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	<description>omnia mutantur, nihil interit [tudo muda, nada inteiramente]</description>
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		<title>A intolerância religiosa como arma política</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Oct 2012 23:49:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexey Magnavita</dc:creator>
				<category><![CDATA[Religião]]></category>

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		<description><![CDATA[Não sou cidadão de Campina Grande. Não voto neste município. Mas nutro um carinho especial por esta cidade do interior da Paraíba, pois ano após ano sou convidado para integrar o corpo de palestrantes do tradicional Encontro da Nova Consciência. Este encontro, de natureza multicultural, reúne anualmente pessoas das mais diversas religiões: católicos, umbandistas, budistas, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=devir.wordpress.com&#038;blog=394699&#038;post=648&#038;subd=devir&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Não sou cidadão de Campina Grande. Não voto neste município. Mas nutro um carinho especial por esta cidade do interior da Paraíba, pois ano após ano sou convidado para integrar o corpo de palestrantes do tradicional Encontro da Nova Consciência. Este encontro, de natureza multicultural, reúne anualmente pessoas das mais diversas religiões: católicos, umbandistas, budistas, espíritas, evangélicos, hinduístas, dentre tantos outros. Reúne também pessoas que não têm religião &#8211; o também tradicional Encontro de Ateus e Agnósticos faz parte da pauta da Nova Consciência.<br />
Justamente por integrar este grupo de pessoas que defende o direito à crença (e à não crença), não posso me calar diante de mais uma tentativa asquerosa de usar o discurso da intolerância religiosa como recurso político. Já faz um bom tempo que este tipo de procedimento tem sido utilizado como recurso desesperado de ataque contra adversários políticos. E isso em nada beneficia a cidade, a população ou mesmo as religiões &#8211; quaisquer que sejam.</p>
<p>Num vídeo postado recentemente no youtube, vemos uma candidata à prefeitura, a médica Tatiana Medeiros [PMDB], visitando uma comunidade de uma religião afro-brasileira [não sei se Umbanda ou Candomblé, apesar de o vídeo afirmar que se trata de um terreiro de Candomblé]. Em 1 minuto e 18 segundos, surge uma legenda que diz: &#8220;Ela quer ser mãe de Campina. Mas o que ela é, é mãe de santo&#8221;. Eis o link para o vídeo:</p>
<p><span class='embed-youtube' style='text-align:center; display: block;'><iframe class='youtube-player' type='text/html' width='450' height='284' src='http://www.youtube.com/embed/DWHp-lneeMQ?version=3&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;wmode=transparent' frameborder='0'></iframe></span></p>
<p>O objetivo deste vídeo é claro: tentar prejudicar a imagem da candidata à prefeitura, Tatiana Medeiros, diante dos eleitores evangélicos, abundantes em Campina Grande. Sobre isso, tenho a dizer o seguinte:</p>
<p>1. Eu conheço Tatiana, e ela não é mãe de santo. Está VISITANDO uma comunidade religiosa, como visitaria qualquer outra que a convidasse. Mas e se ela fosse, e daí? A religião é uma escolha de foro íntimo, e um prefeito não governa para evangélicos ou para católicos ou para espíritas ou umbandistas. Um prefeito administra a cidade, e a cidade é composta por indivíduos das mais diversas religiões. E por indivíduos sem religião, também. O que importa, na avaliação de um candidato, não é a religião que ele professa. Não estamos elegendo pastores ou mães de santo. O que interessa, na avaliação de um candidato, são suas <strong>propostas e projetos</strong> para a cidade.</p>
<p>2. Se você é evangélico, não caia neste tipo de manipulação. Saiba que alguns políticos pensam que os evangélicos são todos uns idiotas manipuláveis. Estes políticos usam o discurso da intolerância religiosa para manipular vocês, criando situações de ódio religioso. Muitos se dizem evangélicos, mas apenas usam vocês como forma de adquirir poder neste mundo mesmo.</p>
<p>3. Não tenho a menor ideia de quem é o responsável por este vídeo caluniador. Não se pode afirmar que seja obra do rival de Tatiana. Mas eu não estranharia, considerando que ela cresce a cada dia nas pesquisas de intenção de voto. O desespero faz as pessoas jogarem sujo e tentarem de tudo para derrubar os adversários.</p>
<p>A Campina Grande, meu carinho e admiração, e aos cidadãos (religiosos ou não), meus respeitos. Que Campina Grande continue a ser este símbolo do respeito à liberdade religiosa neste nosso país tão vasto e rico.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/devir.wordpress.com/648/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/devir.wordpress.com/648/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=devir.wordpress.com&#038;blog=394699&#038;post=648&#038;subd=devir&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Carta Aberta aos Guerreiros Verdes</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Jan 2012 05:27:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexey Magnavita</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ambientalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Ecologia]]></category>
		<category><![CDATA[Alexey Magnavita]]></category>
		<category><![CDATA[Amazônia]]></category>
		<category><![CDATA[reality]]></category>

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		<description><![CDATA[Pessoal, Começa em breve nossa aventura que é mais do que um passeio na Amazônia. É uma aventura de transformação da consciência pela qual muitos deram o sangue antes de nós e vários se dedicarão depois que todos formos pó. Nesta aventura, nossa eventual autoimportância é diminuida pela grandiosidade daquilo pelo qual lutamos: um mundo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=devir.wordpress.com&#038;blog=394699&#038;post=623&#038;subd=devir&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Pessoal,</p>
<p>Começa em breve nossa aventura que é mais do que um passeio na Amazônia. É uma aventura de transformação da consciência pela qual muitos deram o sangue antes de nós e vários se dedicarão depois que todos formos pó. Nesta aventura, nossa eventual autoimportância é diminuida pela grandiosidade daquilo pelo qual lutamos: um mundo melhor para aqueles que vêm a seguir. Jogamos o melhor dos jogos: aquele em que todos ganham, principalmente quem nos assistir. Isso pode não ser evidente para muitos, que ainda jogam no velho paradigma e só conseguem enxergar padrões binários, em que um perde e o outro vence. Mas é esta a lição que viemos aprender e ensinar, a de que existem outros modos de batalhar e que vence não aquele que é o mais forte, nem o mais inteligente, nem o mais bonito, nem o que se expressa melhor, nem o mais calmo. Vencem todos por serem o que são e estarem abertos a cooperar com quem tem virtudes diferentes. Nesta aventura, sem cooperação estaríamos todos fadados ao mais redondo fracasso. Felizmente, aprendemos a beleza de um novo estilo de jogo. A floresta nos tocou, cada qual de um modo, seria impossível não tocar.</p>
<p>Sei que há medo: num mundo em que a baixaria dá audiência, será que nosso programa tão diferente irá agradar? Gosto de pensar que sim. Se serve de consolo, mesmo que não agrade (coisa que duvido), saibam de uma coisa que pouca gente sabe: ondas de rádio e TV viajam pelo Universo infinitamente. Estima-se que nossos programas de TV já tenham atingido mais de CEM estrelas (algumas das quais eu mostrei pra vocês na nossa saudosa prainha). Imaginem que daqui a milhares de anos uma civilização extraterrestre captará nossos programas e, dentre notícias de desgraça, violência e corrupção, eles se depararão com algumas pessoas lutando uma boa luta. Mesmo que extraterrestres nunca nos vejam, não lhes parece emocionante a idéia de que estaremos viajando eternamente para outras estrelas, e ainda por cima fazendo o bem?</p>
<p>Mas, saindo das estrelas e voltando para nosso pequeno mundo, tenho algo a dizer. Em muitos momentos nos zangamos uns com os outros, afinal estávamos num ambiente quente, em situações de stress. Podemos eventualmente ter falado coisas feias uns sobre os outros. Entretanto, passado o afã da emoção, temos ciência de que éramos todos pessoas de muito bom caráter com o coração cheio de entusiasmo. Em alguns casos, colocados de lados opostos, o que não significa nada, já que os dois grupos lutavam pelo mesmo ideal de um mundo que cuide melhor de nossas florestas. Pessoas com defeitos, pessoas que erram, mas, acima de tudo, gente disposta a aprender. Quando as eventuais raivinhas passam, o que sobra é a saudade. Saudade que eu aprendi a sentir com vocês! (por alguma estranha anomalia emocional, eu pouco me prendo ao passado, mas com vocês foi diferente).</p>
<p>Se eu tenho favoritos nesta aventura? Claro que tenho, não vou mentir dizendo que não. Se eu me incomodo com os defeitos de alguns de vocês? Evidentemente que sim, mas não sou tolo a ponto de ignorar que meus defeitos não incomodam idem. Só que, vejam que coisa, é sem esforço algum que eu lembro das virtudes de vocês. E é assim que eu quero lembrar de todos: do lado bom. E é sobre isso que falarei, do que percebo de mais belo em vocês &#8211; em ordem alfabética, por uma questão de mania minha.</p>
<p><strong>Victor</strong> e <strong>Skaf</strong>, eu vou me permitir sair da ordem alfabética e colocar vocês no topo da carta por um motivo bem concreto: vocês foram mais do que um apresentador e um consultor. Diria que vocês foram (e são) duas espécies de anjos da guarda sem nada de diáfano ou etéreo: são de carne e osso. <strong>Victor</strong>, não consigo nem imaginar um apresentador melhor do que você, de tão enfiado até a alma que você é em questões ambientais. Não me escapou a percepção de que em vários momentos você queria estar ali conosco enfrentando os desafios ao invés de ficar só olhando e apresentando. E por mais de dez vezes todos nos pegamos pensando &#8220;o que o Victor faria?&#8221;. Veja só o que você fez conosco, virou referência de consciência! <strong>Skaf</strong>, pode até não ter parecido, mas eu só não me borrei de medo em várias ocasiões por conta da profunda segurança que você transmitia. Confiar em sua experiência foi o primeiro passo para que eu pudesse enfrentar vários demônios. Há poucas coisas mais valiosas no mundo do que professores. Tenho imenso orgulho de ter sido, de vocês, aluno.</p>
<p><strong>Bianca</strong>, não sei se você se dá conta das implicações matemáticas do que você fez. Havia <strong>milhares de formas de você organizar as duas equipes</strong> com nós doze. Se duvida, pergunte a um matemático sobre arranjos em análise combinatória <img src='http://s0.wp.com/wp-includes/images/smilies/icon_biggrin.gif' alt=':D' class='wp-smiley' />  Dentre todas estas possibilidades, uma em especial emergiu: a que você fez acontecer. Eu não tenho palavras para expressar minha gratidão por sua sensibilidade. <strong>Debora</strong>, você como co-mãe fez nosso sofrimento ficar mais suportável. <strong>Galera que coletou depoimentos,</strong> como vocês nos aguentaram? Isso é vocação sacerdotal!</p>
<p>Voltando então para a ordem alfabética com meus parceiros de aprendizado:</p>
<p><strong>Allen</strong>, meu velho, sua determinação é inspiradora. Se eu um dia tiver que estar em qualquer desafio muito difícil, quero ter você ao meu lado. Você é uma pessoa que veio ao mundo para fazer acontecer, e não para esperar que as coisas sejam feitas. Gente assim muda o mundo. E sorte nossa que você está do lado do bem!</p>
<p><strong>Carol (Magalhães)</strong>, você foi a primeira a entrar no meu coração. Talvez por irradiar tão poderosa baianitude que me fazia sentir em casa. Você tem virtudes óbvias: é sincera, diz tudo o que pensa na cara da pessoa. Forte você é, sem dúvida. Mas eu não me deixo enganar por qualidades óbvias, que qualquer um vê. Sua maior virtude eu vi: é se importar com os outros e ser sensível ao sofrimento alheio. Num mundo como o nosso, nenhuma compaixão será pequena. Seu pai, estou certo, explodiria de orgulho ao constatar o que você se tornou. E eu, então, estou todo vaidoso por ter me tornado seu amigo.</p>
<p><strong>Carolzinha (Zoccoli)</strong>, acho que você é uma das figuras mais importantes deste programa por várias razões. Eu poderia fazer uma lista, mas vou me ater a dois aspectos. Em primeiro lugar, você dispõe do instrumental correto para fazer as pessoas pensarem: o humor. Há tão pouco humor na Filosofia, e você neste sentido é uma lufada de ar puro. Em segundo lugar, você é sempre profundamente honesta consigo mesma. Se não somos honestos conosco, como seremos com os outros? Esta é a mais poderosa lição que você me ensinou.</p>
<p><strong>Martha</strong>, nunca um corpo foi tão adequado ao espírito de uma pessoa. Você é alta, mulher, em todos os sentidos! Sua energia e entusiasmo são contagiantes. Por mais de uma vez você me tirou da lama – em vários sentidos, e sei que você vai entender. Assim como o Picuruta, você é puro coração, e isso já é sabido, pois se vê como você se importa com crianças carentes. Toda pessoa que se importa com os outros traz consigo mais do que si mesma. Traz o futuro.</p>
<p><strong>Mateus</strong>, mano, a parada foi sinistra! E por mais de uma vez eu me vi de queixo caído diante de sua dedicação e concentração silenciosa, sua capacidade de esforço dedicado, de persistência quando diante dos grandes desafios. Você é o tipo de pessoa que encara e faz o que precisa ser feito, se guiando por sua voz interior e por mais nada que não seja a sua convicção do que é correto. É senhor de seus caminhos. E, sendo assim, nos ajudou a desbravar trilhas bem difíceis. Nunca vou esquecer.</p>
<p><strong>Mel</strong>! Nem sei o que seria da gente sem a sua presença notavelmente calma, serena como as águas profundas de uma boa escorpiana. Dentre todos nós, apesar de ser a mais nova, foi a que demonstrou mais maturidade em diversos momentos. É como se você fosse um calmante natural e ambulante, trazendo paz onde eventualmente houve discórdia. Eu achei que iria sentir muita saudade de você, mas felizmente isso não se revelou verdade, já que só sentimos saudade do que se foi, e você veio pra ficar!</p>
<p><strong>Natália</strong>, você é a prova viva de que a beleza vem acompanhada de inteligência, elegância&#8230; e astúcia. Ao contrário do que pensam os mais caretas, a beleza não é uma &#8220;virtude menor&#8221;. Veja você que o próprio Budismo nos lembra que pessoas belas são melhor ouvidas, e que isso é altamente meritório. Agora imagine o tamanho do seu poder e de sua responsabilidade. As pessoas ouvem o que você diz. Nunca duvide disso. Use isso. Mude o mundo.</p>
<p><strong>Pampa</strong>, lembro bem que você foi a primeira pessoa que eu elogiei num depoimento. Repito aqui o que eu disse: por mais de uma vez, você demonstrou generosidade em momentos que o esperado seria que você se portasse como um competidor. E, a despeito de ter sua convicção religiosa, respeita claramente as crenças alheias. Você sintetiza o espírito cristão de acordo com o que Jesus esperaria, coisa rara neste mundo cheio de proselitistas. É um exemplo sob diversos sentidos. Estar ao seu lado é a prova viva de que um ateu e um evangélico podem trabalhar juntos.</p>
<p><strong>Picuruta</strong>, por mais de uma vez você me chamou carinhosamente de “Google” e de “cérebro” do grupo. Mesmo que isso possa ser um pouco verdade, não me escapa que você é o coração do grupo. Dos <span style="text-decoration:underline;">dois</span> grupos. E, creia-me, após muitos e muitos anos convivendo com gente muito inteligente, aprendi que gente de bom coração vale mais do que muitos cérebros juntos. Você talvez tenha sido a pessoa que mais me ensinou nesta aventura, e lhe sou muito grato por isso. Conte comigo sempre.</p>
<p><strong>Tarso, </strong>pode parecer surpreendente, mas a sua capacidade de observação silenciosa está muito longe de ser antipática. Você é o tipo de pessoa que a gente saca que está prestando atenção em tudo e que consegue facilmente acertar alvos. Se este reality tivesse um paredão, você não seria o primeiro emparedado, pelo menos não por mim. Ao contrário: você seria aquele para quem eu pediria alguns conselhos.</p>
<p><strong>Vivi</strong>, uma pessoa que se dispõe a lutar todas as batalhas que você luta só pode ter de mim o mais profundo respeito. Que me desculpe o Raul, mas acho que está na hora de ele ser conhecido como &#8220;o pai da Vivian&#8221;. Brincadeiras à parte, saiba que não me escapou a sua capacidade de se superar em vários momentos e em diversos sentidos. Você tem vibe de vencedora, e poder de remixar a vida, fazendo-a mais dançante. Precisamos de você.</p>
<p>Por fim, lembrem-se: o prêmio em dinheiro é o de menos. Neste reality, diferente de todos os outros, <strong>todos vencem.</strong> Vencemos no momento em que pusemos o pé na mata, no momento em que nos achamos. E é este encontro que viajará para as estrelas a partir de domingo, espalhando um pouco de amor neste Universo tão imenso e solitário.</p>
<p>Boa viagem pra todos nós!</p>
<p><a href="http://devir.files.wordpress.com/2012/01/21.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-631" title="" src="http://devir.files.wordpress.com/2012/01/21.jpg?w=300&#038;h=168" alt="" width="300" height="168" /></a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/devir.wordpress.com/623/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/devir.wordpress.com/623/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=devir.wordpress.com&#038;blog=394699&#038;post=623&#038;subd=devir&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
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		<title>Por que assistir o programa &#8220;Amazônia&#8221;?</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Dec 2011 23:40:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexey Magnavita</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ambientalismo]]></category>
		<category><![CDATA[comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Ecologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Ao longo da última década, a televisão foi tomada por uma profusão de reality shows os mais diversos e imagináveis. Na verdade a própria vida comum se tornou um grande reality, em que pessoas postam em tempo real o que estão fazendo, o que estão comendo, o que estão sentindo. O Big Brother não é [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=devir.wordpress.com&#038;blog=394699&#038;post=379&#038;subd=devir&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Ao longo da última década, a televisão foi tomada por uma profusão de <em>reality shows</em> os mais diversos e imagináveis. Na verdade a própria vida comum se tornou um grande <em>reality</em>, em que pessoas postam em tempo real o que estão fazendo, o que estão comendo, o que estão sentindo. O Big Brother não é nada perto do Facebook, onde – se a pessoa não se dá limites – é possível acompanhar inícios e fins de romances, brigas, acordos, triunfos, doenças e o que mais puder ser partilhado. Percebo que muitas pessoas torcem o nariz para o formato de <em>realities</em>, pois têm a idéia imediata de um programa que reúne gente sem conteúdo que se torna célebre apenas em decorrência da ingestão excessiva de álcool, ou por causa de namoros, intrigas e disputas. À parte esta imagem ter lá suas verdades, não creio que seja justo jogar o bebê fora com a água da bacia. Foi um <em>reality show</em> que nos permitiu conhecer, por exemplo, Jean Wyllys, Grazi Massafera e algumas outras pessoas que talvez não conhecêssemos melhor sem esta oportunidade.</p>
<p>Estréia no próximo dia 8 de janeiro às 23h30m o programa <em>Amazônia</em>, produzido pela Endemol e exibido pela TV Record. Eu, assim como onze outras pessoas, fomos convidados a participar desta experiência, que consiste na inserção na floresta amazônica com o objetivo de aprender lições importantes sobre sustentabilidade e diversidade cultural/ambiental. Não, não se trata de uma imitação de <em>No Limite</em>, a proposta não era “sobreviver na selva” e ninguém comeu nojeiras. Trata-se do primeiro <em>reality show</em> em que o personagem principal não são as pessoas.</p>
<p>O personagem principal é <strong>o lugar.</strong></p>
<div id="attachment_389" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://devir.files.wordpress.com/2011/12/375289_10150547685924913_671249912_10474417_361130698_n1.jpg"><img class="size-medium wp-image-389" title="" src="http://devir.files.wordpress.com/2011/12/375289_10150547685924913_671249912_10474417_361130698_n1.jpg?w=300&#038;h=189" alt="" width="300" height="189" /></a><p class="wp-caption-text">Da esquerda para a direita: Alexandre Salazar (campeão de surf), Pampa (campeão olímpico de vôlei), eu, Victor Fasano (apresentador de &quot;Amazônia&quot;), Marcelo Skaf (biólogo e consultor do programa), Natália Guimarães (apresentadora e Miss Brasil 2007), Mel Ravasio (cantora da banda Lipstick), Martha Sobral (campeã de basquete), Vivian Seixas (DJ), Tarso Marques (piloto), Carolina Magalhães (atriz)</p></div>
<p>Esta é a primeira vez que um <em>reality</em> aposta num formato de jogo em que todos ganham. Evidentemente, haverá um vencedor que ganhará um prêmio em dinheiro. O “ganho”, contudo, é mais amplo: não importa quem seja o vencedor, metade do prêmio será doado para uma fundação ambientalista e para uma comunidade ribeirinha. Além disso, a Amazônia, sua importância e os perigos que enfrenta serão mais conhecidos não apenas pelo povo brasileiro, como também por pessoas de outros países (o programa será exportado).</p>
<p>Este <strong>conhecimento</strong> constitui um ganho inigualável. E, por isso, digo que todos nós que participamos deste <em>reality</em> já ganhamos: o que aprendemos ficará conosco para o resto da vida. Os espectadores também ganharão – em cultura, informação, aprendizado. Um dos maiores choques ao adentrar na floresta não foram os desafios naturais de temperatura, animais etc. Um dos maiores choques, sem dúvida, foi a <strong>constatação da ignorância</strong> que temos em relação a quase tudo o que envolve a floresta Amazônica. Mal temos noção de sua biodiversidade, pouco conhecemos realmente do estilo de vida das tribos indígenas e das populações ribeirinhas. O povo brasileiro em geral conhece mal a Floresta Amazônica.</p>
<p>Diante de todo o exposto, convido meus leitores a assistir <em>Amazônia</em> todo domingo às 23h30m, na TV Record. Creio que o programa satisfará diversos gostos: tem sua quota de desafios e “estresses” que caracterizam os <em>realities</em>, mas acima de tudo é um programa educativo como há muito não se fazia na TV aberta.</p>
<p>Para quem torcer? Vamos torcer pelo décimo-terceiro personagem: <strong>a Amazônia</strong>.</p>
<p>Mas quem quiser torcer por mim, eu não reclamo  <img src='http://s0.wp.com/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' /> </p>
<p><a href="http://entretenimento.r7.com/amazonia/participantes/alexey-magnavita/" rel="nofollow">http://entretenimento.r7.com/amazonia/participantes/alexey-magnavita/</a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/devir.wordpress.com/379/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/devir.wordpress.com/379/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=devir.wordpress.com&#038;blog=394699&#038;post=379&#038;subd=devir&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Indignação e proporcionalidade</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Dec 2011 03:00:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexey Magnavita</dc:creator>
				<category><![CDATA[comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>

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		<description><![CDATA[A despeito de haver muita falta de educação e trollagem em comentários de blogs, costumo na medida do possível ler todos (ou, ao menos, a maioria) a fim de verificar o que as pessoas entenderam do que escrevi. Se há mais mal entendidos do que bem entendidos, é muito provável que eu tenha cometido alguma [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=devir.wordpress.com&#038;blog=394699&#038;post=370&#038;subd=devir&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>A despeito de haver muita falta de educação e trollagem em comentários de blogs, costumo na medida do possível ler todos (ou, ao menos, a maioria) a fim de verificar o que as pessoas entenderam do que escrevi. Se há mais mal entendidos do que bem entendidos, é muito provável que eu tenha cometido alguma falha na explicação. Em linhas gerais, creio que boa parte das pessoas entendeu, a partir do meu último post, o que é uma &#8220;falácia do falso dilema&#8221;. Ainda assim, creio ser pertinente abordar um ponto bastante repetido nos comentários: o problema da proporcionalidade.</p>
<p>Quem merece mais a nossa indignação? Um cão assassinado? Um gay torturado? Um negro vítima de racismo?</p>
<p>Antes de prosseguir, devo dizer que se pareço ignorar alguns pontos trazidos por outras pessoas, isso é proposital. Se eu for abordar tudo o que pode ser pensado no caso do assassinato do yorkshire, ou no caso de Alexandre Ivo (usados como exemplos), escreverei um livro com capítulos. Mas a idéia central destas postagens tem um propósito que transcende os casos apresentados. Lembrem-se: estou a falar de <strong>falácias argumentativas</strong>. Não me interessa, no presente momento, especular sobre coisas outras, ainda que eu as ache interessantes e pertinentes. O que não significa de forma alguma que eu tenha abandonado tais questões. Afirmar o contrário é <strong>exatamente</strong> a falácia do falso dilema: falas de A, mas não falas de B? A resposta é muito simples: quem disse que não falarei de B? Eu poderia falar sobre os perigos da barbárie, das reações que nos igualam aos algozes que criticamos, mas já tem muita gente boa fazendo isso. Eu poderia discorrer longamente sobre a diferença de impacto psicológico existente entre <strong>ver</strong> uma agressão e simplesmente ler sobre ela, mas deixarei este tema pra depois.</p>
<p>Se uma coisa o estudo da Filosofia me ensinou é a trabalhar com restrição de tema. Caso contrário, é muito fácil e tentador transformar um tema numa conversa de bar: você começa a falar em energia nuclear e, trinta minutos depois, se vê discursando sobre a queda de Atlântida.</p>
<p>Assim sendo, vamos aos pontos que, creio, merecem ser melhor trabalhados:</p>
<p>Não há erro algum em lembrar que, além de cães maltratados, vacas e galinhas, coelhos, ratos e outros animais muitas vezes sofrem em criadouros, processos de abate e laboratórios.</p>
<p>Não há erro algum em lembrar que, além de animais maltratados, há muita violência e descaso realizado contra vidas humanas.</p>
<p>Não há erro algum em lembrar que, além das passeatas por direitos humanos, as pessoas precisam se preocupar com várias outras questões.</p>
<p>Me parece perfeitamente razoável aproveitar a deixa da cena do cão maltratado para dizer às pessoas: &#8220;se você se indigna com isso, vai ficar mais indignado ainda se porventura vir o que alguns lugares fazem com vacas e galinhas&#8221;. Ou dizer: &#8220;gostaria de ver esta indignação contra a violência ser aplicada também a casos de violência contra negros, gays, travestis, religiosos etc&#8221;.</p>
<p>Não há nada de errado nisso.</p>
<p>O problema, eu diria, é a forma como o argumento é geralmente apresentado, e o problema da forma &#8211; ironicamente &#8211; ultrapassa a mera formalidade. A forma como apresentamos um argumento faz toda a diferença na relação com nosso interlocutor &#8211; considerando, evidentemente, que o intento é convencer o outro. E me parece razoável supor que, quando escrevemos ou falamos, queremos convencer o outro daquilo que dizemos. Todavia, a depender de como o argumento seja apresentado, ele não apenas não convence, como cria reações de defesa imediata. <strong>A idéia pode estar correta, e o argumento ser ruim</strong>.<br />
<strong>Este é o ponto</strong>. O que eu vejo em muitos lugares são algumas pessoas dizendo: &#8220;HIPÓCRITAS! Diz que se importa com o cão, mas nem liga pra vacas e galinhas que sofrem diariamente nos abatedouros etc, etc&#8221;, ou &#8220;Meu total desprezo por quem se emociona com a morte de um cão, mas não liga para mendigos&#8221;.</p>
<p>A má apresentação de um argumento pode destruir totalmente a razoabilidade de uma idéia. Freud acertou esplendidamente em uma coisa: o mal entendido é a regra na comunicação humana. Ora, o que vejo em todas essas acusações e argumentos falaciosos dirigidos contra quem &#8211; por um motivo ou outro &#8211; se indigna com a violência cometida contra X ou contra Y é uma cisão entre potenciais aliados. Uma das discussões mais sem sentido que presenciei, meses atrás, versava sobre quem era mais oprimido: gays ou negros? Nem é preciso dizer como isso terminou: em briga, acusações mútuas entre bons militantes dos direitos humanos. A que serve este tipo de discussão? E se é para ela ser feita mesmo assim (já que tudo se discute), não custa muito conter os dedos e refletir antes de apresentar um argumento. Dizem que a internet faz as pessoas lerem mais. Não concordo. O que eu noto é que a internet possibilita que as pessoas escrevam mais &#8211; o que é bom, e seria melhor ainda se houvesse mais critério e ponderação em relação ao que digitamos.</p>
<p>Se foi preciso que um cão morresse para que nos revoltássemos contra a violência, isso pode ser aproveitado. A indignação pelo sofrimento alheio &#8211; seja um cão, um menino gay, um negro, um mendigo, uma mulher espancada &#8211; é sempre legítima. Levar o debate para quem &#8220;vale mais&#8221;, se um cão ou um ser humano, não me parece funcional. Não é o ser externo que está sendo valorado. O que está sendo valorado é a indignação, tão necessária em tempos em que a violência ainda faz parte de nossa rotina. Não vejo algumas indignações como melhores do que outras. Eu vejo o próprio ato de indignar-se como uma vacina contra a idiotia.</p>
<p>&#8220;Idiota&#8221; era um termo utilizado pelos gregos antigos para definir uma pessoa que agia como se fosse alheia à vida pública (nota: isso é muito bem abordado por meu orientador de mestrado, Renato Janine Ribeiro, em seu livro &#8220;Política para não ser idiota&#8221;). De fato, ainda hoje há pessoas que não se comovem com nada, não se indignam com nada, e vivem em função de seus próprios problemas. Jamais lamentam pelo sofrimento alheio, e dedicam toda emoção a coisas como &#8220;minha TV não está funcionando bem&#8221;, e isso se torna a coisa mais importante do mundo.</p>
<p>Quando vejo alguém se indignar contra a violência, seja ela qual for, acho fantástico, acho bom. Vejo nesta indignação um exercício de alteridade, de empatia. E penso: é possível expandir o campo de indignação desta pessoa para várias outras coisas. Ela é minha aliada. Nunca a tratarei como se inimiga fosse.</p>
<p>POST SCRIPTUM &#8211; uma amiga, Mônica Ismerim Barreto, transmitiu-me texto que demonstra de modo muito claro como TODAS as lutas se interligam. Leiam, é altamente instrutivo:</p>
<div id="id_4ef1502b84cda5620864660">‎&#8221;A primeira organização no mundo dedicada a combater maus-tratos na infância de que se tem notícia é a New York Society for the Prevention of Cruelty to Children &#8211; NYSPCC (Sociedade de Prevenção da Crueldade contra Crianças de Nova York), criada em 1894. A história desta instituição registra que para remover a menina chamada Mary Ellen, de 9 anos de idade, da casa dos pais adotivos, que a estavam maltratando severamente, o promotor responsável pelo caso teve de solicitar a ajuda da Sociedade de Prevenção à Crueldade aos Animais de Nova York. Como na época não existiam leis que dessem às autoridades o poder de retirar da guarda dos pais ﬁ lhos que fossem maltratados, o promotor foi obrigado a apelar para o fato de a menina também pertencer ao “reino animal”, conforme relatam os fundadores da instituição. Toda essa ação resultou na retirada da menina da casa dos pais adotivos, na colocação de Mary Ellen em um abrigo e na criação da Socievenção à crueldade contra as Crianças de Nova York (NYSPCC).&#8221; Guia escolar: métodos para identificação de sinais de abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes (p.12) <a href="http://itsbrasil.org.br/sites/itsbrasil.org.br/files/infoteca/uploads/Guia-Escolar_parte1_0.pdf" rel="nofollow nofollow" target="_blank">http://itsbrasil.org.br/sites/itsbrasil.org.br/files/infoteca/uploads/Guia-Escolar_parte1_0.pdf</a></div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/devir.wordpress.com/370/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/devir.wordpress.com/370/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=devir.wordpress.com&#038;blog=394699&#038;post=370&#038;subd=devir&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O cão, o garoto gay, o político corrupto</title>
		<link>http://devir.wordpress.com/2011/12/18/o-cao-o-garoto-gay-o-politico-corrupto/</link>
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		<pubDate>Sun, 18 Dec 2011 15:53:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexey Magnavita</dc:creator>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[retórica]]></category>

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		<description><![CDATA[Dentre as incontáveis falácias argumentativas que se infiltram em nossos discursos, uma em especial merece toda nossa atenção e carinho: o falso dilema. Ou, como prefiro chamar, a falácia da falsa escolha. Ela sempre surge quando, no discurso falado ou escrito, alguém insiste ou insinua que duas opções são mutuamente excludentes. Trata-se de um recurso [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=devir.wordpress.com&#038;blog=394699&#038;post=361&#038;subd=devir&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Dentre as incontáveis falácias argumentativas que se infiltram em nossos discursos, uma em especial merece toda nossa atenção e carinho: o falso dilema. Ou, como prefiro chamar, a <strong>falácia da falsa escolha</strong>. Ela sempre surge quando, no discurso falado ou escrito, alguém insiste ou insinua que duas opções são mutuamente excludentes. Trata-se de um recurso muito utilizado no jogo político, quando se tenta cooptar a população a fazer uma escolha entre A ou B, ainda que A e B não sejam as únicas opções reais.</p>
<p>Vale destacar, contudo, que as falácias argumentativas, sejam elas quais forem, não constituem necessariamente um procedimento intencional. A pseudológica se infiltra em nossa comunicação cotidiana, e mesmo o mais treinado dos filósofos pode incorrer em erro. Independentemente da intencionalidade, é sempre importante avaliar se um discurso é lógico. Trata-se da diferença entre ser ou não ser manipulado.</p>
<p>A estrutura do falso dilema é simples:</p>
<p>Ou A ou B. Se não A, logo B.</p>
<p>O senso comum aceita esta estrutura com bastante facilidade. Ela é totalmente falsa, entretanto.</p>
<p>Vamos a um exemplo real muito simples:</p>
<p>&#8220;Os paulistas são palmeirenses ou corintianos. João não é palmeirense. Logo, João é corintiano&#8221;</p>
<p>Notem que a estrutura seria válida, se de fato todos os paulistas fossem apenas palmeirenses ou corintianos. Mas não é verdadeira, pois existem paulistas santistas, flamenguistas, paulistas que não gostam de futebol e não torcem para time algum etc.</p>
<p>&#8220;Ou mantemos armar nucleares, ou seremos atacados&#8221;</p>
<p>Falsa escolha evidente: não ter armas nucleares <strong>não</strong> implica necessariamente em ser atacado.</p>
<p>Recentemente, por ocasião do vídeo que mostra uma enfermeira torturando e matando um cão yorkshire, viu-se uma comoção pública geral, em que muitas pessoas clamavam a importância de punir aqueles que maltratam animais.</p>
<p>É quase uma lei da natureza: sempre que alguém fala da importância de cuidar dos animais ou milita em prol dos direitos animais, surge alguém questionando por que as crianças de rua não são importantes, ou por que os militantes de direitos animais não se importam com racismo, homofobia, misoginia, ou [insira aqui a causa de sua preferência].</p>
<p>Trata-se de clara falácia do falso dilema:</p>
<p><strong>Ou</strong> direitos animais <strong>ou </strong>direitos humanos. Alessandra escolheu direitos animais, <strong>logo</strong> não escolheu os direitos humanos.</p>
<p>Este argumento é totalmente falso. O fato de uma pessoa sentir mobilização para lutar pela causa dos animais <strong>não</strong> significa que ela não se importe com os direitos humanos (e vice-versa). Qualquer tentativa de insistir nisso é maldosa e não tem lógica nenhuma.</p>
<p>Ainda na ocasião do assassinato do yorkshire, vi algumas pessoas lembrando que ano passado um adolescente (Alexandre Ivo) foi assassinado por motivação homofóbica. Estas pessoas reclamavam que, na ocasião, não houve a mesma comoção. Aqui, é preciso ter alguns cuidados: 1. Será que não houve a mesma comoção? Como quantificar isto? 2. Ainda que não tenha ocorrido a mesma comoção, isso não invalida (ou não deveria invalidar) a indignação contra o assassinato cruel do yorkshire.</p>
<p>Em essência, a afirmação poderia ser resumida da seguinte forma:</p>
<p>&#8220;Ao invés de se indignar com o assassinato do cão, vocês deveriam se indignar com o assassinato do garoto gay.&#8221;</p>
<p>ou</p>
<p>&#8220;Ao invés de se indignar com o assassinato do cão, vocês deveriam se indignar com o fato de que crianças estão nas ruas, morrendo de fome ou fazendo trabalho escravo.&#8221;</p>
<p>A charge abaixo foi uma das que mais vi ser publicada dias atrás, tanto no Facebook quanto no Twitter:</p>
<div id="attachment_362" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://devir.files.wordpress.com/2011/12/392013_2298236224336_1502041154_31785035_692692143_n.jpg"><img class="size-medium wp-image-362" title="" src="http://devir.files.wordpress.com/2011/12/392013_2298236224336_1502041154_31785035_692692143_n.jpg?w=300&#038;h=95" alt="" width="300" height="95" /></a><p class="wp-caption-text">Se A, então não-B = FALSO</p></div>
<p>Ora, não é verdade que quem se importa com animais abandonados não liga para injustiças sociais. Insinuações em contrário, ainda que engraçadas, são maldosas. O que acontece é bastante simples de entender: as pessoas, por motivações diversas, são mobilizadas com mais intensidade por algumas coisas.</p>
<p>Há quem sinta especial mobilização pelos direitos dos animais. Há quem sinta especial mobilização pela causa gay. Há quem sinta especial mobilização para lutar contra o machismo, o racismo etc. Uma coisa não exclui a outra, e não são os outros que devem determinar (sobretudo a partir de argumentos coercitivos e falsos) as causas pelas quais nos importamos.</p>
<p>Vamos voltar no tempo. Quando Alexandre Ivo (um garoto de apenas 14 anos) foi assassinado em decorrência de homofobia, vi um sem-fim de pessoas denunciando o caso, falando sobre a importância da criminalização da homofobia etc. Eu fui uma dessas pessoas. Foi sem surpresa alguma que vi algumas pessoas postarem argumentos de falsa escolha. Diziam elas: &#8220;a homofobia é um problema, mas é um problema menor. As pessoas deveriam se preocupar mais com a corrupção, com políticos corruptos&#8221;. Diante de um anúncio que conclamava as pessoas a marchar contra a homofobia, várias outras postavam: &#8220;por que não fazem uma marcha contra a corrupção?&#8221;.</p>
<p>Notem que este tipo de discurso não é &#8211; estruturalmente falando &#8211; nada diferente do que está implícito na charge que postei aqui. Se fossemos desenhar uma charge baseada no discurso &#8220;<strong>ou</strong> homofobia <strong>ou </strong>corrupção&#8221;, ela seria mais ou menos assim: de um lado, pessoas fazendo passeata contra a homofobia. Do outro, um político roubando a todos e ninguém ligando.</p>
<p>Mas por que lutar contra a homofobia implica em não ligar para a corrupção? E quem disse que militantes anti-homofobia não se importam com a corrupção? O que mede o &#8220;se importar&#8221;? Xingar muito no Twitter?</p>
<p>O fato é que, além da falsa escolha, somos acometidos por um tipo muito sinuoso de narcisismo. Achamos &#8211; perdão, fui delicado, na verdade nós temos certeza &#8211; que nossas escolhas, militâncias, atitudes são as melhores e mais importantes do mundo. E que o outro, seja lá quem for, não procede do &#8220;jeito certo&#8221; [evidentemente, o "jeito certo" é sempre o nosso].</p>
<p>Não me espanta, contudo, que o oprimido possa se converter em opressor, mas não deveria ser assim. Quem se lembra [eu lembro] das cobranças injustas que ocorrem sempre que se milita contra a homofobia, o machismo ou o racismo, não deveria fazer as mesmas cobranças injustas quando outras pessoas [por motivações pessoais e vontade real] militam pelos direitos animais.</p>
<p>Outro tipo de falso dilema é continuamente criado também por alguns militantes dos direitos animais. Vi alguns vegetarianos postarem que aqueles que se indignaram com o assassinato do yorkshire são hipócritas, já que comem carne de vaca, porco, galinha, peixe etc.</p>
<p>Notem o falso dilema:</p>
<p><strong>Ou </strong>você é vegetariano, <strong>ou</strong> não se importa com animais. Alex não é vegetariano, <strong>logo</strong> ele não se importa com os direitos animais.</p>
<p>Há alguma verdade quando se diz que quem se importa com os direitos animais deveria, sim, se importar com vacas, porcos, peixes, galinhas. O fato é que não necessariamente as pessoas se importam com os direitos de <strong>todos</strong> os animais, mas tão somente com os animais domésticos, com os quais estabelecemos vínculos afetivos. Neste caso, ainda assim não é verdadeiro se valer do argumento do ou/ou. Trata-se de uma diferença de grau de importância, e este grau de importância é passível de ser expandido com o tempo.</p>
<p>O que fica saliente, em todas estas celeumas, é o poder de afastar possíveis parceiros de luta a partir de discursos maldosos. Falácias lógicas costumam ter poder intimidatório, mas dificilmente se revelam funcionais quando queremos convencer alguém de algo. Qualquer pessoa minimamente inteligente percebe que está sendo sacaneada, e ergue defesas naturais, ainda que não consiga localizar exatamente onde está o erro no argumento do outro.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/devir.wordpress.com/361/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/devir.wordpress.com/361/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=devir.wordpress.com&#038;blog=394699&#038;post=361&#038;subd=devir&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Eu nunca disse que deus não existe</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Sep 2011 01:23:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexey Magnavita</dc:creator>
				<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu disse e repito, isso sim, que não acredito em sua existência. É diferente. Há diferença entre afirmar inexistência e não crer na existência, mas nem todo mundo entende a enorme diferença entre estas duas coisas. É muito difícil afirmar a inexistência de uma coisa, o que nos resta é crer ou não crer, a [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=devir.wordpress.com&#038;blog=394699&#038;post=349&#038;subd=devir&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Eu disse e repito, isso sim, que não acredito em sua existência. É diferente. Há diferença entre <strong>afirmar</strong> inexistência e <strong>não crer</strong> na existência, mas nem todo mundo entende a enorme diferença entre estas duas coisas. É muito difícil afirmar a inexistência de uma coisa, o que nos resta é crer ou não crer, a partir dos critérios que elegemos. A minha descrença, entretanto, precisa ser melhor pontuada: <strong>eu não creio, de jeito nenhum, na concepção pessoal que a maioria das pessoas e religiões têm de deus</strong>. Sendo direto: fizeram de deus um gênio da lâmpada de Aladin, com quem se estabelece relação comercial. Faço promessas, e ele me atende. Bajulo a divindade, e ela cura minhas doencas. No catolicismo isso toma uma forma até mais simpática, pseudomonoteísta, em que temos mais santos a ser venerados [e para quem podemos pedir coisas] do que os antigos gregos tinham deuses. Mas ao constatar isso, não sinto o outro [meu semelhante, que assim age] como ridículo, tolo ou estúpido. Compreendo perfeitamente o conforto e bem estar que alguém pode sentir ao rezar para uma imagem, ou para várias, entendo o sentimento de segurança que a pessoa tem ao dialogar internamente com aquilo que ela mesma chama de &#8220;força superior&#8221;. Comigo é diferente. Eu reconheço uma força superior em um monte de coisas: no presidente de um país, numa estrela supernova, na Constituição, na gravidade, na polícia. Há, evidentemente, coisas que são mais poderosas do que a minha vontade. A questão é que, no meu caso, nenhuma dessas coisas é metafísica.</p>
<p>Mas seria possível um mundo em que pessoas que crêem em coisas diferentes pudessem coexistir? Eu gosto de apostar no sim!</p>
<p>Por exemplo: compreendo perfeitamente que, quando alguém me diz &#8220;deus te abençoe&#8221;, é a forma que a pessoa usa para dizer que deseja o meu bem. Respondo &#8220;obrigado&#8221;, todas as vezes. Recentemente, a namorada ateia de um amigo ateu ficou seriamente doente. Em seu Facebook, vi diversas manifestações de solidariedade, e em muitas delas as pessoas diziam que estavam orando por ela. Em momento algum, vi meu amigo reclamando do que alguns ateus mais indignados chamam de &#8220;tolice da oração&#8221;. Eu o via, sim, agradecer. E não, ele não se tornou crente, ele estava sendo educado e, pelo que conheço, sinceramente grato pela cortesia das pessoas. Sei como é isso. Se adoeço e alguém diz que ora por minha recuperação, sinto gratidão, pois reconheço ser esta uma forma de me desejar o bem. Não, não acredito que a oração dos outros vá curar minhas eventuais doenças. Acredito, isso sim, que a oração faz bem a quem sente fé neste ato. Eu extraio bem estar de outros procedimentos: ouvir música e tomar um banho quente quase que invariavelmente me faz ficar melhor de qualquer mal estar.</p>
<p>Há manifestações de intolerância tanto em crentes quanto em ateus [embora, honestamente, eu as veja com mais recorrência entre crentes]. Darei um exemplo de ignorância nos dois casos:</p>
<p>Anos atrás, eu e um conhecido ganhamos um prêmio em dinheiro num jogo televisivo de perguntas e respostas. Meu conhecido é ateu declarado. Depois que ele ganhou o prêmio, choveram mensagens em sua página do Orkut, com argumentos do tipo &#8220;como você consegue não acreditar em deus depois dessa coisa maravilhosa que te ocorreu? Deixe de ser ignorante!&#8221;. Quer dizer: deus existe porque meu amigo soube responder corretamente as perguntas de um show de TV? Deus existe porque ele, meu amigo, foi privilegiado? Isso não me parece crer em deus. Me parece ser uma crença no gênio de Aladin.</p>
<p>Certa feita um padre muito meu amigo ficou indignado ao ver na TV um pagodeiro &#8220;agradecer a deus&#8221; pela venda de milhões de CDs. Não é apenas porque parecia uma heresia supor que deus se dispôs a auxiliar na venda de CDs de músicas de gosto sofrível. A indignação de meu amigo padre era a mesma que eu, em minha descrença, tinha: as pessoas pegam um conceito grandioso [deus] e o convertem egocentricamente numa força mágica que existe para nos servir, nos dando carros, casas e ajudando a vender CDs de pagode. Note: não é diferente de imaginar que deus curou o seu câncer porque você lhe fez promessas. Se assim fosse, não seria deus, seria um comerciante cósmico que vive à base de venerações. Pergunta: por que curou o SEU câncer, mas não o de outra pessoa? Não responda que é porque VOCÊ tem fé e a outra pessoa não, pois tal resposta é totalmente falaciosa. Ela torna deus exatamente o que eu disse: um comerciante que precisa de veneração para escolher uns em detrimento de outros. Se você pensa assim, adivinhe só: o seu conceito religioso não é nada diferente do de povos que você chama de &#8220;primitivos&#8221;.</p>
<p>Além disso, acreditar que deus escolhe uns em decorrência de promessas e fé em detrimento de outros pode ser decepcionante. Muitas das pessoas que sofrem desgraças abomináveis são cristãs fervorosas. Lembro de uma senhora em Salvador que vivia em função da caridade, era católica devota, e morreu espancada depois de ser estuprada num estacionamento. E lembro de ateus que tiveram vidas felizes e morreram confortavelmente.</p>
<p>Já vi demonstrações de ignorância ateista [felizmente, foram poucas, comparadas ao nível de ódio que vejo em fanáticos religiosos]. Certa feita, fui criticado por um senhor que diz representar ateus. A razão da crítica? Ele descobriu que eu, no enterro de um amigo, dei as mãos para os pais dele e rezei o Ave Maria. Ora, rezei mesmo! E rezaria de novo! Se o fiz, não foi por crer na Virgem Maria, mas por estar num contexto em que tal ritual estava sendo realizado, eu ali estava e quis participar de um ato que, sei, confortaria &#8211; ainda que minimamente &#8211; os pais do meu amigo. Fui acusado de &#8220;trair meus ideais&#8221;. Mas que ideais? Eu não tenho &#8220;ideais antireligiosos&#8221;! Eu estava num ambiente religioso. Rezar o Ave Maria, para mim, tinha o mesmo significado de declamar uma poesia qualquer. E ser gentil com aquelas pessoas, naquele momento, era para mim muito mais importante do que bater pé e dizer:</p>
<p>- Desculpe, não vou dar as mãos para vocês e não vou rezar o Ave Maria porque vocês sabem, né? Não acredito nisso.</p>
<p>É preciso muito cuidado quando falamos em deus. O que significa esta palavra? Numa palestra na Escócia, Carl Sagan foi interpelado por um ouvinte que lhe disse &#8220;Deus existe e é muito fácil de perceber. Deus é amor, e o amor existe&#8221;. A frase é bonita, mas eu acho a resposta de Sagan muito melhor: prefiro chamar o amor de amor, e deus de deus. Chamar uma coisa de outra não passa de jogo de palavras, e admito que este tipo de malabarismo causa muito impacto e comove as pessoas. Eu acredito no amor. Mas dizem de deus que ele é onipresente e, lamento dizer, o amor não é onipresente. Há situações e circunstâncias em que não há amor nenhum presente, a não ser que você seja adepto do pensamento agostiniano que insiste em dizer que &#8220;há, sim, mas somos incapazes de ver&#8221;. Este argumento de Agostinho demanda fé, e aqui entramos num círculo vicioso que não é diferente do conto da roupa inexistente que deixava o rei nu, mas que &#8211; em tese &#8211; apenas os honestos podiam vê-la, de modo que todo mundo fazia de conta que via, para não passar por desonesto. Mas o rei estava ali, peladão. Perdão, mas se uma criança é estuprada, eu não vejo amor algum presente e me recuso a dizer que &#8220;deus tem desígnios que desconhecemos&#8221;. Acho ofensivo, acho de uma resignação repugnante. Tampouco as outras explicações metafísicas me atraem: karma expiado de vidas passadas me parece a mais enrolada desculpa para aceitar as misérias desta vida. Não serve para mim, lamento.</p>
<p>Espinosa, por exemplo, dizia que &#8220;deus é a natureza&#8221;. Notem que ele foi excomungado por dizê-lo, e foi considerado ateu por isso, mesmo falando que deus existe. É porque &#8220;ateu&#8221;, durante grande parte da história, significou simplesmente &#8220;aquele que não acredita em deus do mesmo jeito que eu acredito&#8221;. Bem, devo dizer que se deus é a natureza, como dizia Espinosa, então eu acredito em deus. Mas ainda prefiro o posicionamento de Sagan: chamemos a natureza de &#8220;natureza&#8221;. Já está de bom tamanho.</p>
<p>Notem que a todo momento estou falando de ideias que sei que existem, e a todo momento digo que elas não servem para mim. Estou ciente de que muitas pessoas crêem nestas ideias, inclusive alguns amigos muito queridos meus. Eles sabem que não os acho ridículos ou burros. E eles também não me infernizam com a obsessiva insistência de que eu devo crer, aceitar tais ideias.</p>
<p>Algumas pessoas se angustiam muito com a possibilidade da inexistência de deus. Dizem que se nada tem sentido, não faz sentido viver. Discordo. Na verdade, esta é a minha mais profunda alegria: se nada tem um sentido <em>a priori</em>, eu &#8211; como ser racional &#8211; tenho o dever ético de <strong>construir sentidos</strong>. Se não existe um &#8220;bem supremo metafísico&#8221;, nós &#8211; na condição de &#8220;animais inteligentes&#8221; &#8211; temos a oportunidade de discernir o certo do errado [nem sempre é tarefa fácil], e procurar fazer deste mundo um lugar que valha a pena existir. E a longa jornada começa com a recusa em mergulhar no sentimento do ódio pelo outro que crê [ou não crê] em coisas diferentes das suas.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/devir.wordpress.com/349/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/devir.wordpress.com/349/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=devir.wordpress.com&#038;blog=394699&#038;post=349&#038;subd=devir&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A Marcha do Estado Laico</title>
		<link>http://devir.wordpress.com/2011/08/15/a-marcha-do-estado-laico/</link>
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		<pubDate>Mon, 15 Aug 2011 23:02:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexey Magnavita</dc:creator>
				<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[laicidade]]></category>

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		<description><![CDATA[No próximo dia 21 de agosto, domingo, ocorrerá em São Paulo a Marcha do Estado Laico, na Avenida Paulista. A concentração ocorrerá na Praça do Ciclista, próxima ao metrô Consolação, tendo início às 14:00 e sairá em direção ao shopping Paulista às 16:00 com todos os presentes. Algumas pessoas podem questionar qual o sentido e [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=devir.wordpress.com&#038;blog=394699&#038;post=340&#038;subd=devir&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>No próximo dia 21 de agosto, domingo, ocorrerá em São Paulo a Marcha do Estado Laico, na Avenida Paulista.</p>
<div>A concentração ocorrerá na Praça do Ciclista, próxima ao metrô Consolação, tendo início às 14:00 e sairá em direção ao shopping Paulista às 16:00 com todos os presentes.</div>
<p>Algumas pessoas podem questionar qual o sentido e importância desta marcha, afinal o Brasil é &#8211; segundo consta &#8211; um Estado Laico. Por que então pleitear algo que já é real?</p>
<p>Eis o ponto: a laicidade em nosso país é um fato, mas muitos políticos andam esquecendo disso. Valem-se de argumentos religiosos para propor ou vetar leis e projetos. Esta marcha é para lembrar a estes senhores que eles não estão sendo pagos para trabalhar por uma seita religiosa, seja ela qual for. Eles estão sendo pagos para trabalhar por um PAÍS. Um país de católicos, espíritas, umbandistas, evangélicos, budistas, hinduistas, muçulmanos, espiritualistas e também um país de quem escolheu não ter religião alguma.</p>
<p>Estado Laico não é Estado ateu, como alguns confundem. A religião e a religiosidade fazem parte das tradições do Brasil, e isso deve ser respeitado. Não propomos uma marcha para agredir religiões, muito pelo contrário. O Estado Laico é a garantia de que você PODE escolher a sua religião, ao invés de ser obrigado a seguir algo que lhe imponham [incluindo os preceitos].</p>
<p>Infelizmente não poderei participar da Marcha, pois estou fora do país. Mas amo meu país e acredito que seja importante RELEMBRAR os ideais da laicidade, principalmente um: é perfeitamente possível defender idéias se valendo unicamente da razão, sem apelar para argumentos de terror religioso que segregam quem escolhe não fazer parte desta ou daquela seita. Por acreditar nisso, não apenas doei dinheiro para a realização deste evento, como também o estou divulgando.</p>
<p>A Marcha NÃO tem vinculações partidárias e está sendo organizada por um grupo de cidadãos que possuem as mais diferentes preferências políticas e religiosas. Os organizadores são: <a href="http://www.facebook.com/profile.php?id=100000076856257">Rodrigo Cruz</a>, <a href="http://www.facebook.com/profile.php?id=100000509255862">André Baliera</a>, <a href="http://www.facebook.com/marcelogerald">Marcelo Gerald</a>, <a href="http://www.facebook.com/profile.php?id=100001357211434">Marlon Mutton</a>, <a href="http://www.facebook.com/profile.php?id=100001586731916">Sacha Kontic</a>, <a href="http://www.facebook.com/thiago.costackz">Thiago Cóstackz.</a> Entidades religiosas confirmaram presença no evento, demonstrando terem compreendido o objetivo da Marcha. Reforçar a separação entre Estado e religião não é desrespeitar a religião. Ao contrário! É garantir que nosso país não seja dominado por discursos totalitários e por uma política feita por fanáticos.</p>
<p>Esta Marcha demanda CUSTOS, que não são poucos, pois não se pretende fazer uma marcha amadora, e sim algo muito bem organizado e com estrutura: carro de som, faixas, cartazes, balão com gás hélio. Por isso, a organização criou uma vaquinha. Assim, as pessoas podem doar, ainda que pouco, a fim de que o evento seja realizado. Todos os gastos serão postados na página do evento no Facebook, e um eventual excedente será guardado para doação para grupo ou instituição que se disponha a defender os mesmos princípios de separação entre Estado e religião. E &#8211; por que não? &#8211; a realização de outra marcha do gênero em outra cidade.</p>
<p>Caso você possa e queira ajudar, segue o link para a vaquinha da Marcha:</p>
<p><a href="http://www.vakinha.com.br/VaquinhaP.aspx?e=104083" rel="nofollow">http://www.vakinha.com.br/VaquinhaP.aspx?e=104083</a></p>
<p>Caso não possa contribuir, mas queira ajudar, pode fazê-lo de duas formas:</p>
<p>1. Aparecendo na Marcha, caso more ou esteja em São Paulo no domingo, 21 de agosto.</p>
<p>2. Divulgando o link para a vaquinha.</p>
<p>Grato pela atenção,</p>
<p>Alexey Dodsworth</p>
<p>[mestrando em Filosofia Política pela Universidade de São Paulo]</p>
<p style="text-align:left;"><strong>Post scriptum &#8211; se você leu até aqui, creio que vale a pena dizer que estou perfeitamente ciente de um tipo de argumento muito utilizado contra a realização da Marca pelo Estado Laico. É o argumento que diz: &#8220;há coisas mais importantes&#8221;. E então a pessoa pergunta por que não realizar uma Marcha Contra a Corrupção, ou uma Marcha em prol de questões ecológicas, ou uma Marcha em prol da melhoria da qualidade de ensino etc. Sim, estas questões também são importantes. Mas é preciso tomar cuidado com a falácia da falsa escolha. Defender uma coisa e propor uma marcha NÃO SIGNIFICA impedir outras propostas e marchas. Assim sendo, resposta simples: se você acha que outra coisa é mais importante, ORGANIZE a marcha que você acha importante e a divulgue. Se a proposta me convencer, ajudarei na divulgação e no que mais for possível. Mas faça algo ao invés de tentar diminuir a importância da iniciativa alheia, ok?</strong></p>
<p style="text-align:left;"><strong>Post Scriptum II: seguem alguns exemplos ilustrativos de como alguns políticos pensam:</strong></p>
<p style="text-align:left;">Projeto de Resolução que determinada obrigatoriedade de leitura de versículo bíblico antes de cada sessão na Câmara dos Deputados (PRC 4/1999) e no Senado Federal (PRS 10/2007).</p>
<p><a href="http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=21630" rel="nofollow" target="_blank">http://www.camara.gov.br/p​roposicoesWeb/fichadetrami​tacao?idProposicao=21630</a></p>
<p><a href="http://www.senado.gov.br/atividade/materia/detalhes.asp?p_cod_mate=80322" rel="nofollow" target="_blank">http://www.senado.gov.br/a​tividade/materia/detalhes.​asp?p_cod_mate=80322</a></p>
<p>&#8211; Projeto de Lei (873/1999) que obriga leitura de versículos bíblicos antes de cada aula nas escolas públicas de SP</p>
<p><a href="http://webspl1.al.sp.gov.br/internet/download?poFileIfs=2480350&amp;%2F01_0873_1999_2480350.tif%22" rel="nofollow" target="_blank">http://webspl1.al.sp.gov.b​r/internet/download?poFile​Ifs=2480350&amp;%2F01_0873_199​9_2480350.tif%22</a></p>
<p>&#8211; Projeto de Lei (256/2011) que obriga todos estabelecimentos de ensino (públicos e privados) do Estado de SP a fixar crufixos em local e em tamanho de fácil visualização, em área de circulação.</p>
<p><a href="http://webspl1.al.sp.gov.br/internet/download?poFileIfs=22010914&amp;%2Fpl256.doc%22" rel="nofollow" target="_blank">http://webspl1.al.sp.gov.b​r/internet/download?poFile​Ifs=22010914&amp;%2Fpl256.doc%​22</a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/devir.wordpress.com/340/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/devir.wordpress.com/340/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=devir.wordpress.com&#038;blog=394699&#038;post=340&#038;subd=devir&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Probabilidade de erro</title>
		<link>http://devir.wordpress.com/2011/05/29/probabilidade-de-erro/</link>
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		<pubDate>Sun, 29 May 2011 01:46:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexey Magnavita</dc:creator>
				<category><![CDATA[política]]></category>

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		<description><![CDATA[Em minha última postagem, alertei para o fato de que estavam a espalhar material falso como sendo o material antihomofobia do MEC. Postei um link que mostrava o verdadeiro material, e comentei que não havia nada de errado ali. De fato, não há nada de &#8220;indecoroso&#8221;, mas pelo menos um dos vídeos parece escapar do [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=devir.wordpress.com&#038;blog=394699&#038;post=327&#038;subd=devir&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Em minha última postagem, alertei para o fato de que estavam a espalhar material falso como sendo o material antihomofobia do MEC. Postei um link que mostrava o verdadeiro material, e comentei que não havia nada de errado ali. De fato, não há nada de &#8220;indecoroso&#8221;, mas pelo menos um dos vídeos parece escapar do objetivo do material: <strong>combater a homofobia.</strong></p>
<p>Admito que tinha visto apenas três dos cinco vídeos do MEC, e fui na falsa confiança que a indução proporciona: se três estão bons, os outros dois também devem estar ok. Entretanto, quando assisti ao &#8220;Probabilidade&#8221;, pensei imediatamente: eis o pivô de todo este furdunço. Mas advirto: colocar toda a culpa do problema neste vídeo único é injusto. Por mais que os outros vídeos tenham qualidade técnica discutível, não se joga um cesto inteiro de maçãs no lixo porque uma delas estava um pouco estragada. Segundo notícias, a presidenta Dilma viu trechos do filme &#8220;Probabilidade&#8221; e resolveu vetar o material inteiro. Admito: se eu tivesse visto, também teria mandado vetar &#8211; não o material inteiro, mas este vídeo em especial. De todo modo, as notícias que nos chegam é que o material será refeito <strong>sem novo ônus</strong>. Fico feliz, pois tal material é muito importante em escolas. Não imagino este material &#8220;acabando com a homofobia no país&#8221;, mas é um bom passo.</p>
<p>Um dos argumentos mais recorrentes dos opositores ao PROJETO EM SI [entenda-se: que se opõem não a um vídeo ou outro, mas a QUALQUER material antihomofobia] é que a função de educar adolescentes é da família, e não da escola. Estou de acordo, em partes. Me parece que muita gente realmente se equivoca ao projetar para a escola e para o Estado a função educacional que cabe prioritariamente à família. Mas é delírio imaginar que um ser humano seja educado simplesmente por sua família. Ora, eu não sou mero produto da educação de meu pai e de minha mãe, longe disso. Nem eu, nem você. Somos educados pelos filmes que vemos, pelas camaradagens que fazemos, pelos livros que lemos, por nossas experiências fora do núcleo familiar. Nós somos bem mais do que o produto de nossos pais. A educação não é algo que se processa dentro de um núcleo protegido de modo que, fora de casa, nada nos afeta. A escola <em>também</em> tem responsabilidade no processo educacional de um adolescente.</p>
<p>E quanto ao Estado? Pois bem, a Constituição é clara: temos, todos, o direito ao estudo. E cabe ao Estado garantir as condições para que o estudo seja possível. Ora, o Estado <em>deve</em> garantir que crianças e adolescentes consigam estudar num ambiente onde exista segurança física e psicológica. Se um adolescente, por sua singularidade &#8211; seja lá qual for &#8211; não consegue frequentar o ambiente escolar em paz, um direito básico lhe está sendo negado. Daí a importância de materiais escolares antibullyig que sejam aplicados por professores bem treinados, num processo que envolve não apenas os adolescentes, mas também seus pais.</p>
<p>Sim, seus pais. Afinal, outro ponto que &#8211; me parece &#8211; está sendo esquecido é o seguinte: os pais têm responsabilidade jurídica pelos atos de seus filhos menores de idade. Estes pais têm que saber que existem coisas certas e erradas na convivência com outros seres humanos. É errado perseguir outra pessoa, pior ainda se o motivo for fútil. O pai tem que saber que será penalizado por eventuais agressões perpetradas por aquele adolescente que está sob sua responsabilidade.</p>
<p>Mas vejamos o video &#8220;Probabilidade&#8221;:</p>
<span class='embed-youtube' style='text-align:center; display: block;'><iframe class='youtube-player' type='text/html' width='450' height='284' src='http://www.youtube.com/embed/TEcra9BBOdg?version=3&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;wmode=transparent' frameborder='0'></iframe></span>
<p>Vou me permitir avaliar o vídeo. Não, eu não me acho melhor que a UNESCO, que aprovou o vídeo. Mas tenho o direito de dizer o que acho. Além do que, dar a entender que algo que a UNESCO aprovou é indiscutível não passa de argumento de autoridade muitíssimo mal aplicado. Avaliando, portanto:</p>
<p>1. Um garoto supostamente heterossexual muda de cidade e faz amizade com um garoto gay.</p>
<p>2. Eles são alvos de chacota dos outros colegas, porque andam juntos &#8211; até aí, exemplifica o tipo de situação que realmente ocorre. Há pessoas que pensam que, por andar com homossexuais, serão alvo de humilhação pública. Se o vídeo tivesse explorado este ponto, teria sido excelente, mostrando que duas pessoas podem ser amigas, independentemente de suas preferências afetivas e sexuais.</p>
<p>3. O garoto supostamente hetero se percebe sentindo atração por outro garoto e dá um beijo nele.</p>
<p><strong>INTERPRETAÇÃO NEGATIVA POSSÍVEL &#8211; </strong>o garoto hetero foi &#8220;contaminado&#8221; pela homossexualidade do amigo. Ou mesmo incorporou uma &#8220;homossexualidade de modinha&#8221; que, segundo muitos, ocorre por aí.</p>
<p><strong>INTERPRETAÇÃO POSITIVA POSSÍVEL -</strong> o garoto não era tão hetero assim e se sentiu confiante para experimentar coisas que ele, no fundo, queria.</p>
<p>Então, o garoto sente atração por um homem num dia, por uma mulher no outro, ainda declara que &#8220;não é de se interessar por qualquer um&#8221; [imagine se fosse!].</p>
<p>O vídeo conclui com a questionável constatação de que ser bissexual é mais vantajoso, pois as chances de conseguir alguém aumentam, e ainda tece o comentário se valendo de um erro na expressão da probabilidade que qualquer pessoa com habilidade mínima para Exatas detecta facilmente. Ora, isso é meio apologético, sim! Além disso, qual o objetivo desta pequena novela? Não deveria ser falar sobre preconceito homofóbico? Pois o preconceito homofóbico no dito filme é abordado apenas por alguns segundos. Todo o resto do filme não passa de uma novelinha de um garoto movido pelo poliamor. Nada contra. <strong>Mas o objetivo do material é ser contra o bullying homofóbico</strong>. Desviou da proposta. Repito: não vejo nada de indecoroso nesta novelinha. Só não entendo onde está, no vídeo, o combate à homofobia. <strong>A duração exata de tempo de vídeo que trata de bullying é de trinta segundos.</strong> Num vídeo de mais de sete minutos? Fora de foco.</p>
<p>Totalmente diferente é o vídeo &#8220;Encontrando Bianca&#8221;, em que uma transexual conta as dificuldades que sofre para poder estudar num ambiente em que nem todas as pessoas a aceitam. Este vídeo, sim, trata da questão das dificuldades em sala de aula e é muito pertinente, pois transexuais costumam sofrer muito mais perseguições. Uma pessoa pode ser homossexual e ocultar sua singularidade. Já a transexualidade, por sua própria natureza, envolve transformações corporais que tornam o indivíduo exposto:</p>
<span class='embed-youtube' style='text-align:center; display: block;'><iframe class='youtube-player' type='text/html' width='450' height='284' src='http://www.youtube.com/embed/fVGSrP-W3OM?version=3&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;wmode=transparent' frameborder='0'></iframe></span>
<p>A ideia de que gostar dos dois sexos é vantajoso e aumenta as probabilidades de se dar bem é falsa. Falsa, porque qualquer bissexual do sexo masculino sabe que, quando sua bissexualidade é exposta, sua chance com mulheres diminui consideravelmente. Por alguma razão, ter uma namoradA bissexual parece ser a fantasia de 9 entre 10 marmanjos [inclusive de homofóbicos, posto que sua homofobia parece envolver apenas homem com homem, e não mulher com mulher, tema constante em filmes que fazem o maior sucesso entre empolgados punheteiros] mas conto nos dedos a quantidade de mulheres que não ligam para a ideia de ter um namoradO que já fez e aprecia fazer sexo com outros homens. Se um homem tem sua eventual bissexualidade exposta, sua chance com mulheres diminui, não aumenta.</p>
<p>Ainda que o vídeo tivesse por objetivo tratar da bissexualidade, um fenômeno legítimo [a despeito de muitos gays insistirem que bissexuais de verdade não existem], poderia e deveria ter abordado o preconceito que bissexuais sofrem, tanto por parte de heteros quanto por parte de gays. Por exemplo: há preconceito na afirmação de que bissexuais são promíscuos, o que não é verdade. Muitas pessoas bissexuais, a despeito de sentirem igual preferência por ambos os sexos, mantêm relacionamentos monogâmicos. Uma de minhas amigas manteve relacionamento com um homem por cinco anos, e atualmente namora uma mulher há mais de sete. Nas duas relações, ela se manteve estável e fiel. Quando estava com o namorado, gostava dele. Agora, gosta da mulher.</p>
<p>O video &#8220;Probabilidade&#8221; faria alguém &#8220;se tornar&#8221; homo ou bissexual? Para usar um termo do próprio video: improvável! Esta &#8220;homossexualidade/bissexualidade de modinha&#8221; que muitos dizem existir até acontece, mas mais como experiências isoladas do que como um desejo que se define estruturalmente. Se um adolescente resolve experimentar o mesmo sexo pra &#8220;ver como é&#8221;, isso não o homossexualiza, assim como gays que experimentam o sexo oposto não se tornam heterossexuais em decorrência de tal experimentação.</p>
<p>Muito rebu, portanto, em torno de algo que poderia ser resolvido com muito mais calma e sem a comunicação grosseira e infeliz de nossa presidenta, que deveria saber que &#8220;opção sexual&#8221; é aquilo que temos quando vamos a prostíbulos e nos oferecem um cardápio dos corpos disponíveis. O termo correto é &#8220;orientação sexual&#8221;. Mas não acho que ela tenha falado por mal. Muita gente boa e despreconceituosa, até mesmo alguns gays usam o termo &#8220;opção sexual&#8221; por força do hábito.</p>
<p>Por fim, não sei se está claro para muitos que existe um lado muito bom em tudo isso: nunca se falou tanto destes videos. Eles estão na internet, estão na mídia. Será que é difícil compreender que <strong>não precisamos e não devemos esperar pelo Estado para estimular uma educação não-homofóbica?</strong> Assim sendo, lhe pergunto: o que você acha que pode fazer para colaborar pelo fim da homofobia?</p>
<p>Não precisa responder. Simplesmente aja.</p>
<p>P.S. &#8211; presidenta, estou puto.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/devir.wordpress.com/327/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/devir.wordpress.com/327/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=devir.wordpress.com&#038;blog=394699&#038;post=327&#038;subd=devir&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Gente Buliçosa</title>
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		<pubDate>Thu, 26 May 2011 23:22:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexey Magnavita</dc:creator>
				<category><![CDATA[cogumelos alucinógenos]]></category>
		<category><![CDATA[comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[DILMA POSSUIDA]]></category>
		<category><![CDATA[PISOU NO TOMATE]]></category>
		<category><![CDATA[SEQUESTRO]]></category>

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		<description><![CDATA[* este texto deve ser imaginado com fortissimo sotaque nordestino * Desde quando o povo brasileiro começou a se valer do anglicismo bullying para se referir ao ato de perseguir, humilhar e praticar violência física ou moral contra outra pessoa, dei-me conta de que, em verdade, o Nordeste já tinha nome pro negócio. A mesma [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=devir.wordpress.com&#038;blog=394699&#038;post=313&#038;subd=devir&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>* este texto deve ser imaginado com fortissimo sotaque nordestino *</p>
<p>Desde quando o povo brasileiro começou a se valer do anglicismo <em>bullying</em> para se referir ao ato de perseguir, humilhar e praticar violência física ou moral contra outra pessoa, dei-me conta de que, em verdade, o Nordeste já tinha nome pro negócio. A mesma percepção, se muito não me falha a memória, foi tida pelo meu amigo bode velho tradutor, Daniel Pellizzari, que sacou que lá nas terras agrestes todo mundo declara, quando diante da pirraça alheia: <em>pare de me bulir! </em>Dizemos que é &#8220;buliçosa&#8221; a criatura que, não conseguindo parar quieta, está sempre à procura de sarna para se coçar &#8211; ou para fazer os outros se coçarem.</p>
<p>Nordestinos são doutores em teoria bulinística, convivem com isso corriqueiramente. Aprenderam a reagir. Mayara Petruso, musa do bullying 2010, que o diga. Volta e meia, alguém dá uma de Nazaré Tedesco e declara no Twitter que alguém é um &#8220;nordestino fedido&#8221;, &#8220;baiano desgraçado&#8221; ou &#8220;paraibano de merda&#8221;. Negros também costumam ser alvo do buliço maníaco. Gays em geral crescem aprendendo a se anestesiar diante de um mundo de injúrias.</p>
<p>Dei esta voltinha <em>tergiversante</em> [presidenta, um beijo!] para entrar no assunto que, de propósito e mesmo com os dedos coçando, resolvi esperar pelo menos 24 horas para abordar: o veto da presidenta Dilma ao material do MEC contra a homofobia nas escolas [o mesmo material que Bolsonaro e companhia resolveram apelidar meigamente de <em>kit gay</em>]. Resolvi esperar porque, em se tratando deste tema e de qualquer coisa que envolva política, é prudente aguardar confirmações e tentar compreender o que ocorreu de verdade. Por diversos motivos, aprendi a não confiar muito no que a grande mídia faz publicar. Nos últimos dois anos, a verdade dos fatos surgiu em blogs e apenas depois foi incorporada à grande mídia.</p>
<p>Façamos uma pequena revisão do furdunço:</p>
<p>- Lemos, ontem, que a presidenta Dilma vetou o material contra a homofobia.</p>
<p>- Lemos, também, a partir de dizeres do próprio deputado Garotinho, que Dilma cedeu à pressão da bancada evangélica para que, em troca, Palocci fosse deixado em paz.</p>
<p>* PAUSA DRAMÁTICA: TEMPESTADE NO TWITTER *</p>
<p>- Após uma chuva de reclamações digna de intimidar o Poderoso Thor, eis que Toni Reis, presidente da ALGBT, declara que acha possível que Dilma tenha visto um material <strong>falso.</strong></p>
<p>E isso poderia ter ocorrido? Sim, poderia. E, mesmo que não tenha ocorrido, eis um ponto que vale ser martelado: há meses que este material específico do MEC vem sofrendo ataques caluniosos por parte de alguns membros da bancada evangélica, aliados à família Bolsonaro (pai e filhos políticos), alegando coisas que não existem no material. Numa tática clara de espalhar a mentira para confundir, eis que vídeos e imagens que <strong>não</strong> pertencem ao material do MEC passam a ser espalhados, como forma de chocar a população &#8211; especialmente os grupos mais conservadores. Na verdade, o nível das mentiras espalhadas é tão baixo que o falso material consegue chocar até mesmo pessoas de inclinação mais progressista. Fui inquirido até por homossexuais chocados com as coisas que viram. Numa das [falsas] imagens, vemos duas crianças do mesmo sexo se beijando. A imagem é inocente, mas não é do MEC. Bolsonaro espalhou insistentemente que, num dos filmes, um garoto se apaixona ao ver o pênis de outro garoto no banheiro, resolve virar mulher e passa a se chamar &#8220;Bianca&#8221;. Este video, do jeito relatado, não existe. Mas as pessoas acreditam no que lhes contam, não se dão ao trabalho de verificar, e realmente vi muita gente inteligente, estudada e até mesmo alguns homossexuais repetindo a ladainha inventada por esta gente mentirosa.</p>
<p>- Depois, o ministro Haddad afirmou que enviou para Dilma o material DO MEC.</p>
<p>- Em entrevista, Dilma admite que NÃO VIU o material inteiro, e sim &#8220;trechos&#8221; [quais?]. E repete exatamente a mesma ladainha de alguns membros da bancada evangélica.</p>
<p>- Diz-se [a partir do próprio Garotinho] que Dilma CEDEU à bancada para PROTEGER O PALOCCI.</p>
<p>Eu acho esta hipótese extremamente duvidosa. Primeiro, porque se for pra chutar o pau da barraca e expôr o suposto crime de enriquecimento ilícito de Palocci, a própria oposição se pela de medo pois diversos de seus altos representantes &#8211; como o Serra, por exemplo &#8211; foram acusados do mesmo tipo de crime. Não ousaria afirmar que nenhum deles é culpado ou inocente até que investigações sejam feitas (e <strong>deveriam</strong> ser feitas, em <strong>todos</strong> os casos, e não apenas naqueles que a mídia seleciona para divulgar). Segundo, porque qualquer pessoa inteligente sabe que quem sucumbe a uma chantagem, tem que se deixar levar por ela sempre que o chantagista resolver negociar novamente. Assim sendo, não, eu não acredito que Dilma &#8220;vendeu direitos dos homossexuais&#8221; para &#8220;blindar Palocci&#8221;. Não digo que seja impossível, mas tal teoria me parece simplista e ingênua.</p>
<p>A hipótese que me parece mais pertinente é a de que Dilma, esforçando-se para assumir um papel centrista (papel que o PT parece assumir cada vez com mais desenvoltura), se esforça para tomar atitudes conciliatórias. Ela mesma afirma que não abandonou a luta contra a homofobia, mas que o kit do MEC precisa ser <strong>refeito.</strong> A hipótese que me parece mais lúcida é a de que ela deseja que o material seja reelaborado de um modo que continue a se posicionar contra a homofobia, mas que conte com a participação de pessoas que desejam participar da elaboração deste material [ou, melhor dizendo, interferir]. Lembro, inclusive, que quando a decisão do STF favorável à união civil homoafetiva finalmente saiu, eu pensei: tenho receio. Receio porque o PT quer agradar a todos. Se hoje, 5 de maio, as pessoas homossexuais têm motivo para comemorar, o governo fará algo que agradará aos conservadores logo em seguida. Alguém ainda tem alguma dúvida de que o PSOL de hoje é a verdadeira esquerda progressista? Apoio o PT criticamente, já falei sobre isso várias vezes, não me arrependo nem um pouco de ter votado em Dilma, pois minhas escolhas políticas jamais foram ingênuas, e sim sempre foucaultianas: <strong>uma escolha entre perigos</strong>. No fator binário Dilma-ou-Serra, sem sombra de dúvida escolhi Dilma &#8211; o que me pareceu o &#8220;mal menor&#8221;, e não o &#8220;bem maior&#8221; [apesar de, saliento, gostar dela como pessoa, o que não me deixa ser menos desconfiado das politicagens do PT]. E se defendi a votação em Dilma com veemência, e continuo a apoiar, em momento algum achei que ela seria <em>sempre</em> agradável. Dilma não é &#8220;homofóbica&#8221; por ter vetado o kit do MEC, longe disso! Ela é política, e sabe que tem que agradar membros poderosos de uma bancada. Se ela conseguir fazer com que esta bancada entre em acordo e se junte ao movimento antihomofóbico [o que não é incoerente: você pode achar que a prática homossexual é um pecado, MAS não querer que indivíduos sofram violência - a posição clara da Igreja Católica, por exemplo], fará um milagre e merecerá aplausos de pé.</p>
<p>O material contra a homofobia apresentado pelo MEC sob hipótese alguma faz &#8220;apologia ao homossexualismo&#8221; [sic]. Trata-se de material educacional que conclama as pessoas a não perseguir e maltratar indivíduos por conta de sua orientação sexual ou sua identidade de gênero. Absolutamente necessário, essencial, por ser mais um aliado na luta contra preconceitos que, dia após dia, fazem com que adolescentes abandonem a escola por se sentirem humilhados &#8211; e às vezes mais do que isso: espancados. Após assistir os videos e ler o material, apenas alguém de muita má fé pode ver ali uma &#8220;apologia&#8221; a que adolescentes se tornem gays. Apenas a maldade pura, em estado bruto, é capaz de divulgar mentiras, como a de que o material seria exposto a &#8220;crianças&#8221;. O material do MEC seria exposto a adolescentes, num contexto bastante oportuno: o momento em que, em sala de aula, é recomendável debater sobre sexo, preconceitos, respeito às diferenças humanas etc.</p>
<div id="attachment_319" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://devir.files.wordpress.com/2011/05/lulacombandeiragay.jpg"><img class="size-medium wp-image-319" title="Lula+com+bandeira+gay" src="http://devir.files.wordpress.com/2011/05/lulacombandeiragay.jpg?w=300&#038;h=200" alt="" width="300" height="200" /></a><p class="wp-caption-text">É bandeira ou tapete?</p></div>
<p>A única crítica que me parece razoável contra o material antihomofobia do MEC foi feita por um político evangélico cujo nome não recordo, mas cujos dizeres lembro bem. Segundo ele, deve-se lutar não apenas contra a homofobia, mas também contra o racismo, o machismo, a intolerância religiosa, ou seja, todo e qualquer preconceito. Deste modo, seria melhor &#8211; segundo o político &#8211; que um material do MEC envolvesse tudo isso, e pontuasse vários exemplos de homofobia, machismo, racismo, preconceito religioso etc. Na mais repetitiva das críticas, diz-se que o <em>kit gay</em> privilegia homossexuais e transexuais, enquanto que vários outros indivíduos sofrem preconceito: gente gorda, gente feia, nordestinos, pobres, negros, indios etc.</p>
<p>Em parte concordo e em parte discordo deste raciocínio. Acho, sim, que um material educativo contra o <strong>preconceito</strong> como um todo seria bem melhor do que um material sobre um preconceito <strong>específico</strong>. Até porque, adolescentes homossexuais também são passíveis de perseguir outros adolescentes por motivos diversos. O homossexual não é um indivíduo perfeito, e apesar de ser horroroso que uma pessoa que sofre preconceito o perpetre, não é incomum presenciar racismo, machismo ou qualquer outro ato preconceituoso vindo de um gay. <em>Não estou dizendo que gays são racistas</em> (aprendi que é sempre bom afirmar o que NÃO estamos a dizer), e sim que adolescentes <em>em geral</em> têm muito a aprender sobre preconceito.</p>
<p>Por outro lado, a ideia de um material específico contra a homofobia não me parece ruim, considerando que se trata de um tipo de preconceito que parece agir com mais intensidade no ambiente escolar. Quem não lembra da &#8220;bichinha da sala&#8221;? Toda turma tem uma! O sujeito se torna uma espécie de buraco negro da chacota: todo o <em>bullying</em> parece se direcionar contra ele. Já testemunhei adolescentes ditos &#8220;estranhos&#8221; por qualquer outro motivo [gordura, cor de pele, classe, origem etc] admitirem que achavam excelente a presença da &#8220;bichinha&#8221;, porque quando ela se encontrava no local, todos os <em>buliçosos</em> pareciam se concentrar naquele indivíduo em especial.</p>
<p>Recentemente, em conversa com um adolescente transexual FtM [female to male: que nasce biologicamente feminino, mas tem identidade de gênero masculina], ele me contou que parou de estudar muito novo, porque não aguentava mais ser humilhado em sala de aula. Este não é um caso isolado. A evasão escolar é altíssima entre homossexuais e transexuais. Muitos pais sequer imaginam por que o filho se recusa a frequentar o ambiente escolar.</p>
<p>Se o veto de Dilma tem por intenção <strong>refazer</strong> o material, não acho ruim. Toni Reis afirma que terá reunião com ela no dia 1 de junho. O ministro Haddad afirma que o compromisso do governo contra a homofobia não será deixado de lado. A própria Dilma, em discurso oficial, afirma que o governo é contra a homofobia. Mas desliza &#8211; e feio &#8211; ao afirmar que o material fazia apologia de &#8220;opção sexual&#8221; [sic]. Piora tudo quando assume que <strong>nem viu o material, e sim que assistiu a trechos de videos mostrados por jornalistas</strong>. Fica a questão, ainda não dirimida: que videos Dilma assistiu? Os videos do material do MEC? Videos que jornalistas da TV Record, comandada por um bispo evangélico, mostraram? Os videos verdadeiros que mostram o quanto é errado perseguir pessoas ou as adulterações com imagens de erotismo precoce?</p>
<p>Você pode ouvir a entrevista completa dada pela presidenta clicando aqui: <a title="http://blog.planalto.gov.br/wp-content/uploads/2011/05/dilma_%C3%83%C2%A1udio_entrevista.mp3/" href="http://migre.me/4E0rT" rel="nofollow" target="_blank">http://migre.me/4E0rT</a></p>
<p>[Ponto para ela, que se posiciona contra os desmatamentos e contra a anistia aos desmatamentos vergonhosamente defendida por gente que admiro e respeito, mas isso é outra história]</p>
<p>No trecho específico em que fala sobre o material antihomofobia, a presidenta Dilma evidentemente titubeia, demonstrando desconforto. Cito-a:</p>
<p><em>A terceira questão é sobre o kit. O governo não&#8230; o governo defende a educação e também a luta contra práticas homofóbicas. No entanto, o governo não vai&#8230; não vai ser permitido a nenhum órgão do governo fazer propaganda de opções sexuais, nem&#8230; de nenhuma forma nós não podemos interferir na vida privada das pessoas. Agora, o governo pode, sim, fazer uma educação de que é necessário respeitar a diferença e que você não pode exercer práticas violentas contra aqueles que são diferentes de você. Isso&#8230;</em></p>
<p>O que ela surpreendentemente faz aqui é repetir o argumento <strong>falacioso</strong> de alguns membros da bancada evangélica, de que o material do MEC <em>faz propaganda de opções sexuais</em>. Continuando, ela admite que não assistiu aos videos:</p>
<p><strong>Jornalista:</strong> O que a senhora achou do kit?</p>
<p><strong>Presidenta:</strong> Eu não concordo com o kit.</p>
<p><strong>Jornalista:</strong> Não. Por quê?</p>
<p><strong>Presidenta:</strong> Não. Porque eu não acho que faça a defesa de práticas não homofóbicas.</p>
<p><strong>Jornalista:</strong> A senhora assistiu os vídeos?</p>
<p><strong>Presidenta:</strong> Eu não assisti os vídeos.</p>
<p><strong>Jornalista:</strong> Mas o material&#8230;</p>
<p><strong>Presidenta:</strong> Um pedaço que eu vi na televisão, passado por vocês, eu não concordo com ele. Agora, esta é uma questão que o governo vai revisar. Não haverá autorização para esse tipo de política, de defesa de A, B, C ou D. Agora, nós lutamos contra a homofobia.</p>
<p>Incrivelmente, conheço homossexuais que acham que o kit contra a homofobia do MEC não é importante. Ledo engano! Estes homossexuais relativizam a homofobia, por não a sofrerem <em>diretamente</em>. Ser alvo de homofobia direta é algo que parece estar ligado à classe social. Como disse &#8211; e muito bem dito &#8211; o psicanalista bahiano Lucas Jerzy, via Twitter:</p>
<p><em>viado de classe média alta, em colégio Jesuíta bahiano, vai ter as mesmas dificuldades que sempre teve: quase nenhuma.</em></p>
<p><em>mas viado de colégio estadual na periferia de Recife? Dilma entende que eles só têm direito a culto evangélico, não a chupar pau em paz.</em></p>
<p><em>é nisso que o recuo de Dilma foi de direita. Claro que o Brasil que eu frequento não vai se tornar homofóbico. Mas o dos pobres, vai</em>.</p>
<p>Porque é isso mesmo: a homofobia direta é irmã siamesa da pobreza. Com bicha rica, ninguém mexe. Elas galopam felizes por suas pradarias, vivendo num mundo <em>bubble</em> e acham que o Brasil melhorou. Não melhorou. O bolso de alguns é que &#8211; isso sim &#8211; os torna &#8220;respeitáveis&#8221;. Não há real respeito na tolerância <em>fake</em> comprada pelo <em>pink money</em> &#8211; pelas costas, você continua sendo <strong>uma bichona</strong>. Aquele que os outros dizem &#8220;é viado, mas é legal!&#8221;. O viado pobre, a bicha da periferia, o gay suburbano &#8211; este é o que mais se beneficiaria do <strong>material antibuliçoso</strong> do MEC. Para cada adolescente maltratado, humilhado, espancado e que abandone a escola, já sei direitinho para quem mandar a conta.</p>
<p>Alexey Dodsworth</p>
<p>Mestrando em Filosofia Política e Ética pela Universidade de São Paulo.</p>
<p>P.S. &#8211; segue carta muito pertinente dos petistas à presidenta, sobre o ocorrido. Vale a leitura.</p>
<p><a href="http://www.pt-sp.org.br/noticia/?acao=vernoticia&#038;id=4593" rel="nofollow">http://www.pt-sp.org.br/noticia/?acao=vernoticia&#038;id=4593</a></p>
<p>P.S.2 &#8211; Veja você mesmo os videos do MEC e tire suas próprias conclusões:</p>
<p><a title="http://www.eleicoeshoje.com.br/videos-do-programa-escola-sem-homofobia/" href="http://www.eleicoeshoje.com.br/videos-do-programa-escola-sem-homofobia/" rel="nofollow" target="_blank">http://www.eleicoeshoje.com.br/videos-do-programa-escola-sem-homofobia/</a></p>
<p>Está curioso para ver uma parte do material falso? Ei-lo:</p>
<p><a href="http://fenasp.com/site/index.php/2011/05/23/conheca-uma-das-cartilhas-publicada-pelo-mec/" rel="nofollow">http://fenasp.com/site/index.php/2011/05/23/conheca-uma-das-cartilhas-publicada-pelo-mec/</a></p>
<p>[com agradecimentos a Thiago Fiago por me passar os links]</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/devir.wordpress.com/313/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/devir.wordpress.com/313/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=devir.wordpress.com&#038;blog=394699&#038;post=313&#038;subd=devir&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Entrevista: perguntas de Carlos Dum sobre astrologia</title>
		<link>http://devir.wordpress.com/2011/05/08/entrevista-astrologia/</link>
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		<pubDate>Sun, 08 May 2011 21:25:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexey Magnavita</dc:creator>
				<category><![CDATA[astrologia]]></category>
		<category><![CDATA[Astronomia]]></category>

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		<description><![CDATA[A seguir, minhas respostas às perguntas realizadas pelo vice-presidente da Federação Venezuelana de Astrologia, Carlos Dum. A versão em espanhol será publicada na Revista Universo dos amigos venezuelanos, onde tive o prazer de dar um curso ano passado sobre diferenças entre astrologia e astronomia. 1.-  ¿Desde cuando y que te motivó a estudiar astrología? Comecei [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=devir.wordpress.com&#038;blog=394699&#038;post=299&#038;subd=devir&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>A seguir, minhas respostas às perguntas realizadas pelo vice-presidente da Federação Venezuelana de Astrologia, Carlos Dum. A versão em espanhol será publicada na Revista Universo dos amigos venezuelanos, onde tive o prazer de dar um curso ano passado sobre diferenças entre astrologia e astronomia.</p>
<p><strong>1.-  ¿Desde cuando y que te motivó a estudiar astrología?</strong></p>
<p>Comecei a estudar astrologia muito cedo, por volta dos 11 anos de idade, por razões meio “acidentais”. Eu era apaixonado pela minisérie “Cosmos”, de Carl Sagan, e adorava astronomia. Eu morava em Salvador, Bahia, e era muito difícil encontrar revistas ou livros sobre astronomia, não existia internet, enfim, era quase impossível encontrar qualquer coisa sobre o assunto. Em compensação, a revista Planeta publicava constantemente edições especiais sobre astrologia. Em minha confusão juvenil, achei que fossem a mesma coisa, e só fui me tocar que eram assuntos totalmente distintos alguns anos depois.</p>
<p>É claro que desde o início percebi que o que se falava naquelas revistas não tinha a ver com o discurso de Carl Sagan, mas os artigos eram bem escritos. Quando percebi a diferença, já era tarde demais. Tinha me apaixonado por astrologia e por tudo o que ela traz em seu bojo: estudos de simbologia, história, comportamento humano etc. Quando me dei conta, estava sendo solicitado para fazer mapas astrais e dar aulas sobre o assunto. Atendi muitas pessoas ao longo de mais de vinte anos e dei muitas aulas neste mesmo periodo. Atualmente, atendo bem menos porque me dedico a pesquisas de pós-graduação em filosofia política e a uma nova graduação em astronomia. Levei quase 25 anos para poder realizar o sonho de criança de estudar astronomia. É engraçado como a vida leva a gente por caminhos diferentes. É como se eu tivesse feito uma viagem mais longa para chegar onde queria, mas gostei da paisagem.</p>
<p><strong>2.-  Ahora en el siglo XXI ¿es posible que los seguidores de la astrología y la astronomía vuelvan a conseguir algún punto en común?</strong></p>
<p>Ponto em comum me parece que já existe: o céu. Mas ter um objeto de estudo como elemento comum não significa nada. A astronomia se preocupa com física celeste. A astrologia se ocupa da construção de simbologias e atribuição de significados. Gosto de uma frase de um astrólogo curitibano, João Acuio: “astrologia não tem a ver com astronomia, tem a ver com semiótica”. Ele disse isso outro dia no Twitter. Concordo com ele.</p>
<p>Não vejo razões para a astrologia e a astronomia terem que se unir, e acho a separação bastante válida. Apoio totalmente a existência de conhecimentos que não são “oficialmente científicos”, por ser um apreciador da pluralidade de saberes e repudiar qualquer tipo de totalitarismo do pensamento. Vejo com desconfiança essa necessidade que alguns astrólogos têm de receber o aval da ciência oficial. Via de regra, a relação dos esotéricos com a ciência oficial tem algo de esquizofrênico: criticam o método científico, mas ao mesmo tempo parecem pleitear algum tipo de reconhecimento neste sentido.</p>
<p>Mas acho o diálogo entre astrônomos e astrólogos interessante. Astrólogos sem dúvida só têm a se beneficiar com o estudo da mecânica celeste, com o aprendizado de aspectos fundamentais de cálculo que são tão importantes. Acho positivo que o astrólogo aprenda a fazer alguns cálculos a mão e dependa menos de programas de computador. No que concerne aos astrônomos, acho legal que eles aprendam um pouco mais sobre pensamento simbólico. Profissionais de Exatas deveriam ler um pouco mais de filosofia, poesia. Faria bem aos astrônomos que tanto criticam a astrologia um procedimento de se informar mais sobre o saber que tanto criticam. Não vejo nenhum problema em relação a criticar a astrologia, mas vejo todos os problemas quando uma pessoa critica algo sem conhecimento mínimo de causa. As críticas mais comuns feitas por céticos em relação à astrologia são, geralmente, críticas fracas e pautadas num conhecimento muito superficial do tema.</p>
<p><strong>3.- ¿Qué te motiva a estudiar la astrofísica?</strong></p>
<p>Uma paixão imensa por enigmas. Os problemas astronômicos e astrofísicos sempre me pareceram fascinantes. Matemática e física possuem uma beleza enorme, mas são como mulheres bonitas demais, daquelas que você até se assusta e se sente intimidado quando encontra, até que as conhece melhor e compreende que não há nada de inalcançável nelas.</p>
<p>Também me motiva o <em>não saber</em>. Me deparar com questões que eu ignoro e aprender mais sobre elas é algo que aprecio muito. E a astronomia é para mim, atualmente, um desafio muito maior do que a astrologia.</p>
<p>Mas a minha área focal de estudo é a astrobiologia, mais do que a astrofísica. A questão da vida num contexto cósmico me fascina. A pesquisa de vida fora da Terra me mobiliza muito, ainda que seja uma pesquisa que envolva microorganismos, e não vida inteligente – que deve ser extremamente rara.</p>
<p><strong>4.- ¿Cuál es tu percepción personal de Dios?</strong></p>
<p>Pessoalmente, não me preocupo com esta questão. É claro que a perspectiva astrológica considera a existência de uma inteligência ordenadora, que poderia ser chamada de “deus”, mas não gosto do uso desta palavra, por uma razão muito evidente: trata-se de um termo utilizado por muitas pessoas para significar coisas totalmente diferentes.</p>
<p>Quando uma pessoa fala em “deus”, ao que ela está se referindo? Ao deus monoteísta e pessoal dos cristãos, muçulmanos, que supostamente opera milagres, atende a orações e estabelece interditos morais a partir de livros sagrados? Ao deus aristotélico, primeiro motor de todas as coisas, porém totalmente indiferente aos seres humanos e seus apelos? Ao deus de Spinoza, que na verdade é a natureza e, portanto, não é “bom” nem “mau”?</p>
<p>Se deus existe, duvido muito que seja qualquer coisa parecida com o que as pessoas atribuem a esta palavra. Não creio num deus pessoal que opera milagres e que é subornado por orações. Um deus que atende a desejos me parece mais um gênio de Aladin. Nada contra quem acredita, contudo.</p>
<p>Não sou religioso, nem teísta, e nem acho que precise ser para estudar astrologia. Já atendi cristãos, agnósticos e até ateus. Não me parece interessante usar discursos teológicos num atendimento astrológico. Astrólogos não são pastores.</p>
<p><strong>5.- Mantienes la afirmación de que signos y constelaciones no son la misma cosa. ¿Por qué?</strong></p>
<p>Porque não são a mesma coisa, e é impressionante que alguns astrônomos e astrólogos ignorem esta diferença. A astrologia ocidental é trópica, considera como sendo “signos” as doze partes da ecliíptica zodiacal, que é definida pela órbita da Terra em torno do Sol. A astrologia ocidental é geométrica, e seus signos são imutáveis, a não ser que a Terra saia de sua órbita (e, caso isso ocorra, ninguém se preocupará com astrologia).</p>
<p>Constelações são outra coisa. São desenhos feitos a partir da ligação que o homem faz entre estrelas. É esta confusão que faz muitos astrônomos sem conhecimento de causa afirmarem que “o signo mudou”. Confundem constelações com signos tropicais.</p>
<div id="attachment_305" class="wp-caption aligncenter" style="width: 230px"><a href="http://devir.files.wordpress.com/2011/05/p1110637.jpg"><img class="size-medium wp-image-305" title="P1110637" src="http://devir.files.wordpress.com/2011/05/p1110637.jpg?w=220&#038;h=300" alt="" width="220" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Carlos Dum e eu, no evento da FEVA, em Caracas (2010)</p></div>
<p><strong>6.- ¿Qué piensas de la iglesia actual y su filosofía?</strong></p>
<p>Você se refere à igreja católica? Não penso muito sobre ela, não sou católico e creio que não tenho que opinar sobre algo que não me diz respeito. A única coisa que me incomoda é quando esta igreja tenta interferir em assuntos que dizem respeito à política do meu país. Creio que o papel de uma igreja é orientar seus fiéis de acordo com seus valores, e não vejo problema algum em relação a isso, afinal as pessoas fazem parte desta ou daquela igreja porque querem e, se não se identificarem, podem sair e participar de outra religião, ou de nenhuma. Vivemos num país laico.</p>
<p>Acho que vale refletir sobre o interdito do Papa em relação à astrologia. Ele claramente diz que praticar astrologia é pecado. Na Biblia, temos duas referências explícitas sobre isso: uma diz que não devemos venerar os astros, uma crítica a religiões outras que fazem isso, como algumas religiões de matriz indigena que veneram o Sol, a Lua e as estrelas (no Brasil, temos o caso da tribo Bororo). Venerar astros não tem muito a ver com astrólogos. Pelo menos, não conheço nenhum astrólogo que adore a Lua ou o planeta Marte, mas pode até ser que exista. Em outra referência, está claro que “consultar adivinhos a respeito do futuro” é pecado. Entretanto, sabemos que há astrólogos na história do cristianismo, como Santo Agostinho que durante muito tempo fez mapas astrais e depois abandonou a prática por razões que nada têm a ver com o conceito de “pecado”. Eu mesmo conheci alguns padres que entendem de astrologia. E a arte cristã está repleta de referências astrológicas. Tenho um amigo astrólogo que deixou de praticar a arte por ser católico, e seguir o interdito papal. Acho coerente da parte dele. Como eu não sou católico, o interdito papal não me incomoda nem um pouco e não me diz respeito.</p>
<p>Deste modo, sendo direto: não me sinto na necessidade de tecer julgamentos sobre a igreja católica. Não me identifico com quase nada do que ela diz, não sou católico, mas entendo que algumas pessoas queiram ser.</p>
<p><strong>7.- ¿Cuál es su definición personal de la Astrología?</strong></p>
<p>Astrologia, na minha concepção, é uma forma de interpretar o mundo, é uma linguagem, uma forma de estabelecer significados para os acontecimentos do mundo e da vida das pessoas. Vejo a astrologia como um conhecimento tradicional da humanidade.</p>
<p><strong>8.- ¿En que crees?</strong></p>
<p>A pergunta é muito ampla. Eu sou inclinado a crer em evidências, e a suspender meu juizo e duvidar fortemente de crenças que são pautadas apenas na tradição, e nisso eu incluo muita coisa que é afirmada pelos astrólogos. Se dou crédito à astrologia, é por constatar que ela funciona a partir de verificações pessoais. E é claro que esta minha constatação é questionável, e acima de tudo <em>deve ser</em> questionada. Há quem se sinta ofendido com questionamentos contra a astrologia, como se a própria mãe tivesse sido ofendida. Não sou assim. Acho que <em>tudo </em>é digno de questionamento honesto.</p>
<p>Note que “crer” não é “garantir”, como bem diferenciava David Hume. Eu creio que o Sol nascerá amanhã, mas não posso garantir que isso ocorrerá. Creio que o Sol nascerá porque este é um evento que se repete, e eu já o presenciei por vezes sem fim. Mas tudo em que cremos é por pura indução, e não podemos garantir o que cremos. Há uma piada muito boa, sobre o frango indutivista: ele todos os dias era alimentado pelo homem às dez da manhã, e acreditava fortemente que todos os dias, às dez horas, o homem lhe traria comida. Até que, na véspera de natal, às dez horas, o homem não lhe trouxe comida, mas o degolou. Não podemos garantir que nenhuma de nossas crenças se mantenham para sempre, mesmo aquelas que se baseiam na realidade empírica. Mas – ainda citando Hume – nós <em>temos</em> que agir como crentes. O ceticismo absoluto é uma impossibilidade. Afinal, ninguém salta do décimo andar por duvidar da lei da gravidade. A gente acredita que a gravidade funcione, e tem que acreditar.</p>
<p>Sou uma pessoa muito inclinada ao ceticismo, o que parece estranho já que lido com astrologia e gosto do assunto, mas gostar do tema não anula a minha capacidade de estar sempre me questionando sobre ele. O problema é que, em geral, “gostar de astrologia” traz em seu bojo a crença em muitas outras coisas: vidas passadas, extraterrestres inteligentes e bonzinhos, anjos etc. Eu acho que uma coisa não tem a ver com a outra. Definitivamente, não acredito em muitas coisas, o que não significa que eu afirme que essas coisas não existem. “Duvidar” não é “afirmar a inexistência”.</p>
<p>E isso serve para quem não crê em astrologia também: duvidar é aceitável. Afirmar que a astrologia é totalmente falsa é um tanto quanto tolo. Contraria o próprio espírito da ciência. Nem Carl Sagan, cético que era sobre a astrologia, afirmaria que a astrologia não funciona. Ele a criticava, duvidava dela, apontava problemas. Mas duvidar não é negar.</p>
<p><strong>9.- ¿Qué papel o rol juega la astrología en la sociedad actual?</strong></p>
<p>Eu gosto da crítica que Adorno faz ao papel da astrologia contemporânea na sociedade atual. Segundo Adorno, no livro “As Estrelas Descem à Terra”, a astrologia atualmente é uma forma de manter o <em>status quo</em>. Em síntese, ele diz que vê a astrologia contemporânea como uma forma de adestramento social, uma forma de fazer as pessoas se comportarem bem e se conformarem. O discurso quase sempre atua como instruções do bom comportamento, a partir de prerrogativas de que existe um “modo certo” de ser e de agir evidentemente comprometido com a preservação da harmonia, da boa convivência, da pureza. É como se todos tivessem que ser librianos: a diplomacia é elogiada, a agressividade é criticada.</p>
<p>Acho que Adorno tem razão, mas acho também que ele se apega a uma astrologia de jornais, mais especificamente ao <em>New York Times</em>. Seria certamente injusto dizer que os conselhos de bom comportamento feitos pelo astrólogo do <em>New York Times</em> refletem <em>toda</em> a prática astrológica contemporânea, mas me parece um bom retrato do que ocorre, ao menos superficialmente. E acho que astrólogos deveriam refletir sobre esta crítica de Adorno. Seria tarefa do astrólogo dar conselhos sobre o comportamento das pessoas? Isso me parece uma tarefa possível, mas questiono se é válido estabelecermos este tipo de papel adestrador. Uma vez fiquei tão impaciente com isso que passei a criar um <em>horroróscopo</em> na internet: uma astrologia do mau comportamento, provocativa, que se focava no lado mais sombrio da alma humana. Fez um sucesso enorme. Acho que as pessoas estão se cansando de receber conselhos de bom comportamento. Elas querem algo que evoque a realidade. E a realidade certamente não é “fofinha”, o mundo não é “bonzinho”.</p>
<p>Tenho um amigo astrólogo que, num e-mail sincero de desabafo, disse que não curtia mais trabalhar com astrologia, pois ele passou a ver nela um instrumento que serve apenas para satisfazer as curiosidades egocentradas de pessoas de classe média e classe média-alta que podem pagar o alto preço cobrado por astrólogos. Meu amigo se queixa de não haver um aspecto social na astrologia. Também concordo com esta crítica, e aquí vale lembrar que a astrologia sempre esteve a serviço de reis e príncipes. Muito raramente tivemos exemplos de astrólogos que usaram sua atividade para classes mais baixas.</p>
<p>Mas tudo isso é só um pedaço da verdade. A Central Nacional de Astrologia, através de seus Circuitos (palestras públicas), permite o acesso do conhecimento astrológico a qualquer pessoa, de qualquer classe social. A internet também serve para espalhar o conhecimento. E há mapas astrais muito bons que podem ser feitos por sistemas computadorizados, que custam menos que 50 reais, um valor acessível para a larga maioria das pessoas.</p>
<p>Por fim, acho que a astrologia faz muito mais bem do que mal. Ela estimula as pessoas a pensar sobre si mesmas, a refletir sobre o comportamento humano. Independentemente de ser verdadeira ou não, só o fato de estimular estas reflexões já a torna válida, cumprindo um papel importante. Note também que o discurso astrológico se compromete com a aceitação da pluralidade: se as pessoas são tão diferentes, tanto quanto as personalidades destacadas pelos tipos astrais, como querer que elas não sejam o que efetivamente são? A astrologia, quando bem praticada, estimula a compreensão das diferenças entre as pessoas, e isso não é mero &#8220;adestramento da bondade&#8221;, é estimular a boa convivência na <em>pólis</em>, a cidade. Uma vez, conheci um senhor que me disse justamente isso: ele disse que não acreditava em astrologia, mas que sua mulher tinha se tornado uma pessoa muito mais paciente e compreensiva depois que começou a estudar o assunto, passando a respeitá-lo mais. Que ótimo!</p>
<p><strong>10.- ¿Qué piensas de las “predicciones astrológicas en la vida de las personas” y si son posibles?</strong></p>
<p>Temos aquí um problema que se desmembra em duas perguntas: 1. É possível fazer previsões em geral? 2. É possível fazer previsões <em>a partir da astrologia?</em></p>
<p>Acho importante essa divisão, porque é fato incontestável que o ato de prever é algo que caracteriza o ser humano. Pensar sobre o futuro é algo que nos marca poderosamente, desde tempos imemoriais. Deste modo, um economista tenta prever o futuro da economia, um físico se pauta em dados para tentar prever fenômenos físicos. Se mandamos um foguete para o espaço, esperamos que isso resulte de acordo com o previsto.</p>
<p>A astrologia é um sistema que pretende fazer previsões. O filósofo da ciência Karl Popper acusa os astrólogos de elaborarem previsões não-falseáveis, ou seja, tão vagas e genéricas que serão sempre verdadeiras. O que é uma afirmação não-falseável? Dou um exemplo: se um astrólogo afirma que o mundo passará por um “momento de transformação”, ele está fazendo uma afirmação que é, de fato, extremamente vaga e pode ser justificada por quase tudo. Se o astrólogo diz para seu consulente que em 2011 ele “conhecerá pessoas importantes”, isso é igualmente vago e não pode se caracterizar como uma previsão certeira, pois ela será <em>sempre</em> verdadeira.</p>
<p>Uma previsão, para ter validade, precisa ser verdadeira ou falsa. Se algo é sempre verdadeiro porque me valho de malabarismos nas palavras, não posso afirmar honestamente que fiz uma previsão. Eu apenas “enrolei” a pessoa – e quando digo “enrolar”, não acho que isso seja intencional, pelo menos não sempre. Conheço pouquíssimos astrólogos que se encaixam na imagem do “indivíduo desonesto”, que tenta enrolar pessoas. A larga maioria acredita profundamente naquilo que faz.</p>
<p>Eu acho que o problema das previsões vagas é algo mais comum na prática astrológica moderna, que mescla psicologia em excesso em seu discurso. Mas não é verdade que todos os astrólogos fazem previsões vagas. A crítica de Popper me parece perfeitamente válida, mas ele estava se referindo a horóscopos de jornal, ou seja, ao que ele conhecia como astrologia, o que ele via em publicações. Acho a crítica dele muito válida, e deveria ser considerada por astrólogos que fazem previsões. Todo astrólogo deveria refletir: “estou usando um discurso muito vago? O que eu digo é pontual?”.</p>
<p>É importante ressaltar que as previsões astrológicas se pautam em observações empíricas. Vou dar um exemplo de cunho mundial, político: observou-se, ao longo de centenas de anos, que determinadas conjunções planetárias específicas tinham a ver com grandes guerras. Deste modo, se o astrólogo sabe que esta conjunção se repetirá daqui a 5 anos, ele afirma – baseado na experiência do passado – que uma grande guerra ocorrerá naquele momento. Ele crê nisso e tem razões para afirmar o que afirma, mas nada é <em>garantido</em>, tanto quanto não é garantido que previsões de economistas ou de qualquer especialista resultem em acerto indiscutível.</p>
<p>Isso pode ser aplicado também no contexto da vida de um indivíduo: se sei que Marte formará quadratura ao planeta Mercúrio do mapa astral de um sujeito, posso afirmar – de acordo com a astrologia – que o sujeito passará por uma fase de 5 a 7 dias em que se envolverá em problemas sérios decorrentes da comunicação falada ou escrita. Essa previsão não é vaga, é pontual, e pode ser verificada. E aquí entram as considerações: o astrólogo acerta mais do que erra? Erra mais do que acerta? Acertar <strong>sempre</strong> me parece uma impossibilidade. O que se espera de um sistema previsional é que ele acerte mais do que erre. Mas nenhum sistema previsional, nem os científicos, são infalíveis. Qualquer coisa que precise ser verificada <em>a posteriori</em> é, por natureza, passível de sair errado.</p>
<p>Se as previsões astrológicas <em>pontuais</em> funcionam, não há uma explicação sobre as razões. Não pode ser por “influência planetária”, pelo menos não por conta de uma influência que se paute em energias mensuráveis. A física quântica também não explica a astrologia, como muita gente diz ou, melhor dizendo, não explica nada <em>até o momento</em>. A física quântica é uma física que estuda o comportamento de partículas subatômicas, e Saturno não é uma partícula subatômica.</p>
<p>Mas se a astrologia não tem respaldo científico, ao mesmo tempo é curioso notar que a ciência oficial não se dispõe a fazer estudos honestos em torno do tema. Estou certo de que muitas das afirmações astrológicas não se sustentariam, mas aposto que muita coisa seria verificada.</p>
<p><strong>11. ¿Qué piensa usted de las asociaciónes constantes entre la física cuántica y la astrología?</strong></p>
<p>Eu diria que nestas associações eu não vejo nada de fisica quântica, então vejo isso apenas como retórica. O termo “quântico” está na moda, e é utilizado via de regra como forma de impressionar. Em alguns casos, o uso me parece desonesto (quando quem usa a associação claramente está enrolando seu interlocutor), em outros casos o que noto é uma utilização incorreta, mas ingênua, da teoria quântica a partir do que o sujeito entendeu. Temos, então, dois perfis: aquele que usa o conceito de modo desonesto, e o que o utiliza de modo ingênuo. Não acho que isso traga bem algum à astrologia.</p>
<p>Noto que alguns astrólogos tentam incorporar jargões cientificos atuais em seu discurso, e acho que isso transparece um desejo de aceitação social e legitimidade. Afinal, nos tempos atuais, a ciência tem um peso enorme. Dizer que algo é “cientifico” é como dizer que esta coisa é “respeitável”. Mas não me parece respeitável falar de algo que não se conhece. Além do que, o vulgo trata a teoria quântica de uma forma exagerada. A teoria quântica é, para a física, apenas uma teoria, não é uma verdade absoluta. Pode ser substituída, no futuro, por uma teoria inteiramente nova. Acho que a astrologia não precisa de um “discurso quântico” para se fazer respeitar.</p>
<p>Minhas observações não invalidam, é claro, a pesquisa honesta. Se alguém quiser desenvolver uma teoria quântica para a astrologia, ótimo. Mas espero que essa pessoa pelo menos estude física quântica, e não livros pseudocientíficos sobre o assunto. A astrologia não é uma pseudociência, mas passa a ser encarada como tal quando passa a se valer de jargões e explicações que só parecem científicos para quem não entende do assunto. Para quem entende, o discurso fica meio desonesto.</p>
<p><strong>12. ¿Qué  críticas le parecen más injustas?</strong></p>
<p>Dentre todas, a mais tola me parece ser a que acusa astrólogos de “enganar as pessoas e tirar o dinheiro delas”.</p>
<p>Esta crítica me parece prepotente, justamente por subestimar a inteligência das pessoas. Certamente, quem usa este tipo de crítica parte do pressuposto de que quem consulta um astrólogo é bobo ou ingênuo.</p>
<p>Ora, é claro que já atendi gente que me pareceu ingênua e até pessoas sem muita instrução formal, que poderiam ser tidas como “fáceis de manipular”. Mas em toda a minha vida atendi pessoas com pós-doutorado, cientistas, gente mais inteligente do que podemos imaginar. Se a pessoa tem dinheiro para gastar com um astrólogo e quer fazê-lo, por que criticar isso? Por que regular o que as pessoas fazem com seus próprios recursos?</p>
<p>Não é dinheiro público que está sendo usado. É o dinheiro da própria pessoa. Diga-se de passagem, um astrólogo profissional ou dono de escolas do gênero pagam impostos como qualquer cidadão. Eu pago impostos consideráveis à cidade de São Paulo para cada ganho que tenho como autor dos textos do site Personare. Eu adoraria ganhar o mesmo que ganho com astrologia dando aulas de filosofia, até porque prefiro mil vezes dar aulas de filosofia do que fazer o mapa astral dos outros. Se alguém quiser me convidar, fique à vontade.</p>
<p>O que me parece estar por tras desta critica é certo despeito. Se alguns astrólogos ganham mais do que cientistas ou professores de áreas ditas oficiais, lamento pelos cientistas e professores, e espero que o quadro deles mude. Acho que cientistas e professores deveriam ganhar muito bem. Mas não é atirando pedra no telhado dos outros que o nosso se torna melhor.</p>
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