensino etc. Sim, estas questões também são importantes. Mas é preciso tomar cuidado com a falácia da falsa escolha. Defender uma coisa e propor uma marcha NÃO SIGNIFICA impedir outras propostas e marchas. Assim sendo, resposta simples: se você acha que outra coisa é mais importante, ORGANIZE a marcha que você acha importante e a divulgue. Se a proposta me convencer, ajudarei na divulgação e no que mais for possível. Mas faça algo ao invés de tentar diminuir a importância da iniciativa alheia, ok?
Post Scriptum II: seguem alguns exemplos ilustrativos de como alguns políticos pensam:
Projeto de Resolução que determinada obrigatoriedade de leitura de versículo bíblico antes de cada sessão na Câmara dos Deputados (PRC 4/1999) e no Senado Federal (PRS 10/2007).
http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=21630
http://www.senado.gov.br/atividade/materia/detalhes.asp?p_cod_mate=80322
– Projeto de Lei (873/1999) que obriga leitura de versículos bíblicos antes de cada aula nas escolas públicas de SP
http://webspl1.al.sp.gov.br/internet/download?poFileIfs=2480350&%2F01_0873_1999_2480350.tif%22
– Projeto de Lei (256/2011) que obriga todos estabelecimentos de ensino (públicos e privados) do Estado de SP a fixar crufixos em local e em tamanho de fácil visualização, em área de circulação.
http://webspl1.al.sp.gov.br/internet/download?poFileIfs=22010914&%2Fpl256.doc%22
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agosto 15, 2011 às 11:40 pm
Eu apoio essa marcha. O estado laico é um rompimento com os resquícios medievais que nos restam no poder. Estado e religião devem conviver sem haver interferências mutuas. So dialogos.
agosto 16, 2011 às 3:28 pm
Eu apoio toda e qualquer atitude de respeito à escolha alheia!!