O cão, o garoto gay, o político corrupto

Dentre as incontáveis falácias argumentativas que se infiltram em nossos discursos, uma em especial merece toda nossa atenção e carinho: o falso dilema. Ou, como prefiro chamar, a falácia da falsa escolha. Ela sempre surge quando, no discurso falado ou escrito, alguém insiste ou insinua que duas opções são mutuamente excludentes. Trata-se de um recurso muito utilizado no jogo político, quando se tenta cooptar a população a fazer uma escolha entre A ou B, ainda que A e B não sejam as únicas opções reais.

Vale destacar, contudo, que as falácias argumentativas, sejam elas quais forem, não constituem necessariamente um procedimento intencional. A pseudológica se infiltra em nossa comunicação cotidiana, e mesmo o mais treinado dos filósofos pode incorrer em erro. Independentemente da intencionalidade, é sempre importante avaliar se um discurso é lógico. Trata-se da diferença entre ser ou não ser manipulado.

A estrutura do falso dilema é simples:

Ou A ou B. Se não A, logo B.

O senso comum aceita esta estrutura com bastante facilidade. Ela é totalmente falsa, entretanto.

Vamos a um exemplo real muito simples:

“Os paulistas são palmeirenses ou corintianos. João não é palmeirense. Logo, João é corintiano”

Notem que a estrutura seria válida, se de fato todos os paulistas fossem apenas palmeirenses ou corintianos. Mas não é verdadeira, pois existem paulistas santistas, flamenguistas, paulistas que não gostam de futebol e não torcem para time algum etc.

“Ou mantemos armar nucleares, ou seremos atacados”

Falsa escolha evidente: não ter armas nucleares não implica necessariamente em ser atacado.

Recentemente, por ocasião do vídeo que mostra uma enfermeira torturando e matando um cão yorkshire, viu-se uma comoção pública geral, em que muitas pessoas clamavam a importância de punir aqueles que maltratam animais.

É quase uma lei da natureza: sempre que alguém fala da importância de cuidar dos animais ou milita em prol dos direitos animais, surge alguém questionando por que as crianças de rua não são importantes, ou por que os militantes de direitos animais não se importam com racismo, homofobia, misoginia, ou [insira aqui a causa de sua preferência].

Trata-se de clara falácia do falso dilema:

Ou direitos animais ou direitos humanos. Alessandra escolheu direitos animais, logo não escolheu os direitos humanos.

Este argumento é totalmente falso. O fato de uma pessoa sentir mobilização para lutar pela causa dos animais não significa que ela não se importe com os direitos humanos (e vice-versa). Qualquer tentativa de insistir nisso é maldosa e não tem lógica nenhuma.

Ainda na ocasião do assassinato do yorkshire, vi algumas pessoas lembrando que ano passado um adolescente (Alexandre Ivo) foi assassinado por motivação homofóbica. Estas pessoas reclamavam que, na ocasião, não houve a mesma comoção. Aqui, é preciso ter alguns cuidados: 1. Será que não houve a mesma comoção? Como quantificar isto? 2. Ainda que não tenha ocorrido a mesma comoção, isso não invalida (ou não deveria invalidar) a indignação contra o assassinato cruel do yorkshire.

Em essência, a afirmação poderia ser resumida da seguinte forma:

“Ao invés de se indignar com o assassinato do cão, vocês deveriam se indignar com o assassinato do garoto gay.”

ou

“Ao invés de se indignar com o assassinato do cão, vocês deveriam se indignar com o fato de que crianças estão nas ruas, morrendo de fome ou fazendo trabalho escravo.”

A charge abaixo foi uma das que mais vi ser publicada dias atrás, tanto no Facebook quanto no Twitter:

Se A, então não-B = FALSO

Ora, não é verdade que quem se importa com animais abandonados não liga para injustiças sociais. Insinuações em contrário, ainda que engraçadas, são maldosas. O que acontece é bastante simples de entender: as pessoas, por motivações diversas, são mobilizadas com mais intensidade por algumas coisas.

Há quem sinta especial mobilização pelos direitos dos animais. Há quem sinta especial mobilização pela causa gay. Há quem sinta especial mobilização para lutar contra o machismo, o racismo etc. Uma coisa não exclui a outra, e não são os outros que devem determinar (sobretudo a partir de argumentos coercitivos e falsos) as causas pelas quais nos importamos.

Vamos voltar no tempo. Quando Alexandre Ivo (um garoto de apenas 14 anos) foi assassinado em decorrência de homofobia, vi um sem-fim de pessoas denunciando o caso, falando sobre a importância da criminalização da homofobia etc. Eu fui uma dessas pessoas. Foi sem surpresa alguma que vi algumas pessoas postarem argumentos de falsa escolha. Diziam elas: “a homofobia é um problema, mas é um problema menor. As pessoas deveriam se preocupar mais com a corrupção, com políticos corruptos”. Diante de um anúncio que conclamava as pessoas a marchar contra a homofobia, várias outras postavam: “por que não fazem uma marcha contra a corrupção?”.

Notem que este tipo de discurso não é – estruturalmente falando – nada diferente do que está implícito na charge que postei aqui. Se fossemos desenhar uma charge baseada no discurso “ou homofobia ou corrupção”, ela seria mais ou menos assim: de um lado, pessoas fazendo passeata contra a homofobia. Do outro, um político roubando a todos e ninguém ligando.

Mas por que lutar contra a homofobia implica em não ligar para a corrupção? E quem disse que militantes anti-homofobia não se importam com a corrupção? O que mede o “se importar”? Xingar muito no Twitter?

O fato é que, além da falsa escolha, somos acometidos por um tipo muito sinuoso de narcisismo. Achamos – perdão, fui delicado, na verdade nós temos certeza – que nossas escolhas, militâncias, atitudes são as melhores e mais importantes do mundo. E que o outro, seja lá quem for, não procede do “jeito certo” [evidentemente, o "jeito certo" é sempre o nosso].

Não me espanta, contudo, que o oprimido possa se converter em opressor, mas não deveria ser assim. Quem se lembra [eu lembro] das cobranças injustas que ocorrem sempre que se milita contra a homofobia, o machismo ou o racismo, não deveria fazer as mesmas cobranças injustas quando outras pessoas [por motivações pessoais e vontade real] militam pelos direitos animais.

Outro tipo de falso dilema é continuamente criado também por alguns militantes dos direitos animais. Vi alguns vegetarianos postarem que aqueles que se indignaram com o assassinato do yorkshire são hipócritas, já que comem carne de vaca, porco, galinha, peixe etc.

Notem o falso dilema:

Ou você é vegetariano, ou não se importa com animais. Alex não é vegetariano, logo ele não se importa com os direitos animais.

Há alguma verdade quando se diz que quem se importa com os direitos animais deveria, sim, se importar com vacas, porcos, peixes, galinhas. O fato é que não necessariamente as pessoas se importam com os direitos de todos os animais, mas tão somente com os animais domésticos, com os quais estabelecemos vínculos afetivos. Neste caso, ainda assim não é verdadeiro se valer do argumento do ou/ou. Trata-se de uma diferença de grau de importância, e este grau de importância é passível de ser expandido com o tempo.

O que fica saliente, em todas estas celeumas, é o poder de afastar possíveis parceiros de luta a partir de discursos maldosos. Falácias lógicas costumam ter poder intimidatório, mas dificilmente se revelam funcionais quando queremos convencer alguém de algo. Qualquer pessoa minimamente inteligente percebe que está sendo sacaneada, e ergue defesas naturais, ainda que não consiga localizar exatamente onde está o erro no argumento do outro.

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106 Comentários em “O cão, o garoto gay, o político corrupto”


  1. Como eu SEMPRE digo, uma coisa não exclui a outra; e geralmente quem reclama é quem não faz nada. Quando me vêm com essa eu pergunto: e por que você não faz?

  2. André Diz:

    Que texto excelente! Sou vegano e vi muitos dos meus amigos lamentavelmente postarem a imagem com estes escritos chamando de hipócritas quem consome carne de gado, por exemplo. O único apelo que gostei, feito pelos veganos nessa semana, foi o que colocava uma imagem de um porco ao lado de um yorkshire com a frase “na dor, eles são iguais”. Perfeito, aí não há falácia nem acusações, só uma verdade apontada pela ciência.
    Espero que seu texto seja bastante divulgado, vejo que precisamos lembrar dessa falácia em muitas discussões.


    • Qual é a diferença entre chamar de hipócrita quem se revoltou contra o yorkshire e mostrar a imagem “na dor, eles são iguais”?

      • devir Diz:

        Não entendi sua pergunta.

      • Bruno Rodrigues Diz:

        A resposta à sua pergunta está nesta frase do texto principal: “Trata-se de uma diferença de grau de importância, e este grau de importância é passível de ser expandido com o tempo”. Ou seja, a imagem com a frase “na dor, eles são iguais” busca expandir o grau de importância, ou melhor, expandir o grupo que receba a importância e a preocupação humanas. Mas não está dizendo que quem consome carne de porco é hipócrita.

    • Bianca Diz:

      “Na dor eles são iguais”.

      De certa forma há falácia sim, André. Existe uma diferença abissal entre um animal ser abatido rapidamente (dor rápida) e ser torturado por vários dias (dor contínua).

      • Bruno Rodrigues Diz:

        Hum, mas os métodos da indústria da carne causam dor aos animais ao longo de uma vida. Senão vejamos: os bezerros são afastados da mãe, que se for vaca leiteira fica trancafiada sem saber se é dia ou noite, num ambiente em que máquinas lhe extraem todo o leite possível; ou, se for gado de corte, fica igualmente trancafiada sem ver a luz do sol nem se movimentar por um vasto pasto verdejante, como ainda imagina a maioria da população. Como se isso não fosse tortura suficiente, ela ainda pode sofrer agressões físicas dos funcionários da fazenda industrial, conforme atestam em diversos vídeos na internet.


      • então se alguém decidir matar um cachorro rapidinho, tá tudo ok? sério?

      • Bárbara Diz:

        Bruno, acho que lhe falta um pouco de vivência. Faço veterinária e conheço os sistemas de produção, tanto de carne quanto de leite. Posso dizer que há muito exagero nesse seu argumento.

      • Shiro Diz:

        calma ai…..
        então se eu pegar uma faca e decaptar um cachorro, tá tudo certo? Foi rápido, então sendo rápido está tudo beleza? tranquilo?
        Não sou vegetariano e muito menos moralista….
        Acredito que, de certa forma, o texto explica que é pelo grau de importancia, dado pela pessoa que postou, que você caracteriza se o ato foi um abuso ou não. Mesmo que essa explicação não seja muito satisfatória, pois ainda acredito que muitas pessoas se sentiriam mal vendo um cachorro sendo morto mesmo na china, onde é bem comum se alimentar com carne de cachorro e continuam comendo carne de bovinos, quando em alguns lugares bovinos podem ser vistos como animais misticos.
        Pra mim a explicação seria mais simples, se o animal for usado para um meio necessário, sim, pode ser morto, mas se for para um meio fútil, não.

  3. lila Diz:

    eu tava bem pensando em escrever sobre isso – e daí tu foi mais rápido. vou me limitar a repassar pra todo mundo que eu conheço, porque, porra, tá foda essa obtusidade do galerio.

  4. Edmundo Cesar Alvim Puraca Diz:

    Bem interessante esse lance da escolha alternativa, geralmente entre duas alternativas. o q é bastante restritivo.O ideal é q a escolha seja não alternante mas opcional ou seja entre uma série de opções.A escolha entre duas alternativas é algo minimalista. As escolhas qfazemos são bem mais complexas e com vários fatores modificantes q hierarquizam as prioridades de cada ser humano.Claro q há q se ter uma compreensão da diversidade de consciencia humana.Para combater falsos dilemas basta apresentar outras opções, pois ninguém prioriza tudo o tempo todo.

  5. Devanil Diz:

    Acho que a maioria reclamava pq a maioria dos indignados SÓ se preocupavam com direitos animais e vingança.

    Não era ANIMAIS + CORRUPÇÃO, era só ANIMAIS e ignorando a CORRUPÇÃO.

    • devir Diz:

      Mas por que “ignorando”? Se uma pessoa posta sua indignação contra maus tratos a animais, ela deveria no mesmo texto falar contra a corrupção?

      De resto, concordo que comentários de vingança são pura barbárie.


    • Devanil, então o correto seria a cada notícia que eu expor sobre os direitos dos animais, eu expor outra sobre corrupção?
      Como cargas d’água tu sabe com o que cada pessoa se preocupa?

      Vou começar a postar assim no face então:
      “…blablabla notícia sobre animais blablabla….

      ps: pra mostrar pra todos que eu também me preocupo com a corrupção, aí vai uma notícia sobre isso também, q aliás, é um absurdo”

      Tu és um ótimo exemplo para o entendimento do texto, obrigada ;D

  6. Gerson Diz:

    Acho válida a tua argumentação.

    Mas, a meu ver, não é uma questão de se importar com A, não se importa com B. Disjunção exclusiva.

    É o fato de, quantitativamente, a repercussão do caso do Yorkshire ser maior do que a da marcha da corrupção, por exemplo.

    De o sentimento de ver um animal ser agredido tocar mais as pessoas do que os enormes problemas sociais que nosso país possui.
    Aí está o problema.

    • Kenia Diz:

      Gerson, acho que voce nao leu o texto todo ou nao entendeu realmente a argumentacao.
      Como voce consegue *quantificar* qual caso teve mais repercussao? Voce consegue quantificar MESMO isso? Tem um numero, um valor? Fez uma pesquisa?Maior repercussao = mais xingamentos? Ou xingamentos mais agressivos? Quantifica ai’ pra gente, por favor, que eu gostaria de ter uma escala pra usar futuramente. –’
      Percebe o quanto isso e’ absurdo? O argumento que voce esta’ usando e’ equivalente ‘aquelas estatisticas estapafurdias que eu vejo muita gente usando: “Ah, 99.99999% das pessoas fazem isso [ou pensam dessa ou daquela maneira]“, ou entao, de forma disfarcada: “A *grande maioria* das vezes e’ assim que acontece”. Cade o numero? Enfim… Cansei.

    • Flávia Diz:

      Ah Gerson, permita-me discordar de vc.
      Tô até as tampas com esse papo de “marcha da corrupção”. Balela!
      A tal ONG que promoveu a marcha está sendo investigada por usar dinheiro público pra comprar as vassouras novinhas e distribuir entre os tais manifestantes… bando de hipócritas!
      Cada vassoura saiu por R$ 50,00. Sabe quanto custa uma vassoura????? Faça uma pesquisa e indigne-se, você também!
      Entre os manifestantes, será que todos são honestíssimos? Será que todos que receberam troco a mais um dia, foram honestos e devolveram? Será que quando se viram numa situação frente a um policial que ia aplicar uma multa, não tentou pagar pra sair livre? Será que nenhum deles ali, nunca usou o famoso jeitinho brasileiro pra conseguir alguma coisa?
      Desculpe, pra mim, tem que ter moral pra marchar contra a corrupção. Depois, se tem corrompidos é pq tem que corrompe.
      Vou defender sim, todos os animais que sofrem maus tratos, mas vou olhar com raiva pra hipocrisia de marcha contra corrupção, pq não acredito na lisura e honestidade do povo brasileiro.
      Simples assim!
      Sobre a enfermeira, não quero que ela seja presa… pra quê? Pra eu sustentar mais uma??? Não! Justiça pra mim será ela perder a guarda do filho que assistiu a essa cena horrível. Isso sim, será uma grande justiça!

    • Oscar Diz:

      Caro Gerson, entendo o que diz. Talvez seja em função das responsabilidades. P/ex, questões sociais são problema de estado, já a morte do cãozinho é um problema de polícia. Por que o cãozinho mobilizou tanta gente? Porque um vídeo contendo um cãozinho sendo morto, em função da nossa realidade, choca e comove mais do que um vídeo sobre moradores de rua ou políticos corruptos. O que é comum não comove, ao contrário de uma novidade chocante que pode correr o mundo. Tudo isso nada justifica, apenas busca entender nossos paradoxos.

  7. malu Diz:

    tá, gente, eu entendo q não é uma escolha, que é POSSÍVEL alguém se preocupar com duas ou mais coisas ao mesmo tempo. o problema é: eu observo oq as pessoas postam ao longo do ano todo, por vários anos, e eles SÓ se manifestam quando é por causa de animais, entendem?

    quando eu posto alguma coisa sobre desigualdade de classes, machismo, racismo, etc. sou sumariamente ignorada. mas quando uma porra de cachorro é morto eu recebo 15 (QUINZE!) posts a respeito em um único dia. e não são só eles, certo? a importância dos assuntos dá pra ser medida, sim, baste ver o qt eles repercutem. todo dia uma mulher é estuprada e/ou um gay é assassinado e não causa tanto reboliço.

    acho q vc tem toda razão ao dizer q estou sendo prepotente de pensar q minhas causas são mais importantes, pq realmente, pra mim, é mais razoável se importar com seres humanos do que com bichos. eu não tenho nada contra a maioria dos animais (pelo menos não contra os vertebrados), acho cachorros fofos, tb sinto muito raiva qd vejo um elefante apanhar com uma barra de ferro pra “fazer truques” no circo, mas daí a acha-los mais importantes q quem tá morrendo na fila do hospital… não rola.

    • devir Diz:

      Eu percebo coisas totalmente diferentes, Malu. Talvez você esteja precisando rever seus amigos [não falo com ironia, falo sério]. Quando eu posto sobre desigualdade de classes, homofobia, racismo, recebo a mesma quantidade de feedbacks e indignação de quando posto sobre animais sendo agredidos.

      Sobre a questão do rebuliço, eu tenho uma opinião sobre isso: o que causou maior indignação, no caso do yorkshire, foi o fato de que além da divulgação do crime, tinhamos o VIDEO que mostrava com detalhes bizarros todo o ocorrido. No caso dos crimes diários contra gays, lésbicas, negros etc, as pessoas apenas lêem sobre o assunto, ouvem falar. Sem a imagem nua e crua, é como se estivéssemos falando de algo etéreo, pertencente a uma realidade paralela.

      Lembra do caso das agressões na Avenida Paulista? Sempre que a agressão era filmada, causava comoção enorme, por dias a fio.

      Creio que haja uma tese possivel de ser sustentada, aqui: as pessoas só se comovem quando vêem a coisa “no cru”. Caso contrário, fica só como idéia impalpável. O video, por mais horroroso que seja, traz proximidade, mostra realidade.

      • Pedro Diz:

        Teu texto está muito bom, grande parte das vezes o argumento realmente é falacioso, mas a questão aqui se estende além de A vs. B, o que me espanta é a comoção, se fosse somente como ser invencível em um debate ou coisa parecida, mas é a maneira como está se moldando o comportamento, os sentimentos e as ações dessa nova geração. Um fato, a cada dia pululam ONGs e afins em prol dos direitos do animais, visivelmente mais do que em prol dos direitos humanos, ou de quem quer que seja. Obviamente, como tu expôs bem, o fato de uma pessoa ou um grupo dar um grande valor aos animais não significa que eles se lixem para todo o resto, individualmente não tem nada logicamente negativo, ao contrário, é extremamente positivo. O problema, ao meu ver, surge no momento em que mais e mais pessoas têm esse mesmo comportamento específico vai se sobrepondo a todo o resto. Não faz sentido lógico, nem é correto, criticar alguém por se dedicar muito a uma causa, mas e quando uma grande proporção de pessoas fica obsessiva com um único assunto? Não pode até ser perigoso? Às vezes vemos claramente demonstrações de fanatismo e isso tudo é um movimento recente, aonde podemos chegar?

        Tu disse que o caso do yorkshire pode ter tido mais repercussão porque tudo foi filmado, mando a seguir um link para um video aterrador, que demonstra civis sendo brutalmente espancados por agentes do estado. Aqui cabe um juízo de valor, não seria um estado que pisa (literalmente) no seu povo mais digno de indignação, mais importante, que uma louca que matou brutalmente seu cão? De qualquer forma, um dos vídeos teve muito menos impacto e exposição que o outro, não posso parar de pensar que isso diz alguma coisa sobre nós.

        Abraços à todos, segue o link
        http://youtu.be/4iboFV-yeTE

    • Tatjana Diz:

      Malu…fica claro que o respeito pela vida, no seu caso, é extremamente hipócrita…independente de serem “fofos” ou não, cães são seres vivos que sentem medo, desespero, fome, amor. Eu nem sou fã de cães, mas respeito a vida e o vídeo do yorkshire foi tão chocantepara mim (e acredito que também para os que possuem o mínimo de bom senso e respeito pela vida) quanto teria se mostrasse o mesmo grau de crueldade contra uma criança, um mendigo, um homossexual, etc.. Depois que li seu “comentário”, se eu tivesse que optar pela vida de “uma porra de um cachorro” ou pela sua, é lógico, que optaria pela do cachorro. Ainda bem que a questão abordada pelo autor é exatamente a falácia da falsa escolha e tal opção não se faz necessária, não é mesmo?

      • Giovana De Figueiredo Diz:

        Ainda mais MALU fico imaginando que quem expõe tamanho afeto e respeito pela ‘porra do cachorro’,poderia perfeitamente proferir : ‘é só uma prostituta’ , ‘é apenas um travesti’. O que deu pra entender é que crês numa hierarquia e que és binária. Aliás onde te encontras nessa pirâmide enquanto ‘mulher’ ?

      • Fernanda Diz:

        TatJANA,
        Infelizmente sua postura ao responder q prefere a vida de um ser vivente (cachorro) ao de uma pessoa (Malu) é lamentável.
        Você assim como grande parte de posts indignados e vingativos no twitter e facebook mostram que toda essa comoção pouco tem haver com os animais… comentários como os seus causam mais ignorancia e geram ainda mais agressão e ódio.
        Acredito sim que todos tem direito de lutar pelas suas causas, mas lutar de forma sobria e coerente…

        Depois ficou bem claro que a palavra “porra” não foi usada para ofender o cachorro (como cita a pessoa do comentário abaixo)

      • Aldir Jardim Diz:

        Gente este debate está muito bom! Por isso resolvi, também, deixar aqui a minha opinião. Vou fazer uma analogia com o que penso ser as três coisas mais ¨importantes¨ na vida de uma pessoa. (Trabalho, Família, e Vida Pessoal(Intimidade) ). Qual delas é a mais importante? na minha opinião depende das circunstancias e do momento que cada individuo estiver vivendo tudo depende de um equilíbrio constante, quando um desses três pilares vai mal, ele passa a ser o mais importante, por isso seria errado colocarmos a questão simplesmente como sendo A ou B ou C. Podem ser os tres ao mesmo tempo ou um em especifico tudo depende do momento.

        O que o texto fala é justamente sobre argumentos falsos postos como lógica verdadeira e, não sobre qual bandeira é a mais importante. O que devemos debater é se realmente fazemos alguma coisa para melhorar a nossa sociedade decadente ou se só ficamos postando criticas. Afinal não podemos nos esquecer de que ¨SÓ ERRA QUEM FAZ¨ . O que não quer dizer que todos que fazem estão errados…

        Abrigado a todos..

  8. ana Diz:

    Perfeito!!!!!!!!!

  9. francisca Diz:

    Excelente texto, argumentado e verdadeiro.

  10. cláudia peixoto Diz:

    Devir! Quem é você criatura sábia! extremamente sensato. Adorei!
    Uma clareza de raciocínio fantástica. Vou compartilhar…Abraço.

  11. ciro Diz:

    Concordo com quase tudo.
    Mas acho que em investir em A pode parcialmente impededir o investimento em B na medida em que os recursos nao sao infinitos, seja tempo, materiais, dinheiro, trabalho ou o que quer que seja. Nesse sentido acho que o protesto das pessoas que “invalidam” de algum modo os que pedem por justica no caso do cachorro pode ser entendido a uma critica ao tanto que se comentou esse assunto em um dia, por exemplo, enquanto outras coisas aconteceram nesse mesmo dia e nao tiveram atencao similar, coisas estas que provavelmente julgam mais importantes (mesmo que seja narcisista).

    • devir Diz:

      A medida da importância é dada por cada pessoa. E esteja certo de que se o olhar recaisse mais sobre outra coisa qualquer, sempre surgiria alguém dizendo: tu olhas para A, mas e B? E C? E D? Por que não olhas para isso?

      Por uma questão autoevidente de que é impossivel dedicar energia a tudo, as pessoas fazem escolhas.

      No presente caso, tenho para mim que a agressão ao yorkshire gerou maior comoção do que o usual porque a agressão foi filmada em detalhes.

      Não é difícil perceber – e lembrar – que sempre que algo é FILMADO, as pessoas se comovem mais. Seja agressão a um cão, a um ser humano, seja a corrupção flagrada etc.


  12. “E mesmo o mais treinado dos filósofos pode incorrer em erro”.

    Esta é a frase mais precisa do texto, e a prova se revela na circunstância de o texto em si ser falacioso.

    A falácia: Cobrar coerência de dar à vida humana e à vida de um animal o valor de cada qual significa menosprezar um ou outro.

    E há uma omissão relevante no texto. Não se fala no incitamento à violência contra a agressora. De modo nenhum é possível justificar seu ato criminoso. Mas não é legítima a tentativa de justiçamento a que assistimos.

    • devir Diz:

      Primeiro ponto:

      O texto não sustenta que a vida humana tenha o mesmo valor que a vida de outros animais – embora existam discussões filosóficas com bons argumentos contra e a favor desta tese. Note, inclusive, que foi utilizado o exemplo da corrupção. Poderia ser qualquer outro exemplo: “você ajuda cães, mas e os gatos?”, ou “você se indigna com a morte de gays, mas o que faz pelas mulheres espancadas?”. O texto é sobre a falsa idéia de que escolher A implica em rejeitar B. Creio que isso está bem claro.

      Segundo ponto:

      Quanto ao incitamento da violência contra a agressora, isso é outro assunto. O texto não tem por objetivo analisar o caso da enfermeira e do yorkshire em todos os seus meandros. O ocorrido serve como exemplo ilustrativo da falácia da escolha de A que supostamente excluiria B. Incitamento à violência é OUTRO assunto.

  13. Ana Diz:

    Oi Alexey,

    Sempre gostei dos seus argumentos e admiro sua inteligência. Te acompanho desde o orkut nas comunidades de debates sobre astrologia e outras.

    Quanto aos animais, gostaria de lembrar que não estabelecemos vínculos com os que diariamente são massacrados ( cerca de 70 bilhões ao ano) porque estes estão escondidos de nossas vistas, atrás dos bastidores que são os matadouros. Esta é uma estratégia interessante que a indústria da carne e dos derivados de animais encontrou – afastar dos olhos dos animais humanos as vítimas da carnificina impedindo assim que a ligação afetiva ou a simpatia se estabeleça. Se cada um pudesse ter alguma espécie de lastro com o animal antes dele ser abatido, dificilmente a consciência não gritaria acusando que há algo errado em escravizar e explorar ou tirar a vida de um ser senciente, sujeito – de – uma vida, com interesses próprios ( o de viver, por exemplo). É bem mais confortável essa espécie de distanciamento emocional que convenientemente finge não saber ou não lembrar o que se passa antes com um animal do momento em que ele nasce até ir inexoravelmente para os abatedouros para depois chegar ao prato ou fatiado em supermercados. Existem também aqueles que preferem que não se mostrem os fatos, como se o prazer de ingerir algo estivesse acima da consideração moral pelos seres dotados de sistema nervoso central. Este é um argumento indefensável na medida em que, se o prazer está acima da consideração moral, por analogia podemos dizer que o pedófilo ou o estuprador também têm prazer com suas vítimas.

    Como aponta Peter Singer em seu livro Ética Prática, página 54, esse critério pode ser compreendido do seguinte modo:

    “Se um ser está sofrendo não pode haver justificativa moral para a recusa a levar em consideração aquele sofrimento. Seja qual for a natureza do ser, o princípio da igualdade exige que seu sofrimento seja igualmente considerado – desde que se possa fazer comparações aproximadas – como o idêntico sofrimento de qualquer outro ser. Se um ser não é capaz de sofrer ou experimentar fruição ou felicidade, não há nada a ser levado em consideração.
    Portanto o limite do senciente ( capacidade de sofrimento ou fruição) é o único limite defensável da preocupação com os interesses de outros.
    Marcar esse limite utilizando alguma outra característica como a racionalidade, seria marcá-lo de forma arbitrária.
    Os racistas violam o princípio da igualdade, ao atribuírem maior peso aos interesses dos membros de sua própria raça. Os sexistas violam o princípio da igualdade, ao favorecerem os interesses de seu próprio sexo. De modo semelhante, os especistas permitem que os interesses de sua própria espécie sobrepujem os interesses maiores de membros de outras espécies. O padrão é idêntico nesses casos”.


  14. Acabei de passar pela rua por um canteiro com uma placa dizendo: “cuidado veneno de rato”, obviamente um aviso para os donos de cães, para que os mesmos evitem que seus cães tenham contato com o tal veneno. Fiquei pensando… quem é que decide que um cãozinho deve ser protegido e um rato pode ser envenenado? Sería que se a tal enfermeira tivesse cometido aquelas atrocidades todas contra um rato, haveria toda esta comoção? Em alguns países orientais, por exemplo, as pessoas se alimentam de cachorros, como aqui nos alimentamos de carne bovina e de aves. Achei excelente a reflexão sobre a questão da falsa escolha. Acho que quem se comoveu com o evento do yorkshire deve sim levantar sua bandeira… E que realmente não dá pra ficar culpando as pessoas que não levam mendigos e meninos de rua pra casa, mas levam caezinhos e gatinhos… Ou que envenenam ratos e avisam do perigo a cachorros… Tudo isso tem servido de uma boa reflexão a respeito desses “bichos” tão complexo que somos nós os seres humanos.

  15. Sergio Diz:

    Essa é uma questão cultural. Diversos animais são mortos na indústria alimentícia e ninguém fala nada. Animais ficam em cativeiro sem ver a luz do sol até o abate e muita gente não se importa também.

    Com a homofobia é a mesma coisa. É considerado “normal” xingar homossexuais, é só ligar nos programas de humor e ver que o homossexual ainda é marginalizado. Toda tentativa de se provar o contrário é taxada de politicamente incorreto e ainda tem o apoio perversos de religiosos fanáticos.

    Pra provar o que digo, é só substituir a vídeo do cachorrinho por uma galinha, pouca gente se importaria. Infelizmente é verdade. Só pra deixar claro que também repudio os maus tratos com os animais.

  16. Andressa Pimenta Diz:

    Compartilhadíssimo, porque não se trata de defender mais animais do que humanos, mas cada um com suas lutas pra manter o equilíbrio… há quem lute por corrupção, há quem lute por homofobia, há quem lute por direitos animais e há quem lute por qualquer coisa que seja. Eu vejo que em casos de animais, a luta é mais intensa por se ter uma lei tão pobre a respeito. E, oras, se alguém é contra toda essa repercussão, então que faça algo com o que lhe comove. As pessoas perdem muito tempo apontando o quintal do vizinho ao invés de cuidar do seu próprio. A questão é lógica e simples: a cada pessoa que critica o caso Yorkshire, já é uma pessoa a menos lutando pela própria causa, e já são 10 (suponhemos) que rebatem essa “uma” defendendo o caso Yorkshire. Deu pra entender? E nisso, a repercussão é maior ainda, então, vamos cada um lutar e protestar o que achar de direito sem criticar e fazer piadas da luta dos outros. Democracia é isso e a solução só depende da gente. É hora de acordar!

  17. JL Diz:

    Muito mimimi para nada. Tudo se resume a excessiva emotividade do ser humano. Eventos com carga emocional elevada produzirão as maiores reações e como as reações emocionais não seguem as regras da lógica é mais do que natural o surgimento de falácias momentâneas.

    A EMOÇÃO DESLIGA A RAZÃO. Dessa forma bilhões de crentes são enganados com as falácias religiosas em geral.


  18. Hum… Gostei bastante. Agora (isso não é uma crítica, mas uma sugestão) pode escrever sobre a razão de escolhermos alguns animais para proteger e outros não? Sempre achei esse tema interessante…

    • devir Diz:

      De fato, este é outro tema, Marivone, mas é mesmo bem interessante. Há correntes filosóficas que abordam essa questão. Posteriormente, creio que trarei este tema ao blog.

  19. Paulo Jose Miola Junior Diz:

    gostei do comentário , ainda que prefiro acreditar que algumas pessoas que cometem tal maldade, as vezes não se dão conta do que estão postando, talvez por instinto ou por serem vítimas da força de persuasão de outros muitos idiotas que no meu ver prnsan de maseira errônea, mas essa é somente minha opinião, concordo com o texto por inteiro e quanto aps persuasivos….
    Não distorçam minhas palavras

  20. Vitor Martins Diz:

    Excelente Post!

  21. Carneiro Diz:

    Entrei numa baita discussão no meu Face por causa disso. Questionei porque “causas relativas a vida” não tem a mesma mobilização dada ao caso do cachorrinho. Mesmo compreendendo que defender os animais seja digno e legítimo, chega a ser deprimente a falta de mobilização e expressão da galera com questões que dizem respeito a nossa vida, entre elas a corrupção. Outra coisa que me incomodou muito foi saber que o autor do vídeo é um homem adulto, o que ao meu ver torna-o permissivo demais no assassinato do pequeno. E não vi sequer uma pessoa questionando o fato dele simplesmente não ter interferido na situação, além de ter filmado tudo com a mesma passividade que a grande maioria do povo assiste as roubalheiras políticas, ou todas as questões que você mencionou no texto. Como defensores dos animais poderiam discordar que aquele homem tinha a obrigação de ter impedido a mulher? Minha constatação é que as pessoas precisam aprender a questionar. Seu post está muito bem escrito, você coloca uma questão importantíssima que é saber olhar para as pessoas e suas opiniões como uma estrutura mais complexa e abrangente do que escolher A ou B. Portanto, me sinto à vontade para discordar em parte de você, porque acredito que o meu questionamento seja válido. A galera deveria dar mais atenção aos salários de professores, saúde, corrupção e, principalmente, aos velhos valores como o da honestidade, na hora de avaliar situações diversas. Outra coisa, ninguém escolhe se política é importante como se escolhe defender uma causa, porque ela é inerente a vida de todos que vivem nesse país e deveria ser mais conversada nas redes sociais e fora delas, sim.

  22. anabraz Diz:

    Ótima reportagem. Nossa sociedade é binária e sofre de memória curta. Isto nos leva a tomar partido contra ou a favor de algo e a trocar a causa sempre que surge um fato novo.

  23. Fernanda Diz:

    Parabéns Alexey, seu texto realmente nos coloca à vista do que eu, particularmente, acho correto.

    Estou vendo de monte essas comparações, sobre o que é mais importante, a morte do cachorro, a morte das vacas, a morte dos gays, dos mendigos, das mulheres, enfim.
    Eu me pergunto o porquê dessas comparações, e nesse ponto você foi muito sábio. Para mim, vejam bem, para mim, a morte de um cachorro é estritamente relevante. Não só pela forma como ocorreu, mas pelo fato em si. Para mim, a morte dos animais é talvez um dos fatos, se não o principal fato, que mais me deixa triste, chocada e revoltada. E eu, à minha maneira, ajo de acordo com meus princípos tentando, ainda que minimamente, fazer a minha parte.

    O que de forma alguma não quer dizer que quando vejo uma criança pedindo esmola na rua não fique triste, e se pudesse mudar isso, com certeza mudaria. Mas mantenho minhas prioridades, assim como sei que há pessoas que priorizam a pobreza e estão pouco se importanto com ‘ a porra do cão’ que morreu, como disse a colega ali em cima.

    Não vou colocar em pauta sobre o que deve acontecer com a tal agressora, porque colocar minha opinião sincera aqui seria muito mal educado, até porque não há nada o que fazer. Se estivesse nas minhas mãos o destino dessa mulher, ou nas mãos dos militantes contra os maus tratos ao animais, tudo seria diferente, mas não está.
    Infelizmente.

  24. Flávio Diz:

    “O segredo da vida é a moderação”
    Aí está a questão. Pessoas abraçam causas, que julgam dignas de luta, com todo afinco, então baixam a cabeça e seguem em frente, sem dar ouvidos a opniões contrárias, justamente por acharem que somente o seu jeito é o certo e mais, acabam por menosprezar as causas alheias. Então, quanto todos esses fanáticos intolerantes resolvem, por um momento, levantar a cabeça e olhar ao redor, percebem que já sairam dos trilhos de suas causas faz tempo e que apenas estão lutando entre si, sem nenhum progresso para aquilo que os fizeram entrar nessa campanha.

  25. adriana Diz:

    PARA MIM O CASO NÃO É O “A”, “B” OU “C” O CÃOSINHO INDEFESO, O MENINO GAY OU A CORRUPÇÃO. O QUE ACONTECEU COM QUEM MATOU O MENINO GAY FOI PRESO? A CORRUPÇÃO NO NOSSO PAÍS SERÁ QUE VAI HAVER CURA? AGORA EU PERGUNTO SERÁ QUE ESTA “ENFERMEIRA” QUE MATOU O CÃOSINHO INDEFESO FOI PRESA? VAI FICAR PRESA MESMO? OS SERÁ QUE ELA VAI SER LBERADA PELA JUSTIÇA COM AVAL DO MÉDICO COM A DESCULPA QUE ELA ESTAVA COM DEPRESSÃO ETC… AGORA, A ENFERMEIRA JÁ NÃO TEM MAIS O CÃOSINHO INDEFESO PARA CASTIGAR, E QUEM SERÁ OU SE JÁ NÃO É VITIMA TAMBÉM DOS MAUS TRATOS DESTA ENFERMEIRA.? COMO POR EXEMPLO: A FILHA DE 3 ANOS QUE ASSISTIU TUDO E TAMBÉM É INDEFESA. MARCHA PELOS DIREITOS DOS HOMOSEXUAIS SOU A FAVOR, CONTRA A CORRUPÇÃO É TAMBÉM SOU A FAVOR. MAIS CADÊ A MARCHA CONTRA OS MAUS TRATOS DOS POBRES INDEFESOS ANIMAIS? NÃO SOU VEGETARIANA E SOU A FAVOR DESTA MARCHA TAMBÉM.


  26. Gostei, concordo, entendo assim também. Ser humano não é uma coisa que tem limites assim, tão fáceis de monitorar, isso ou aquilo, aquele ou aquele outro. O humano humano mesmo não faz isso, porque entende todas causas humanitárias como importantes (mesmo que não seja a “sua”). Só um detalhe: “comoção” é uma coisa, “mobilização” é outra, e isso aí que a gente vê aos montes hoje em dia é ainda outra. Não acho comoção nem mobilização “pega aquela cadela, chuta e bate até morrer”. Assim como o “ser” humano não vê cara nem causa, o ódio e a violência também não. O mesmo ódio que matou o cachorro tá querendo linchar a louca que matou o cachorro. Não é assim que se resolve nada, penso que é bem pro outro lado…

  27. Danilo Diz:

    Acredito que diversas pessoas que se alimentam de carne tenham se sentido impotentes e revoltadas com a crueldade da moça que matou o cão. Com razão. São cenas fortes que a maioria das pessoas não costuma ver com frequência.

    Indago somente se a revolta das pessoas é pela forma como a agressão ao animal se deu, ou por se tratar de um yorkshire, pequeno e bonitinho.

    Se for pela crueldade indiscutível da agressão, convido todos vocês a tentar deixar a discussão “comer ou não carne” e procurar se informar melhor sobre a forma como outros animais, nem tão pequenos e nem tão bonitinhos, são abatidos todos os dias.

    Não estou falando que é errado comer carne. Trata-se de uma escolha. Estou apenas comparando o sofrimento daquele animal com o de diversos outros.

    O cachorro foi espancado e morreu em poucas horas. Foi horrível ver aquelas cenas, concordo. Mas há animais que passam meses, anos, décadas, em um sistema de exploração, em que apanhar e ficar molhado com o próprio sangue é apenas uma das formas de violência a eles imposta.

    Comendo carne ou não, não se pode admitir tais formas de exploração e violências. Devemos lutar, pelo menos, por formas mais humanas de abate, já que o fim dos abates está longe de ser conseguido.

    Entendi perfeitamente o texto e partilho de sua ideia central. Lutar por alguma causa não exclui qualquer outra. Mas entendo também que diversos vegetarianos fizeram suas comparações para tentar fazer com que algumas pessoas visualizem a agressão e busquem se informar melhor sobre o que mais ocorre com os animais.

  28. Rubens Mario Diz:

    Concordo que importar-se com direitos dos animais(domésticos) não implica ignorar direitos humanos. O problema é que boa parte dos “militantes” da causa animal não perceberam isso.
    Não quero generalizar, pois conheço pessoalmente vários defensores dos direitos dos animais que lutam da mesma forma pelos humanos, mas o fato é que PARECE que eles não são maioria.
    É indiscutível, seja por que motivo for, que um chute num cachorro hoje em dia choca muito mais que um tiro num garoto “supostamente envolvido com o tráfico” numa periferia qualquer.

    Por isso creio ser absolutamente justa a indignação da população diante do caso do Yorkshire, mas gostaria muito que aqueles que ignoram os mendigos na porta do seu condomínio, chamam de vagabundos trabalhadores vítimas do êxodo rural, tratam como “gente diferenciada” o ser humano que vive numa periferia, tivessem tanto amor por estes humanos quanto têm pelo Yorkshire.


  29. Excelente texto! Estava pensando sobre essa questão hoje e me revoltando quanto a essa politica pessoal ecludente das pessoas, quando um amigo me indicou seu texto!
    Parabéns! Acredito que os falsos moralistas da internet [principalmente facebook] deveriam ler seu brilhante texto!

  30. Pedrão Diz:

    Olá,

    Achei bem interessante o texto que escreveu. Queria ter lido todos os comentários acima, mas não tive paciência de ler todos, só alguns.

    Pois bem, minha avaliação sobre a situação do cachorrinho, direitos animais e direitos humanos é muito mais profunda do que as análises que até agora surgiram.

    Avalio que o problema que está colocado é um problema estrutural que reflete toda a sociedade. Logo temos que analisar de forma macro a situação e questionarmos algumas coisas: Se no lugar do cachorrinho fosse uma vaca, a indignação iria existir? Se fosse um boi ou uma galinha? Esse é o primeiro questionamento a fazer. Se estamos falando em direitos animais porque não se há igualdade de direitos entre os animais. O que fez o boi, a vaca e a galinha que não tem os mesmos direitos do cachorrinho?

    O segundo questionamento que deve ser feito é: Porque as pessoas se indignaram tanto com a cena do cachorrinho e diariamente as pessoas fecham os vidros dos carros quando veem uma criança de rua vendendo balas? Porque as pessoas tem no imaginário social a ideia de “tem que matar mesmo, tem que entrar na favela e matar mesmo” quando a mídia mostra a invasão da polícia nas periferias? Não estamos aqui para quantificar a indignação de ninguém, mas as reações nos mostram alguma coisa.

    A questão é : superficie x raiz do problema. A matança dos animais, o caso do cachorrinho, dos homosexuais mortos, dos jovens negros exterminados pela polícia, etc,etc, tem um causador comum que é o modo como a nossa sociedade existe. Ela existe de forma a explorar os seres que são considerados “inferiores” na sociedade. Isso porque nossa sociedade só existe porque existe os “superiores” e os “inferiores”. Se a polícia é superior vai matar os pretinhos inferiores. Se a enfermeira “humana ” é superior vai matar os cachorrinhos “inferiores”. Assim como os heteros machões matam os viados, as mulheres. Essa é a história da formação do nosso povo. Se esqueceu dos negros? O que muda da senzala para as favelas?

    Não existe “algo especial” que faz com que as pessoas se mobilizem com isso ou aquilo. O que existe é a opressão nua e crua e só quem sofre ela todo dia sabe o que é isso. Isso é o que o próprio sistema cria na sociedade. Sua mobilização vai até onde não mexa com a estrutura do sistema. Porque a ideia é que fiquemos na superficie dos problemas e não percebamos a raiz do problema, o denomidor comum entre tantas explorações.

    A questão não é uma coisa ou outra, não é direitos dos animais ou direitos humanos, a questão é uma só: Opressor e oprimido, explorador e explorado, os que enriquecem e os que se fodem diariamente. Os que dormem no colchão da desigualdade e os que dormem no papelão e na pedra. A questão é uma questão de classe.

    E se há tanta idignação temos que ir para às ruas! É lá onde deve estar nossa indignação!

    abraços

  31. Ricardo Diz:

    Fico surpreso que alguns possam observar um falso dilema na história do cão yorkshire, pois é óbvio que o assunto a ser debatido é muito mais complexo e vai bem além do que uma simples escolha, ou um simples dilema (falso).
    Seria muita ignorância da minha parte resumir uma discussão de caráter histórico-cultural em um falso dilema!
    VEJA BEM: EU DIZER QUE AS PESSOAS DEVERIAM SE PREOCUPAR COM OUTRAS COISAS, NÃO SIGNIFICA QUE ELAS DEVERIA EXCLUIR A SUA PREOCUPAÇÃO COM OS ANIMAS!!!I
    QUALQUER PESSOA UM POUCO MAIS ESPERTA CONSEGUE TRANSFORMAR MUITAS DISCUSSÕES SÉRIAS EM “FALSOS FALSOS DILEMAS”
    A critica à comoção social não diz respeito a sua necessidade ou sua utilidade (pois a repercussão que a internet proporciona é espetacular) e acreditar nisso só resume a visão superficial de uns e outros. É fato que uma preocupação não exclui a outra (isso é obviu), mas esse tipo de manifestação NÃO DEVERIA FICAR RESTRITA À ESSES EPISÓDIOS! Acredito que ela TAMBEM seria útil para outras causas que TAMBEM mereçam atenção!!!
    Não se trata de uma escolha, uma opção ou um dilema e sim de união, altruísmo e solidariedade!


  32. Meu querido Alexey, compartilho um texto que escrevi sobre o assunto, usando partes do seu:

    http://www.tsavkko.com.br/2011/12/quando-morre-um-cao-miseria-humana-nao.html

    “Quando morre um cão: A miséria humana não nos comove mais?”

  33. Éverson Quintana Diz:

    Acabo de ver na TV uma cena grotesca de agressão covarde a uma mulher egípcia, durante um protesto. Tão revoltante ou mais revoltante do que o do cão.
    Perdi a conta de abaixo-assinados que preenchi contra a criminalidade, a favor da natureza, a favor de aposentados, enfim. Todas as causas que eu julgo dignas de apoio. Tenho nove cães, todos vítimas de abandono. É o que eu efetivamente posso fazer para melhorar o que acho de errado no mundo .
    Como se diz em estatística, os eventos não são mutuamente exclusivos. O fato da pessoa manifestar-se com veemência a respeito de uma causa, não significa que ela negligencie outro. Quanto a corrupção, como é que eu vou participar de movimentos liderados pela direita brasileira? Desde o descobrimento, eles se locupletam, deixando um País riquíssimo em recursos praticamente falido, e agora vêm se arvorar em defensores da moralidade? Há causas e causas….


  34. Alexey, bastante pertinente e organizada a tua colocação. Ainda assim, encontro um pequeno detalhe sujeito à análise. Quando tu apontas a falácia do falso dilema usada pelos vegetarianos, achas que é uma falha argumentativa alguém criticar os outros por se apresentarem como defensores dos direitos animais e comerem carne, pois estes ditos defensores poderiam tranquilamente não defender todos os animais, mas apenas alguns, (como cães, gatos e cavalos, que é o que ocorre na maioria das vezes).

    Mas se fizermos a analogia com os Direitos Humanos, fica mais fácil notar a fragilidade do teu argumento. Vejamos: Franz é um declarado defensor dos Direitos Humanos. Trabalha voluntariamente como advogado para defender imigrantes e faz doações regulares para uma instituição filantrópica. Franz também é racista e sexista. Segundo teu argumento, ele não poderia ser criticado por se declarar defensor dos Direitos Humanos, já que, na realidade, defende sim muitos humanos (desde que pertençam a uma certa nacionalidade e raça, mas isso é só um detalhe).

    A questão toda acho que não é apenas que muitos vegetarianos colocaram o dedo na cara das pessoas que se comovem com o cãozinho mas não se importam com a vaca ou o porco, como se isso fosse uma incoerência. A questão é essas pessoas se declararem Defensoras dos Animais, assim como Franz o faz.

  35. Thiago Macek G. Zahn Diz:

    O problema é que não se parte da ideia de que “direitos animais não são relevantes”, necessariamente. A questão é uma ideia de proporcionalidade – que tem a ver, claro, com como eu vejo a questão e o que eu acho mais relevante. Ninguém é de ferro…

    Mas enfim: O que eu tendo a fazer pra tentar chegar a proporcionalidades é basicamente tentar levar os ideais às últimas conseqüências. Chegar à utopia, na cabeça. Pra ver quais seriam os efeitos de determinada preocupação, determinada ação, determinada “bandeira”, digamos.

    No caso da dos direitos animais, digamos, para animais domésticos, levaria a não haver casos de abuso de animais, assassinatos e torturas a animais e outros que, digamos, parecem um sinal de ou uma preparação para não se importar com o bem-estar de outro ser qualquer. Um mundo sem isso certamente seria melhor. Ok, check – sou absolutamente contra tortura a animais nessas situações. Boa parte do mundo, aparentemente, também. Legal.

    Agora no caso dos moradores de rua. Um mundo sem moradores de rua… tende a refletir um mundo com menores disparidades, ainda que não necessariamente. Não teria pessoas possivelmente passando frio nas ruas, não teria pessoas tomando chutes de gente da guarda municipal para acordar e andando por aí tombando pelas ladeiras atrás da próxima refeição. COMO ajudar essas pessoas é outra questão – esmola? Dificilmente, né? É muito mais difícil ajudar. Mas ainda assim, parece bem justo. Parece bastante relevante. Talvez mais que o caso de cima. Mas ainda que não seja. Bem, ok: sou absolutamente a FAVOR da causa dos moradores de rua, ainda que não saiba o que fazer.

    Em casa, mesmo, tenho exemplo de duas pessoas que não são, exatamente. Que dizem que “tem mais é que impedir essas pessoas de ficarem na rua, não deixar ficar vagabundeando por aí”. Ou que diz que “esse pessoal não quer saber de nada, quer dinheiro pra bebida e não quer trabalhar”. E mais umas tantas. Não é uma questão de xingar muito no twitter ou não: é uma questão de, de fato, estar completamente alheio ou até contrário à causa. E são humanos falando de humanos. Humanos que, no caso, são completamente contrários a chutar cachorrinhos.

    Ou seja: em nenhum momento pressuponho (e digo por mim) que a escolha seja “ou vc se importa com os cachorros ou vc se importa com os moradores de rua”. Até pq eu mesmo não caberia na definição. A questão é “Ok, vc se importa com cachorrinhos; agora não é hora de olhar em volta e ver que existem outras questões precisando de atenção ALÉM dos cachorrinhos”?

    Essa de ‘levar às últimas consequências’, aliás, é que me faz ficar incerto com relação ao vegetarianismo fazer ou não sentido como forma de protesto ou de seguir ideologias. Acredito que sirva pra defender algumas, mas tenho algum receio das “últimas conseqüências”, e tenho a impressão de que o discurso para defendê-lo, freqüentemente, não se importa muito em manter sua consistência interna.

    Não que não dê. Talvez só seja necessário mudar um pouco o discurso. (E apesar de dizer isso, tenho tentado reduzir tanto quanto posso a carne do cardápio. Mas não pretendo com isso não matar “nenhum” animal com meus hábitos alimentares. Vejam-se agrotóxicos ou mesmo controle biológico de pragas).

  36. Tiago Ferrari Diz:

    O simples fato de o video do cachorro Yorkshire ter sido postado em época de férias já explica um pouco o porque dele ter bombado mais. São mais pessoas passando mais tempo na internet…


  37. Ótimo texto! Escrevi essa semana no meu blog um texto sobre “O Caso da Enfermeira Assassina de Cachorro” justamente para questionar o fato de que a maioria das pessoas estão tendo reações reacionárias sobre o caso. Gostei tanto da relação com a “Falácia do Falso Dilema” aqui feita, que fiz um um novo texto sobre o assunto. Pra quem quiser ler este é o link http://www.filosofiahoje.com/2011/12/enfermeira-o-yorkshire-os-outros.html … lá também tem o link para o 1° texto que tenta falar o porquê a escolha deste caso e não de outros para a revolta da sociedade. Gostaria também de aproveitar para curtir e participar deste meu site\blog de filosofia, que é http://www.filosofiahoje.com !!! Abraços !!!:

  38. Luísa Diz:

    A verdade é que vivemos em uma sociedade em que as pessoas gostam mais de animais do que de pessoas.

  39. Cleber Diz:

    Fato é: Alguém lucra com essa falta de entendimento.
    Acho que este questionamento vai além da falso dilema, pois, infelizmente, tem alguém controlando a situação, para que haja uma comoção geral colaborando para gerar lucro a um certo grupo que não dá a mínima para essas discussões.

  40. Henrique Diz:

    Vocês fez um texto enorme, mas você não pegou o foco da crítica: não é uma questão de exclusão mútua.

    Todo mundo sabe que há várias coisas erradas e uma não exclui a outra.

    É, sim, uma questão sobre prioridades.


    • Você leu todo o texto enorme, e não entendeu que o meu objetivo não consiste em determinar quais são as prioridades, e sim discorrer sobre falácias argumentativas.

      Sobre a questão das prioridades, caso queira, veja o texto que se segue a este.

  41. Nexus 6 Diz:

    ironicamente, há falácias nesse texto… como ele é bem elaborado é um pouco difícil de perceber, mas a falácia do espantalho e falácia da generalização apressada são evidentes


  42. Não. O ponto é outro. Ainda que existam pessoas que se importam com animais e não se importam com mendigos, e daí? O que isso diz delas?

    Abordei este ponto no post seguinte.


  43. Não, o ponto é outro. Ainda que existam pessoas que só se preocupam com animais e nem lembram que mendigos existem, e daí? O que isso diz delas? Se se trata de uma questão de “erro de prioridade”, como alguns argumentam [e isso é perfeitamente discutível], há formas e formas de argumentar isso de maneira eficiente e convincente. As formas utilizadas são, via de regra, ofensivas. Abordei isso no meu post seguinte.

  44. D. Diz:

    Esse texto, e principalmente seus comentários são ótimos exemplos da tal falácia da falsa escolha.


    • E sua argumentação para sustentar a afirmação que faz é um perfeito exemplo de vacuidade mental :)

      • D. Diz:

        estava apenas me referindo a observação de que, “ou se concorda com seu texto, ou não se entendeu a mensagem” (ou A ou B= errado! certo?)

        Me equivoquei ao pensar que você entenderia a crítica nas poucas palavras que postei antes, já que não:

        Eu discordo da sua argumentação, acredito que existem outras nuances a ser consideradas, por exemplo entender que a charge do Dammer(a título de exemplo), é crítica de outro ponto de vista, o de chamar atenção para problemas sociais mais profundos que por diversos motivos não se apresentam nas mídias sociais, e que cabe bem justamente num momento como esse. Não necessariamente esvazia um discurso em prol do outro
        é claro que o discurso A vs. B existe mas não é único e não necessariamente é a intenção dos autores dessas e outras mensagens.

        A não ser é claro que você esteja desconsiderando os autores e o contexto de seus textos, nesse caso até o Maurício de Souza vira pornógrafo. vide #porramauricio.

        Enfim, provavelmente você vai dizer que eu não entendi a sua lógica, ou me provocar com alguma outra locução interessante.

        bom natal.

        Davi.


      • Isso é leitura superlativa sua. Em momento algum eu disse que existe apenas uma forma de interpretar a charge, nem que a minha interpretação é A Verdade. É claro que existem outros modos de interpretar a mesma charge.

        Seus “provavelmentes” também não procedem. E obrigado pelo desejo de bom natal, ainda que cristão eu não seja. Boas festas.


  45. As pessoas que mais reclamam que “vc deveria se indignar com isso e não com aquilo” são aquelas que não fazem absolutamente NADA!!!

    …como se indignação fosse ação. Muita gente se “indigna” com a corrupção e não fazem merda nenhuma.

  46. Rodrigo Diz:

    Há uma maneira simples (não exata, mas que já serve como direcionamento) de “quantificar” essa mobilização diante das várias formas de injustiça. Você está debatendo casos que tiveram suas repercussões via internet. E dois casos específicos que refletem duas causas gerais (homofobia/ agressão a animais). Abandone por um momento os casos e pense nas causas. Verifique como seus contatos no facebook se comportam frente às causas. Quando eu uso o meu universo de amigos do facebook, verifico que a tirinha do Dahmer não induz o pensamento da falácia, ela verifica um comportamento real de descaso com determinados problemas em relação à uma dedicação quase fanática a outros.
    Tenho relativamente pouco tempo de facebook, mas nunca recebi uma única mensagem do tipo “adote uma criança”, “apadrinhe uma criança”, “colabore com o combate à fome”. Por outro lado, recebo diariamente, várias sobre crueldade com animais, “ajude a encontrar um lar”, “adote”, etc, independente do caso do yorkshire.
    O tema da homofobia aparece vez por outra, mas tenho apenas dois amigos no facebook que postam sobre o assunto (tenho cerca de 90 contatos).
    Você tem o direito de dizer que no seu universo as coisas sejam diferentes e que para cada pessoa que compartilhe fotos de cachorrinhos, há outra que manda mensagens sobre extinção da pobreza.
    Mas isso já mostra que o argumento (você deixa como pergunta, mas quer induzir à ideia) de que as coisas não podem ser mensuradas é ínválido.
    E completando, quem se preocupa com os cãezinhos pode se preocupar com a pobreza, com a discriminação e com os maus tratos aos animais (o cãozinho não tem nada a ver com maus tratos a animais, tem a ver com uma enfermeira louca). Mas essa preocupação sem ação ou manifestação é inócua.


    • Eu não quero induzir idéia alguma, nem afirmo que as coisas não podem ser mensuradas. É perfeitamente possível discutir “o que vale mais” em qualquer caso. A forma como os argumentos são apresentados é que, se forem falaciosas, prejudicam qualquer processo de entendimento e diálogo razoável. Sobre isso, falei no meu post seguinte.

  47. Thiago Takehara Diz:

    Muito bom o texto, parabéns! É uma observação pessoal, não sei se é tão corriqueiro quanto me parece, mas esse tipo de argumentação causa uma forte angústia em muitas pessoas, que se sentem na obrigação de “escolher” um lado ou se defender por ter “escolhido o lado certo”.
    O ato violento da enfermeira contra o cãozinho gerou uma série de reações, e uma delas me impressiona muito: a de pessoas que clamam por justiça, mas não a justiça segundo a legislação vigente, e sim uma justiça baseada em opiniões pessoais, sugerindo inclusive pena de morte e aplicação de “Lei de Talião”. Você já escreveu algum artigo sobre isso?

    Um abraço, e parabéns!


    • A reação violenta de muita gente em relação à violência da enfermeira é certamente um tema interessante. Mas não escrevi sobre ele. Muita gente boa escreveu sobre isso, achei que seria redundante. Talvez no futuro eu volte a abordar isso, até porque este tipo de reação é muito comum.

  48. Virginia Abreu de Paula Diz:

    Estou maravilhada. Um dos mais importantes textos da atualidade, sem exagero. A falsa escolha é como o velho sofisma tão usado pelos politicos. Partem da premissa errada e chegam no resultado errado. Isto está tão entranhado que, aqui mesmo, há muitos exemplos nas postagens. Pessoas que começam dizendo que concordam mas…e aí entra a falsa escolha. Claro que aqueles que vivem isso não poderiam mesmo gostar do texto. Ele coloca o dedo nas feridas. Lembro que, recentemente, durante a parada gay, vi vários comentários preconceituosos de pessoas dizendo que era um absurdo tanto sucesso na parada enquanto a marcha contra a corrupção estava vazia. Não percebem que uma coisa nada tem a ver com a outra. Por que não criticam que há tanta gente andando nas ruas e não foram protestar? Por que a grande quantidade de pessoas numa parada gay é que incomoda? Tenho por mim que se trata de intolerancia aos gays. Assim como a reação contra a indignação de muitos contra o crime da enfermeira, tem origem no especismo. No fundo, estão dizendo: “animais são seres inferiores e não merecem nem mesmo nossa piedade. Não carece nos indignarmos com alguém que os maltratam. Só os seres humanos tem direito a receber nossa indignação quando são abusados”. O mais engraçado é quando dizem insinuam que o problema está na quantidade. Isto é, se uma ou duas pessoas protestassem, tudo bem. Mas, tanta gente assim! Não percebem o absurdo desse sentimento. Vemos que incomoda saber que há mais gente atualmente consciente que qualquer violencia, contra quem quer que seja, é inceitável. E aqui entro no assunto da violencia de alguns indignados, pedindo pena de morte e outros absurdos. Para mim, são tão violentas quanto os que agridem. Vejo isso não apenas quando animais são maltratados. Vejo pessoas que chegam mesmo a cometer linchamento se algo é feito com crianças. E acham certo. Mas, é mesmo um outro assunto. Quando a ninguém se importar com videos mostrando galinhas sendo mortas, digo que não é assim. Recentemente mostraram exatamente isso como parte de um reality show da Record. E choveu protestos, inclusive o meu. Antes de encerrar apenas gostaria de dizer que não há hipocrisia alguma quando alguém luta em defesa de cavalos, por exemplo, e come carne de boi. Hipocrisia é dizer uma coisa e fazer outra. Se uma pessoa luta pelos cavalos e come carne de cavalos, então seria hipocrisia. Fora isso, a pessoa apenas ainda não se tocou que podemos viver bem sem comer carne, o que pode realmente demorar a acontecer. Felizmente a opçõ vegetariana tem aumentado. Mas, muitos que comem carne o fazem por acreditarem e com respaldo médico, que ficariam doentes com dieta de vegetais.

  49. Luiz Martini Diz:

    Quando eu fico indignado com maus tratos a animais, eu protesto em defesa dos animais!
    Quando fico indignado com um político corrupto, me manifesto contra o político e contra a corrupção.
    Quando fico indignado com a discriminação contra um homossexual, me manifesto contra o preconceito.
    Quando fico indignado com o apedrejamento da Sakineh, me manifesto contra o governo do Irã e as leis da Idade Média.
    A única coisa que não faço, é escrever laudas e mais laudas citando todas as mazelas do mundo, se NAQUELE MOMENTO estou protestando em relação a UM dos itens acima ou algum outro.
    Gente que na verdade nada faz por ninguém nem por causa alguma, e que nunca protesta contra a corrupção ou o que quer que seja, é que vem apontar o dedo e dizer “por que está protestando contra isso e não está protestando contra aquilo?”,
    estabelendo o falso dilema, como foi brilhantemente mostrado pelo autor.

  50. Livia Diz:

    Imaginem se TODO O MUNDO só se importasse com as crianças de rua. Apenas imaginem isso. Nossos filhos no futuro não iriam saber o que seriam baleias, golfinhos, araras, floresta Amazônica entre outras diversidades que estão por aí sofrendo risco. NADA mais disso iria existir, a não ser em livros escolares, porque TODO MUNDO só se importaria única e exclusivamente com crianças de rua. Ainda bem que existem pessoas que lutam por causas diferentes, que lutam para que pelo menos se controle a caça às baleias. Ainda bem que existem pessoas que lutam pelos portadores de AIDS. Ainda bem que existem pessoas que lutam por causas infinitas no mundo todo. Ainda bem.

  51. Yanê Diz:

    a despeito de todas as discussões acima, o texto está muito bem escrito, fico feliz em encontrar na internet gente que sabe escrever!


  52. Essas manifestações estão mais para escape que para solução ou posicionamentos. Acreditemos que nosso povo está carente de respostas e orfão quanto a tudo, tão maltratado que é engaja-se em toda e qualquer incitação que possa ser ativo, o que não ocorreria se fosse solicitado sua presença física. Em um post do blog “Carvão Vermelho” intitulado – Hipocrisia dos ativistas de araque” (internautas) há referências sobre tais situações onde fala mais alto a “Lei de Gerson” que muitos que aqui defendem A ou B, sempre agirão de acordo com seus interesses se a brasa não estiver na sua sardinha, inclusive o responsável pelo texto. É coisa de DNA cultural, até eu…


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